terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Jóia Rara

É praticamente um toque de Deus. Como se fosse a transcrição de todas as coisas boas naquele tom de pele. O fortuito acaba por inesperado, tantas poucas vezes podem se ver rindo com tanta espontaneidade. Minutos preciosos e o encanto se faz a esmo. O encontro das águas já se deu e as vísceras não passam da origem fisiológica dos sentidos. Os que provocam as sensações das mais agradáveis.
De tanto desencadear esperas, forçou a passagem da necessidade sem que se pusesse à disposição. O diamante se lapida pelo balanço constante das ondas: a própria erosão se compromete na expressão dos ditos e na confecção dos ideais. Amar-te é tão mais fácil na presença tua em núcleo, essência de minha emoção, já que o contato expresso me remete ao êxtase de tuas alegrias muito vigorosas.
Faço de tuas palavras as minhas. Não há porque ser diferente. Não tem de ser diferente. É a pressa a inimiga da perfeição; menos a vontade excessiva. Essa aberração se constitui no teor destemido da pretensão do pensamento. A alma comporta o delírio deste meu pretexto. E que a arte se mostre confortada no gosto doce de teu encanto, tão simples quanto oportuno.

Jóia Rara

É praticamente um toque de Deus. Como se fosse a transcrição de todas as coisas boas naquele tom de pele. O fortuito acaba por inesperado, tantas poucas vezes podem se ver rindo com tanta espontaneidade. Minutos preciosos e o encanto se faz a esmo. O encontro das águas já se deu e as vísceras não passam da origem fisiológica dos sentidos. Os que provocam as sensações das mais agradáveis.
De tanto desencadear esperas, forçou a passagem da necessidade sem que se pusesse à disposição. O diamante se lapida pelo balanço constante das ondas: a própria erosão se compromete na expressão dos ditos e na confecção dos ideais. Amar-te é tão mais fácil na presença tua em núcleo, essência de minha emoção, já que o contato expresso me remete ao êxtase de tuas alegrias muito vigorosas.
Faço de tuas palavras as minhas. Não há porque ser diferente. Não tem de ser diferente. É a pressa a inimiga da perfeição; menos a vontade excessiva. Essa aberração se constitui no teor destemido da pretensão do pensamento. A alma comporta o delírio deste meu pretexto. E que a arte se mostre confortada no gosto doce de teu encanto, tão simples quanto oportuno.

LICENÇA POÉTICA - Capricho do Destino


CAPRICHO DO DESTINO [IPSIS VERBIS]



Certa vez, ouvi um pedido do coração e me pus a atendê-lo. Era a riqueza de um sentimento original e poderoso. Conheci o desespero da espera consciente, do apelo esquecido por muitos e da fuga absorta em seu núcleo primordial.
Em consonância com o posicionamento do homem na sociedade, procuro sempre exercitar o compromisso com as palavras. Elas me chamam para sair e eu não exito. Sem precedentes. Na verdade, eu dou as mãos a elas e deixo de lado a solidão que sempre bateu à minha porta.
Cumprimento-te com a saudação cordial de um sorriso que confia na tua resposta. É que a distância de idéias é como a refração da luz do Sol: espalha toda a lucidez em raios sós. E o esconderijo da criatividade é o sossego do isolamento. A essência está na ausência de controle. Completamente. Você manifesta todo seu estado emocional na desventura de sua eloqüência sadia.
O tempo é o marcador exato de nossas experiências. Os matizes, que são produzidos através de nossa grande viagem da vida, representam a legitimidade evidenciada pelo percurso do reconhecimento. O valor das instituições está na fundamentação de seu legado, a partir da informação consolidada e disposta aos pressupostos legais.
O valor da sina se revela na comoção provocada pelos anseios daquela hora, a da agonia do raciocínio, compensando o estarte da paixão e a beleza que é viver ao lado teu. Condecoração. Esta alegria, querida, expõe trocas impensadas de atonicidade, bem como as produções ávidas pela gradação de suas pinceladas, tão abundantes e inócuas.
Novos apensos da celebração humana registram a leveza dos elogios, os perigos de uma relação estritamente passional, a clarividência de dividendos numerosos. A conta é justa, uma vez que o aperto parece irrestrito. A vida é um processo paulatino, em cuja cadência se situa um almejo da calma, mediante teus sublimes gestuais, tão naturais.
Bastasse um beijo teu e eu, neste intervalo, perderia a pureza de menino e acresceria a grandeza de tu' alma à minha, sem pestanejar, com o anseio de quem aguarda um novo mundo a sua volta, mesmo porque a esperança é a companheira de todas as horas, face aos conluios da modernidade e os efeitos pronunciados pela “delícia da exposição ao Sol”. O silêncio que quebra todo um explícito grito, implacável em sua existência, amparado pela candura das penumbras de teus apelos, espraiados, andarilhos, pretendentes, poderosos.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Crônica (por Alexandre Bizerril)

Em uma tarde de sábado...

Em uma determinada tarde de sábado, eu e um amigo estávamos em minha casa escutando algumas músicas de que gostávamos e, ao passarmos para os DVDs musicais, começamos a ver e ouvir um cara de que gostamos muito – Ray Charles – e surgiu uma conversa com relação a preconceito racial, mesmo sem percebermos que o conteúdo da conversa era sobre isso.
Esse amigo estava a me contar um fato engraçado que aconteceu com ele quando foi a um baile funk, mas não desses de que ouvimos tanto falar, tocando “proibidão” e com mulheres grávidas a toda hora e a divisão de espaço – o famoso "Lado A, Lado B". Era um local mais comportado, diria até mais elitizado. Enfim, o fato curioso aconteceu na fila para entrar nesse local. Ele estava com mais alguns amigos e amigas, mas era o primeiro depois de um grupo de pessoas que começaram a olhar para ele com certa estranheza e diria, até aversão. Mas o que mais chamou-lhe a atenção foi uma frase que um “senhorzinho” que estava no grupo disse para uma “madame” que estava com ele. Foi algo, “tipo assim”: “- Brincadeira, eu que sou freqüentador assíduo desses bailes e agora tenho que aturar qualquer um entrar, hunf!! Esse baile já foi mais bem freqüentado”. Com certeza ele ficou muito chocado com isso, afinal era a primeira vez que passava por uma situação de discriminação, mesmo que indiretamente, mas não retrucou. Ele estava em menor número e, nos dias de hoje, não vale muito a pena tomar satisfação por coisa tão pouca e acabar com um buraco no corpo ou dentro de um buraco.
Pensamos e conversamos horas a fio sobre isso e por fim percebemos que qualquer um pode ser preconceituoso, independente de idade e de tom da pele. Ah! Desculpe a minha falta de atenção, caro leitor. Eu esqueci de descrever o meu amigo e o local para onde ele foi. Ele é branco, olhos verdes, cabelos encaracolados – pelo menos à época do fato e tinha lá pelos seus 20 e poucos anos e estava com uma amiga negra e um loira e outro amigo pardo. Estava entrando em um baile de charme e o cara que estava na fila era um rapaz de uns 30 e poucos anos, negro, com uma camisa com os seguintes dizeres “100% negro”, usando black power e estava com um grupo de pessoas com o mesmo tom de pele. Ficamos um pouco decepcionados pelo fato de que se trata de uma pessoa que faz parte de um grupo amplo e que foi duramente discriminado e tratado como “ralé”. Lutaram por igualdade e não por dominação e isso é o que não deve ser esquecido.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Aos que se movem

After a long time,back again...

"...Aos que se movem,
resta o desafio
de compreender o caminhar
como uma conseqüência do viver..
É necessário o movimento,
mesmo que involuntário
do indivíduo, para que o ar circule
por sobre todas as coisas
e ponha em marcha o tempo
que será sempre outro.
Ainda que as mãos tentem
em desespero retê-lo
ele avança, célere,
pondo abaixo
todas as estruturas estabelecidas.
Ao seu passo,o mundo gira
e a cada momento
a estrada desaparece
simultaneamente ao contato dos pés.
Não há como retroceder....
É preciso,contudo,
manter-se suficientemente distraído
para perceber as engrenagens do
mundo,
em continuo rearranjo,
tecendo finíssimas linhas invisíveis
com as quais conecta
as vivências de cada um
na tarefa delicada
de constituir aquilo
que chamamos existência...
A cada ação corresponde
um constante rearrumar
de sensações e o universo
que se vislumbra
jamais repetirá sua composição.
Há que se prosseguir
enfrentando o silêncio dentro de si
e aceitando o fato
de que as respostas jamais virão..
são as perguntas que sempre irão mudar...
Viver é sensibilizar-se
É sentir a respiração do mundo
e fazer-se parte
do movimento que é elementar a tudo.
..existir não é fato,é processo ..."

Presságios da Alma

É uma compulsão. Um estopim dentro do meu coração. Acordes soam na proeza de cada gota que fraqueja das folhas, após a tempestade. Se engana quem pensa que uma grande obra nasce do silêncio, em meio ao nada. É a manifestação da natureza, irrepreensível, em seu ciclo espantoso, na cadência espontânea de suas transformações.
A escrita é a união dos nossos sonhos em palavras oportunas. A interpretação dela é o entendimento de nossos sentidos a partir da reunião de vozes imaginárias. O ideal é a representação de nossos desejos. E a razão é o que restou de toda a leitura. As arestas do caderno, amareladas pelo uso, significam o prazer ingrediente de cansar as mãos até o sono bater. E lá se vão tantas da madrugada.
O doce encontro entre a vontade e a satisfação se desenha no formato dos textos, irracionais, especiais, em si mesmos retrato de autor. Foge à lógica da realidade o precipício dos ensejos, uma vez que o mergulho acaba sendo inevitável. Presságios da alma. A coordenação motora se despe na contestação do pensamento às normas ditadas. O que nasce primeiro: a obra ou o (pre)texto?
Vivendo num oceano profundo, na companhia de nossos sentidos, a admirar a infinitude do horizonte, como se fosse a transposição da eternidade. Esta que não existe para a presença física, muito embora me pareça equivocado conceber outra aquiescência para o poder das letras em nossa infinitude de sensibilidade sem tamanho.
Contiguidade expressa do meu ser. A observação é a origem da arte, na medida em que proporciona o efeito da perspectiva, promovendo o feitio recortado, corrente, passional. Minha vida de nada seria sem a pretensão dos impulsos. E a felicidade, suprema em toda sua radiação, prestaria contas com o quase sem deixar recados. Metade da maçã expressa o gosto da delícia que é acordar. O sonho é um despertar do peito, encarecido tropeço do pensamento, ao deixar de acontecer. A protelação é o esquecimento da ousadia. E a coragem prescinde, sim, de afirmação. Da dor de não lembrar, do amor que se espaça, da diluição dos corpos entre os olhares, da exposição insinuante deste furor que insiste em persuadir o óbvio.
O alvoroço de frase a frase, à margem da propriedade da criação, simboliza o curso religioso da compreensão do novo no mundo, emergente contorno da visão sobre o exílio de si, contraste imediato ao burburinho entorpecente da cegueira humana. O espelho, meu, é a identificação da conseqüência provocada no próximo diante do propósito, consumado, constituído no julgamento do discurso engajado, seja no âmbito da poesia ou da dissertação.
A voz da opinião é o retrato fiel da intensa forma da liberdade. O índice do meu interior tem um quê de simplicidade, um porquê de curiosidade e um “como o quê” da fome insaciável de saber, normal, até na condição insubstituível de expressão do que não se quer dizer após os confins da beleza de dentro de ti, de que lembrei na hora de me esquecer.

sábado, 20 de dezembro de 2008

NA TAL DA FESTA TUPINIQUIM

COSTUMAM DIZER QUE EM TERRA DE CEGO QUEM TEM UM OLHO É REI. SERÁ, QUE, EM PLENA MODERNIDADE, LOGO OS PIRATAS SERIAM OS DONOS DO MUNDO? PARALELAMENTE, EM TERRA BRASILIS, É POSSÍVEL QUE DONO DE MORRO SEJA O POSTO MAIS COBIÇADO DE TODOS.
PARECE COISA DE MALUCO: A CEGUEIRA É TÃO VASTA QUE SE TORNA MAIS FÁCIL FINGIR QUE NÃO VIU OU ENXERGAR O QUE NÃO EXISTE. HOJE EM DIA, PADRE É POLÍTICO, EM NOME DE JESUS. BANDIDO VIROU POLÍCIA DA COMUNIDADE. SINÔNIMO DE MILÍCIA. E A POLÍCIA É A "FORÇA NACIONAL".

O QUE SERIA DE NÓS SEM ESTA FORÇA QUE VEM DE BERÇO ESPLÊNDIDO?

JOGADOR DE FUTEBOL É FUTURO TÉCNICO, APRENDIZ DE EMPRESÁRIO OU, NA PIOR DAS HIPÓTESES, ACABA COMO COMENTARISTA. E NESSE CAMPO, A MÃE DO ÁRBITRO É QUEM MAIS SOFRE. Ô, PROFISSÃO INGRATA!
A TEORIA MATEMÁTICA AFIRMA QUE "A ORDEM DOS FATORES NÃO ALTERA O PRODUTO". SERÁ VERDADE? NUM PAÍS EM QUE CANTOR VIRA MINISTRO E O CARTÃO CORPORATIVO ENTORNA O CALDO DA SOPA, PODEMOS ACREDITAR EM ORDEM E PROGRESSO?
AINDA ENCARAM CONSCIÊNCIA POLÍTICA COMO MOTIVO PARA BANALIZAÇÃO CÍVICA OU PRODUTO HUMORÍSTICO. QUEM SE ENGANA COM O JARGÃO "NÃO VOTE NO GABEIRA! ELE FUMA, SENTA E CHEIRA" PRECISA DE UMA DOSE DE TARJA PRETA (SEM DIREITO À LEITURA DA BULA) OU DA REFORMULAÇÃO DO SISTEMA EDUCACIONAL. NÃO VALE QUALQUER PARCIALIDADE NESTE PONTO, APENAS RECORTE DE UMA REALIDADE RECENTE.
TUDO É PASSAGEIRO, MENOS O MOTORISTA E O TROCADOR. OS COMPANHEIROS VÃO E VOLTAM DA ROTINA MASSACRANTE TORCENDO PELA ESTRÉIA DE RONALDO NO CORINTHIANS. FALTA O PÃO DE CADA DIA, MAS EXISTE A FELICIDADE PORQUE O "FENÔMENO" É DO TIMÃO. A MULHER VIROU SALADA DE FRUTAS SEM CERIMÔMIAS.

ATÉ QUE PONTO A MÍDIA CONTRIBUI PARA O ESTADO DE CONSCIÊNCIA DA POPULAÇÃO?

É CERTO QUE A MÍDIA APERTA A MÃO DO "COMPANHEIRO" ESPERANDO O DINHEIRO QUE SAI DOS IMPOSTOS EXCESSIVOS OU MESMO DOS PROGRAMAS ASSISTENCIAIS, COMO O PROUNI E O BOLSA FAMÍLIA. OS POLÍTICOS TROCAM DE PARTIDO COMO QUEM TROCA DE CARRO, TODO ANO TEM GENTE NOVA E UM DIFERENTE. PIPOQUEIRO VIRA POLÍTICO, BICHEIRO SE TORNA POLÍTICO, CANTOR SE TORNA POLÍTICO.
PARA ARISTÓTELES, PENSADOR GREGO, "O HOMEM É POR NATUREZA UM ANIMAL POLÍTICO". ENGRAÇADO: POR QUE O INVERSO NÃO FUNCIONA? UM POLÍTICO NÃO SE TORNA JOGADOR PROFISSIONAL, PIPOQUEIRO E AFINS.

O ARGUMENTO SE ENCONTRA QUEBRADO.

E, NO FINAL DAS CONTAS, POLÍTICO AINDA VIRA CELEBRIDADE E A TELEVISÃO, PALÁCIO DO PLANALTO. O QUE NASCE NA MESA, FICA NA MESA. E NINGUÉM VAI PRESO.

VALE MESMO PENSAR QUE A ESPERANÇA É A SEMPRE A ÚLTIMA QUE MORRE.

Cinema (por Alexandre Bizerril)

"Família é família. Sangue é sangue." Até que ponto?


“Bom dia, boa tarde e boa noite!!” Meus amigos, desculpem a demora em postar um novo texto, mas vida de estudante universitário é dura em todos os sentidos. Bem, não estou aqui para escrever sobre minha vida, apesar de achar que a vida de muitos dos que conheço daria um bom roteiro, mas no momento estou a falar sobre filmes. O dessa coluna me remete às tragédias gregas. Trata-se de O Sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream, 2007, EUA/Inglaterra/França), dirigido por Woody Allen e com atuações de Collin Farrell, Ewan Mcregor e Tom Wilkinson.
O filme conta a história de Ian (Ewan) e Terry (Collin), dois irmãos que passam por problemas financeiros e pedem ajuda ao tio, porém este pede em troca um grande favor “que só poderia ser pedido a alguém da família”, afinal “Família é família. Sangue é sangue”, nas palavras do próprio “Tio Howard” (Tom Wilkinson). Engraçado pensar até onde podem ser mascaradas as verdadeiras intenções das pessoas. Saber distinguir o que realmente as movem do que elas querem mostrar para as pessoas a sua volta. A história se assemelha ao que poderia ser uma profecia de Cassandra – bela personagem da mitologia grega que foi abençoada com o dom da profecia e, posteriormente, amaldiçoada pelo deus Apolo, por não aceitar seu assédio. Ou mostrar um pacto com o diabo em troca de bens materiais (Fausto). Até onde você pode ir pela “família”? Aliás, é somente pela família que as pessoas podem se sujeitar a quebrar algumas das regras primordiais de convívio em sociedade? É evidente que as diferenças (caráter, ética, limite) dos personagens principais existem, mas, apesar disso, são mantidos pontos de convergência que fazem com que os espectadores percebam que eles são irmãos.
Allen tem tentado mostrar o lado obscuro da natureza humana, a verdadeira vontade que move o ser humano e, em algumas ocasiões, ele foi feliz como em Match Point – muito em virtude dos bons atores que escalou –, porém, em Sonho de Cassandra, o elenco, apesar de alguns bons nomes, deixa um pouco a desejar, principalmente a partir do pacto feito entre o tio e os sobrinhos. Nesse momento o filme mostra mais o lado cômico do diretor, incluindo as caras e bocas de Collin Farrell na passagem de momentos alegres para tristes. Tirando isso, o que fica mesmo é a oportunidade de ver Woody Allen dirigindo um filme de gênero diferente do que o consagrou.

ESPELHO

VOZ INTERIOR


“O nosso universo imaginário só não desconstrói aquilo que ele não constrói...”.

Filipe Barbosa.


Parecia mais uma quarta-feira daquelas semanas de final de ano. Era mais do que todos viam. Um repertório pleno de fundo passional, um caminho inocente na viagem pelo novo. A pedra que divide um rio. Enxurrada de emoções.
Aqueles olhos demasiadamente curiosos provocaram em Enzo um fascínio espantoso, coisa por que nunca imaginara passar. Um bombardeio interno, a sensibilidade sobre sua própria razão, o sem-querer vacilante que pede na hora mais incerta o subterfúgio de suas forças, aquela ação inesperada.
Tudo começou naquele tropeço despropositado em que o encontro fora inevitável. Carregava consigo seus livros de Artes e um amor consumado pela arquitetura, à medida que suas opiniões se manifestavam desconexas e oportunas. Um minuto se passou, e, nesta fração, Enzo já conheceu algo que em anos passados nunca percebera tão sedutor. Seu nome: Cassandra. Teria perguntado em meio ao intervalo entre os joelhos flexionados e a coleta dos livros, espalhados, e seus muitos lápis, o que, após algumas perguntas, saberia que alimentava uma paixão incondicional pela criação.
Apenas um esboço de sorriso. Foi o suficiente para que o rapaz, de origem suburbana, levasse um troféu para casa, como quem vence um campeonato de futebol universitário. Todo o encantamento produzido é a fórmula singular de um sentimento provocado pela especulação da verdade, a inevitabilidade da vontade. Por mais que não se espere por isso, vem à tona como avalanche. Fenômeno interior, cuja voz pairaria em seu inconsciente, promovendo desejos súbitos de transformação, da liberdade de expressão do sentimento presencial, imprescindível a partir daquele instante, na tal da imprevisibilidade dos acontecimentos.
Aqueles passos se interferiam, sorrateiros, e demonstravam a pressa de quem se mostra sedenta pelo conhecimento. E o cheiro do perfume, singular pelo gosto peculiar, cativo, lisonjeando-lhe o olfato pela chegada do amor correspondente, lúcido, como a estrita forma de entender como a continuidade do ser pode vir acompanhada de um lapso virtuoso do destino, inconstante na factualidade, contudo contundente em sua inédita apresentação.
Expressava a simplicidade no jeito de menina, nos vestidos sem estampa, na ausência de maquiagem, na delícia que era, para Enzo, ouvir a sua voz fraca em baixo tom eclodir com a consistência de seus questionamentos. O momento era o reconhecimento da legitimidade de seu discurso. A afirmação da felicidade, um passaporte sem licença.
Daquele momento em diante, o compromisso entre os dois era o da cumplicidade exercida em comum acordo com a espontaneidade de gestos sublimes, únicos, transparentes, seus. A blusa de Cassandra, levemente caída nos ombros, significava o desleixo desprovido de culpa, o que não permitia a Enzo outra interpretação que não fosse a doce satisfação do vislumbre com a beleza interiorana das curvas da menina de uns vinte e poucos anos.
A transfusão de sensações era o apelo distribuído entre os olhares hipnotizantes, a disritma impiedosa daquele emaranhado especial. Noites intermináveis entre o casal se faziam na predisposição do livre-arbítrio; as escolhas são produto da sobreposição da reciprocidade em detrimento da razão desenvolvida.
A grande descoberta de Enzo foi a retribuição incondicional de atos improvisados na exposição cotidiana, haja vista os julgamentos estabelecidos serem compreendidos como tão superficiais perante aquelas poucas longas menções de uma flor de fino trato, divinal, com um brilho angelical, linda vida.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Estribrilhos cordianos

Não que isso me traga qualquer sensação outra que não seja a transcrição do que é espontâneo antes de qualquer coisa. No céu de todo dia nasce protegido o Sol que guia nossa caminhada. É o jogo da vida que incandesce todas as relações cotidianas. Por mais que sejam raras, sempre trazem uma lição, fruto de uma experiência diferenciada.
Descanso não parece mais do que o intervalo de uma aposta séria, com a garantia de resposta. Ela vai passar, tenho certeza. Ainda que tão tarde, que me permita apenas decifrar teus passos inquietantes. Na janela, encontro o lugar de tua longa estrada; sob meus olhos se desenharam cinqüenta poucos anos de amor. Sentimento este dono de mim. “Superegoísta”, uma vez que aguçava alguns outros frascos de perfume às minhas sensações, tão afrodisíacas quanto inéditas (na capacidade de me revolver).
É a morada do meu interior. Esse devaneio trouxe um resquício da falta do que nunca senti. Ocupou tanto que vivo a pensar na calma das belas frases ao pé do ouvido. Minha troca, sem opção, é a escolha do retrato. Em sua pintura vejo toda a imagem da felicidade. E não usa cores. Repousa em si os sons do arco-íris que desencontro há muito. De quando em quando, devolvo aos mares as palavras guardadas sob as minhas sete chaves, seja pela omissão ou pela abnegação; outrora se entenderia que, para a obtenção da plenitude, necessário seria desviar de inúmeras fagulhas envoltas de expectativas.
O divã de minha vida, diva, dádiva de Deus, espera pelo retorno da ida que escapou a fios. O descompasso entre alegria de alma e a febre do corpo é a medida (in)exata do evento encantado. A mar teus erros, infinita soma de acertos. Feito dom do coração. Música iletrada de uma nota só.

- Tum-tum... tum-tum... tum-tum... tum-tum!

Corre à vista tuas lágrimas de emoção firme, longe daquela lembrança que lhe atormentava o pensamento. Luz da sombra em tela na marcha, na areia, visão da delicadeza, natural, súbita, insana. Incólume razão que me contorna e apaixona o meu ser com a comoção do “vir a ser”. A tradução de teus sonhos se revelam na similitude de tuas feições, resplandecentes, extenuantes, vibrantes, como a constelação tão singular e vigorosa na distribuição celestial de minhas ambições.

domingo, 30 de novembro de 2008

ESPELHO

DOCE NOVEMBRO


Tarde de sábado, final de novembro, um olhar taciturno permite infinitas interpretações acerca de seus pensamentos. Mãos hasteadas ao queixo, ar de mergulhar profundo em seu universo imaginário: aquilo é a menção sobre a pulsão de vida.
Chove lá fora. O zunido da janela é mera constatação da existência de nossos sentidos. E a grande providência é a preocupação com os detalhes, a observação sorrateira, o olhar quase que displicentemente ilustrando todo um cenário a sua volta. Seus simples gestos, seja um sorriso, seja um gesto, residem à manifestação plena sobre a felicidade, sendo certo que a afirmação de seus sacrifícios não provoca a dor por que se esperava.
A espontaneidade é o grande estímulo para grandes resultados. A produção é relevante em seu conteúdo, desde que seja levada às suas raízes mais destemidas, do plano da origem de sua natureza, tão simples quanto agradável.
O aceno independente registra todo o processo de construção das suas experiências. Braços tão fortes e serenos. Uma busca insaciável pelo saber, a ver em suas mensagens a grande oportunidade que se obtém a cada novo amanhecer.
Flores nascem. Céus se desfazem. A vida se renova, em novos tempos, tão mais incertos. A certeza da vida é a do erro. De coração. O que seria de minh’ alma sem esta falta de mim?
A disputa entre o belo e a garantia de sucesso parece tão menos vivaz perto de aquele transcorrer imperfeito. Futuro do meu pretérito imperfeito. Vozes me guiam na cristalinidade daquela transparência. Exposta a todos os efeitos da passagem do tempo. Capaz de entender todas as modificações por que passamos, sem destituir-se dos valores de cada momento e do que antes era nada mais do que poucos lanços de escada.
Tantos poucos que me fariam embriagar de tanta lucidez, ainda que na calada da noite. Sons ao vento, tantos meios, uma só forma: implacável força das escolhas de hoje, que pode vislumbrar o encontro da pulsão de vontade num futuro tão mais próximo do que a eternidade.
É certo que aqueles cachos, aparentemente desajeitados, refletem em seu balanço suave a natureza nobre de suas opiniões. Um espasmo de alegria em tão pouco espaço de tempo: se deixa levar pela passagem inesperada do vento ou ao obscurantismo da calada da noite, ao mesmo tempo, correspondente a seus fios de seda da alegria contida nos breves descansos sobre um colo companheiro. Quase nunca pede ajuda. E mal sabe que virou uma estrela. Muito menos que as estrelas têm hora certa para chegar. E não se pode dizer se tornam a passar na mesma rota: súbita forma de amar.
Costumam dizer que a alegria vem pela manhã; questiono, então, se não vale a pena enveredar nesta tal paz através da ininterrupta e contundente tomada do amor puro, longe de julgamentos, perto do acalanto, pleno por coisa em si, estúpida voz do coração, que não pensa em algo mais sem que faça parte daquele próximo março de que me relembro com tamanha admiração. Esse sonho não vai terminar.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Da magia à razão

A cada segundo de sua existência o homem tem tentado suplantar a si mesmo enquanto persiste em sua tentativa de compreender o mundo que o cerca. Buscando exteriorizar o que sente, ele expressa-se nas mais diversas formas, desde as mais básicas pinturas rupestres, até os limites da nanotecnologia, inserindo em cada invenção um pouco daquilo que é.A cada passo, o tempo que o aguarda torna-se completamente distinto do que fora antes, apenas pela força de seu desejo de mudar.
Todavia, o movimento que pode parecer natural à observação, é o resultado de uma árdua batalha entre a vontade humana e o medo. Esse mesmo sentimento que foi arma de coerção durante séculos e que até hoje mostra- se eficaz nos estratagemas que visam o controle social. Nada mais fácil do que dominar indivíduos aterrorizados, convictos de que somente uma força maior seria capaz de mantê-los a salvo daquilo que temem. Mas o que afinal, teme o homem? A resposta sempre foi a mesma: O maior objeto de medo é o desconhecido.
Incansavelmente cada grupo social tem, desde o mais remoto dos tempos, dialogado com seus temores, na tentativa de explicar o que ignorava, num mundo que encerrava segredos os mais diversos e dado a fenômenos imprevisíveis. Como entender o estrondo que rompia o silêncio, ao que se seguia um absurdo risco luminoso cortando os céus sem aviso? De que modo explicar o que parece impossível, dado o repertório do homem primitivo, e uma vez que se sabia completamente alheio ao mistério que se desenrolava diante de seus olhos? Ainda assim, ele tentou e traçou hipóteses, criando os primeiros deuses do imaginário humano. E cada fenômeno recebia um nome, sendo neste mesmo instante, personificado de coisa desconhecida à entidade sobrenatural: Nascia o mito.
Foi na busca pela compreensão que o ciclo histórico iniciou seu curso, aliando o repertório de signos conhecidos à infinita imaginação do indivíduo. E assim como nasceram as lendas, criou-se o pensamento filosófico, buscando no desconhecido de si mesmo as respostas daquilo que se ignorava. Foi o momento em que o homem ao olhar para seu próprio interior, reconheceu-se como ser capaz de estabelecer relações entre aquilo que sabia e o que captavam seus sentidos. E ao representar o sentir, criou a manifestação artística.
A arte, enquanto produção humana traz em seu cerne o mistério da criação divina e o processo empírico de conhecimento, através do uso de ferramentas as mais diversas, na tarefa de expressar o ser. É palavra, escrita ou pintada, moldada segundo as aspirações daquele que a criar, seja onde for o local de sua geração. Mármore ou tela, som ou movimento, imagem ou pensamento, a arte estabelece um vinculo dialógico não somente com a racionalidade, formada por séculos e séculos de aspiração humana, mas com o desconhecido, o inexplicável, o sentido que vai além do sentir, que sobressai a qualquer observação, no campo do mito.
Diante da arte, o homem se posta, não somente como agente da ciência, de posse de ferramentas de conhecimento, certo de poder explicar com sua gama de argumentos baseados na razão o evento que se apresenta, mas como o primeiro homem postou-se ante o primeiro fenômeno que não soube explicar: atônito.
Buscando, sem encontrar por vezes, resposta em seu repositório de explicações para a arte que contempla, o indivíduo somente vai conseguir captar inteiramente esta expressão artística, não só pelo uso daquilo que conhece, mas pelo mergulho no terreno do desconhecido, penetrando o universo do sentir. É ali, no espaço exato entre uma e outra nota, na diferença de nuance das cores de uma tela ou nas lacunas da frase escrita no papel onde persiste o real significado: Na sensibilidade que não se explica, no silêncio que paira sem que se consiga dizer uma palavra. É a magia do mito, trazendo à tona o que nos torna além de simples animais: Antes de nossa capacidade de pensar, nossa absurda e inexplicável finalidade de sentir.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O poder da informação

Dentro da perspectiva científica, o tempo é uma grandeza relativa, tendo sua dimensão pautada na importância dos acontecimentos que abriga e nas circunstâncias em que estes ocorrem.No dia 17,sexta feira última, terminava um seqüestro em Santo André, interior de São Paulo, com a consequente morte de uma das reféns depois de centenas de horas sob a mira de uma arma e ,é necessário dizer, debaixo de inúmeros holofotes televisivos.Mais do que mensurar o tempo do ocorrido,número amplamente divulgado pelos veículos de comunicação, não convém salientar o período em que tal fato ocorreu mas as particularidades deste no que diz respeito ao noticiário exibido.
Após o desfecho do caso,cumpre questionar não somente sobre o papel do Estado, mas da estrutura midiática que cercou o evento, noticiando-o à exaustão, como se da divulgação dos incidentes dependesse o curso correto dos acontecimentos. Em contrário, a ampla cobertura da mídia, antes de facilitar a resolução, dificultou,segundo a própria, a ação da polícia, divulgando estratégias de ação e alçando o seqüestrador à figura pública, com direito à voz e a postar-se como agente midiático, paradoxalmente , noticiando sua própria façanha em programas de auditório e congêneres.
Neste viés, cabe-nos perguntar: Que tipo de serviço prestou a mídia à sociedade? De que forma poderiam os veículos de comunicação, se é que deveriam, postar-se em situações como esta? Como coadjuvantes no processo de preservação da vida e em auxílio do Estado, ou como foi o caso,como figuras centrais,interagindo com o seqüestrador e contribuindo com a piora do estado de ânimo deste, pela ampla, segundo a própria grande imprensa, divulgação das implicações legais de seu ato e do que o esperaria assim que libertasse as reféns?
Neste caso a vida imitou a arte,como no filme “O quarto poder”, em que o jornalista Max Bracket interpretado por Dustin Hoffman, acompanha um seqüestro de crianças dentro de um museu por um segurança, Sam Baily (John Travolta),que apenas queria o seu emprego de volta.De desempregado, Sam torna-se possível estrela de programa e tem sua vida devassada pela avidez da mídia em tornar sua ação um espetáculo, acabando por manipular informações de modo a direcionar a opinião pública primeiro a favor,depois contra ele.
Na vida real, o poder midiático no caso de Santo André, sob o pretexto de noticiar o fato, criando uma estrutura de apoio ao seqüestrador e ao mesmo tempo repassando informações acabou por contribuir com o insucesso da ação o que demonstra a ausência de propósito social na divulgação do evento,mas a mera intenção de criar e manter o show garantindo a audiência, sem nenhum pudor ou objetivo além deste.Segundo o escritor Guy Debord,em sua obra A sociedade do espetáculo, “O espetáculo não quer chegar à outra coisa senão a si próprio.”

domingo, 19 de outubro de 2008

Coluna: Economia (por Diogo Martins)

Tudo o que você sempre quis saber sobre CDBs, mas tinha medo de perguntar


Noutro dia, estava num bar (de onde saem as melhores conversas, a propósito) com dois amigos. De repente, surgiu o assunto economia. Ambos começaram a falar do tema que toma conta do noticiário econômico brasileiro: a crise financeira americana e suas conseqüências na Bovespa. Perguntaram-me se era um bom momento para investir na bolsa. Disse-lhes que depende da duração da crise lá fora e que os papéis de grandes empresas nacionais, como a Vale e a Petrobras, estão baratos (e devem ficar ainda mais). Mesmo assim, ambos continuaram receosos.
Como a dupla demonstrou interesse em ter uma rentabilidade maior do que a da poupança, mas sem os riscos da Bolsa (talvez este também seja um desejo seu, querido leitor), acenei para a possibilidade de aplicação em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), cujos papéis são emitidos pelos bancos, a fim de aumentar seu crédito (liquidez). Ou seja, o cliente empresta dinheiro aos bancos, e ganha um percentual sobre o valor negociado.
Estes papéis podem ser prefixados, com rentabilidade e prazo definidos na aplicação; pós-fixados, com ganhos atrelados aos Certificados de Depósitos Interbancários (CDIs), que seguem a variação da taxa básica de juros (Selic), hoje em 13,75%; ou ter Swap, cuja remuneração é prefixada ou pós-fixada, de acordo com as Taxas Selic, cambial ou CDIs. Para esta última modalidade, os recursos empregados, normalmente são superiores a R$ 100 mil (cem mil reais). Enquanto que nas outras, na maioria das vezes, a aplicação é a partir de R$ 1000 (mil reais). Algumas instituições bancárias aceitam aplicações com valores inferiores.
Especialistas recomendam que investidores apliquem em bancos de primeira linha, já que os riscos de falência destas instituições são menores. Os bancos de segunda e terceira linhas dão maior rentabilidade, mas suas chances de quebra também são maiores. Os recursos aplicados em CDBs são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito, criado pelo governo e formado com contribuições dos próprios bancos. No caso de falência da instituição bancária, estão garantidos R$ 60 mil (sessenta mil reais) por CPF.

Mas antes de começar as suas aplicações, fique de olho no Imposto de Renda. Caso os recursos sejam resgatados antes de seis meses, a tributação é de 22,5% sobre o rendimento; de seis meses a um ano, de 20%; de um a dois anos, de 17,5%; e, acima de dois anos, de 15%.
Lembre-se sempre de pesquisar as taxas e as condições de cada banco. Procure negociar com o seu gerente. Não se esqueça de que, em se tratando de CDB, quanto menor o investimento, menor a rentabilidade.

Até a próxima!!!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Coluna:Literatura(por Tatiane Mendes)-Antes tarde do que nunca

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara” (Jose Saramago)
Sobre a cegueira... (Mas não era pra ser sobre literatura?)
Essa coluna destina-se a dissertar sobre um campo vasto: A literatura e suas abrangências... Ocorre, porém, que esta não encerra-se no espaço entre as páginas de uma obra impressa. Em contrario, o processo de formação de pensamento a partir da leitura, inicia-se no livro, mas vai além, porque à palavra escrita, somam-se os inúmeros significados que provoca em uma consciência e a irremediável transformação que opera na vida de quem lê, levando a uma nova forma de pensar e viver. Então não se lê somente no livro, lê-se na vida, pelo simples fato de que, como seres humanos estamos fadados ao exercício doloroso e constante de buscar sentido, construindo uma linguagem comum.
Cinema nada mais é do que linguagem, visual e sonora, escrita na tela luminosa, em contraste com o escuro. É necessário que exista a escuridão, bloqueando o sentido básico da visão para que se possa perceber a mensagem cinematográfica de forma mais completa. Diante da tela estamos indefesos, inertes,prontos a ser invadidos por uma sucessão de palavras imagéticas que irão gravar-se no nosso inconsciente definitivamente, transportando-nos para um universo desconhecido de sensações as mais inesperadas, sem o menor controle ou previsão.
O filme “Ensaio sobre a cegueira“, baseado na obra de mesmo título do autor português e Nobel de literatura José Saramago, é uma viagem incessante ao universo dos sentidos, um mergulho profundo no inconsciente coletivo humano. E o que é pior: às cegas. Sobre o pretexto de uma história de ficção onde a sociedade atual é acometida de uma epidemia de cegueira, o filme narra a evolução do caos, quando a subtração de um único sentido provoca uma ruptura sem precedentes na vida contemporânea. Metaforicamente essa abstração, levada ao caráter de epidemia, expõe o ser humano à realidade, sobre ele mesmo e o outro.
No inicio do filme, o primeiro caso ocorre no meio do trânsito, vitimando um motorista que, em questão de segundos, passa de condutor de sua própria vida a objeto da piedade alheia. É cercado por curiosos por não conseguir movimentar seu carro e precisa que o levem para casa. No escuro, todas as pequenas certezas do cotidiano se rompem como por mágica e o primeiro cego é conduzido para casa por um estranho que, ao deixá-lo em seu apartamento, rouba seu carro.
O público nesse momento recebe o primeiro choque: Como é possível uma maldade tamanha com um inválido? Mas ainda há mais por vir. Os casos de cegueira vão se multiplicando a partir do primeiro e daqueles com os quais este tem contato quando de sua visita ao médico, incluindo pacientes, recepcionistas e até mesmo o médico, levando-o ao desespero e a tentar contato com as autoridades de saúde. A resposta do governo é trancafiar a todos num manicômio abandonado, simbolicamente representando a exclusão de todo aquele que possa perturbar a ordem social.
Os cegos, um a um, vão sendo encarcerados, juntando-se em celas, sendo que, ao médico acompanha sua mulher, a única a qual a cegueira não acometera. É ela a única que vai tentar ordenar o caos, cuidando de todos e tentando restituir-lhes algo de humano. Mas o que afinal é humano, quando eliminam-se as aparências?
Os indivíduos desprovidos de visão retornam ao seu estado mais natural, expondo sentimentos de forma crua, quase de volta à sua condição de animais. Mas, associada à completa desordem, a capacidade de pensar persiste, porque os cegos organizam-se em grupos, e como é da natureza humana inicia-se o embate entre bons e maus, pelo mais vil e essencial dos motivos: a comida. Os que detém o poder através do revólver, desmentidas todas as idéias de compaixão humana, obrigam os outros a entregar-lhes seus pertences de valor, ao que cabe uma pergunta: Afinal de contas, quais serão os valores numa sociedade da imagem, uma vez que já não se pode mais enxergar?
O filme vai, um após um, derrubando os dogmas contemporâneos de civilidade, respeito, piedade, afeto, todos jogados ao chão, infestado de roupas e restos de comida, misturados a excrementos, onde os cegos se arrastam, dia após-dia, em sua tentativa de continuar existindo. Em um determinado momento, o grupo que guarda a comida é visitado pelo médico, que ao perceber que entre eles esconde-se um cego natural, dos que já nasceram sem enxergar, dispara, incrédulo: “Você que é cego devia ter mais compaixão pelos outros”. Ao que o outro responde: ”Ele só é cego, é uma pessoa como outra qualquer”. Onde cabe uma discussão sobre os conceitos pré-estabelecidos de cooperação entre deficientes e não-deficientes e a pergunta: Até onde vai o preconceito e começa a identificação como seres humanos,sem diferenças, em respeito não pelas fraquezas de uns, mas pela consciência de que estão todos dentro do mesmo plano ,sem hierarquias?
O tempo trata de extinguir qualquer resquício de estabilidade e os cegos se amontoam sobre o regime do medo, sob o comando sutil da mulher do médico, buscando manter alguns rituais simbólicos, como a lavagem e o enterro dos seus mortos, indicando que algumas subjetividades ainda permanecem, mesmo sob o caos. .E quando eles ultrapassam os limites da desesperança e do desconsolo, percebem que foram deixados de lado pelo poder estabelecido, fugindo então do cárcere, em grupo, o mesmo que se manteve ao lado do médico e sua mulher.
Amedrontados, de mãos dadas, com a exata noção de que suas idéias pré-estabelecidas não servem mais para essa nova condição, recomeçam passo a passo a caminhada de volta à casa, comprovando pela observação da mulher do médico a completa destruição do mundo tal qual eles o conheciam. Pelas ruas cães e homens dividem a sarjeta e acotovelam-se por um pedaço de pão. Nos mercados, nada sobre as prateleiras. A mulher do médico os leva pra casa e institui uma nova ordem, onde se faz essencial que um se responsabilize pelo outro.
Os cegos descobrem-se, alimentam-se, cuidam-se mutuamente e é nesse novo modo de vida, que o filme surpreende pela recuperação da visão ao primeiro cego. Então aquele grupo que reproduz a situação de todos os seres da Terra, percebe que há esperança de voltar a ver. Mas antes,o que o filme propõe talvez seja que a recuperação da cegueira se deu no momento em que o primeiro cego parou de enxergar e teve que reinventar uma nova forma de viver que não seria como a conhecemos, permeada de individualismo e ausente de sentidos.É como se ,somente através do rompimento com a visão, o homem começasse paradoxalmente a enxergar e pudesse redescobrir o mundo, não somente com seus sentidos básicos, mas com a sensibilidade, dando nova forma ao conceito de humano.
O filme, quase que literalmente, reproduz com fidelidade condizente com seu formato, o texto de Saramago, em um ritmo que não conduz ao pensamento distanciado, mas arrasta às sensações as mais aterradoras, devido à imediata identificação do público com o que se mostra na tela. O assustador é que somos essencialmente tudo aquilo que nos amedronta e cada conflito descrito na tela reside em nosso interior em estado de latência. O filme não convida somente à reflexão, vai além, impõe verdades, desnuda tabus e traz à tona o que somos, com tudo aquilo que não conseguimos mais enxergar.

Coluna: Política (CONJECTURANDO O “RETROCESSO”)


O “estado” eclesiástico e a rédea social

Sob os olhares de comunicadores sociais acerca de um fenômeno de caráter político-ideológico, vale frisar que, antes de mais nada, a retratação do “retrocesso”, enquanto produto da reincidência de uma amostra outrora percebida, representa a remontagem de um Estado – instituição –, onde o seu líder era o “segundo homem” depois de Jesus (Papa).
Traçado um paralelo sobre a observação da realidade, é importante ressaltar que o “retrocesso” é a simbiose entre factualidade e as perspectivas tangentes ao mundo que nos cerca.
A legitimidade do poder é concedida pelos líderes institucionais, quer seja na Igreja, no Estado-nação ou órgão de natureza educacional, cultural ou para o estabelecimento do convívio público.
No que concerne ao curso histórico dentro do processo de organização do pensamento humano e manifestação de suas normas e condutas em meio à sociedade, é imprescindível salientar que a manifestação que a Igreja exerce vai além da capacidade de raciocínio das pessoas, transpondo-se a toda superficialidade de seu repertório, bem como à indisponibilidade de consciência crítica sincronizada de acordo com a manipulação a que elas são submetidas.
É necessário acrescentar que, ao passo de uma avaliação sociológica ou mesmo antropológica, o tópico “religião” difere de sociabilidade, uma vez que a primeira é função da transculturação entre o poder de pensar e agir das pessoas. A última representa a interação dos entes a partir de uma ordem pré-estabelecida.
Vale, finalmente, afirmar que os mecanismos de manipulação do “subconsciente” popular por intermédio dos compromissos protocolados entre Estado e Igreja são fluxo pleno da circunstância, destituído qualquer desvencilhamento na prospecção dos discursos produzidos, bem como subvertem a condição de civilidade dos cidadãos.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Coluna Política (por André Figueiredo)

Retrocesso

Representaria um retrocesso, com certeza, a volta da não-separação entre Estado e religião.A mobilização promovida pelo bispo Edir Macedo significa o poder novamente nas mãos de uma igreja, fato que já acontecera com a igreja católica na idade média.
O sincretismo e o ecumenismo seriam caminhos mais viáveis para a pretensão de uma ditadura religiosa no poder.Entretanto, parece difícil que adeptos de outras vertentes religiosas,como a predominante igreja católica, aceitem uma fusão futura com a intenção de tomar o poder.
O grande ponto que ninguém comenta - por ser delicado ou por interesses- é a educação de base.Esse sim é um elemento crucial dessa história.Porém, passa desapercebido pela mídia, que pouco tangencia tal assunto, porque não interessa para os empresários da noticia que a população perceba essa situação.Fica mais fácil induzir e manipular.
Portanto, enquanto não tivermos um investimento forte ou até prioritário em educação de base e uma mudança de paradigma no tratamento dado à educação para que possa atrelar-se à cultura histórica de cada região não teremos uma população com visão crítica capaz de discernir os limites das igrejas e menos ainda o papel do Estado.

ps:Essa coluna já deveria ter sido postada na semana passada,mas por um processo de esclerose avancadissimo nesta que aqui escreve,so foi incluida hoje.Desculpe,Andre....

domingo, 12 de outubro de 2008

Coluna: Economia (por Diogo Martins)

O Brasil sem crédito

Se você ouvir alguém dizer que a economia brasileira não está sendo – ou não será – afetada pela crise financeira que abala os Estados Unidos, pode contar que esta pessoa está enganada. A crise chegou, e para todo o mundo, inclusive para o Brasil. Quando ela vai embora? A verdade é que ninguém sabe. Neste momento, é impossível prever.
Prova disso é que as empresas brasileiras devem, já em 2009, diminuir seus investimentos no país. Este quadro está sendo motivado pela crise financeira (encolhimento do crédito) americana, já que empresários brasileiros buscam dinheiro lá fora a fim de investir aqui dentro.
No exterior, quem tem dinheiro, não quer emprestar, com medo de levar calote. Então, o acesso ao crédito fica mais seletivo e caro. Conseqüência da diminuição de investimentos: queda na oferta de produtos e na geração de empregos, que diminui a renda do trabalhador.
Especialistas projetam que, em 2009, o PIB (soma das riquezas produzidas por um país) brasileiro cresça modestos 2,7%, por causa da crise. Neste ano, o Brasil crescerá entre 5,5% e 6%.
O momento não é o de contrair dívidas. Caso você tenha alguma, tente eliminá-la o mais rapidamente possível, para não correr o risco de não pagar. Evite parcelar suas compras. Procure pagar tudo à vista. O natal vem aí, cuidado com os excessos. Lembre-se que a crise americana começou quando pessoas daquele país deixaram de honrar seus compromissos hipotecários. E deu no que deu.

Prometo me aprofundar, em breve, sobre a crise americana, com maiores detalhes. Na próxima coluna, abordaremos os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e os Certificados de Depósitos Interbancários (CDIs). Até a próxima!!!

domingo, 5 de outubro de 2008

Coluna: Política (Filipe Barbosa)

VOX POPULI: A "vez" do povo



Às margens das eleições para o primeiro turno, com a “corrida” para os cargos de prefeito e vereador, cabe nesta conjuntura uma reflexão fundamental: a importância do voto.
O voto é a manifestação contundente dos anseios dos indivíduos, na condição de cidadãos, quanto à tomada de decisões para o desenvolvimento – ordem e urbanidade -, quer seja dos municípios, distritos e cidades, quer seja dos Estados ou, em larga escala, do governo do país, como a nação democrática que demonstra em quase sua totalidade a praticidade no regimento de suas normas.
É necessário frisar que a apropriação e o uso da capacidade crítica na escolha particular das urnas é uma ferramenta de grande relevância para a mudança da perspectiva social, principalmente no que tange ao cumprimento dos deveres e compromissos firmados no controle e razoabilidade dos segmentos da política e economia, bem como a plena observação aos incentivos no âmbito da saúde, educação e cultura.
O Estado não perceberá transformações significativas, caso a população não se desvele para o entendimento do sistema vigente, das tendências partidárias e da contribuição – quem sabe provável ou possível? – de cada candidato. A corrupção é de tal maneira irrestrita e conivente com as intenções do voto manipulado, que se “escora” na ignorância coletiva, a despeito do conhecimento das causas, além da falta de expectativa, culminando em comodismo: combustível para a disseminação de comandos mal administrados e sucedidos.
Tecendo uma análise mais aprofundada acerca das interações em grau hierárquico no campo institucional, torna-se indispensável ilustrar o atual cenário político brasileiro, cujas características justificam os sucessivos escândalos, como, por exemplo, o abuso da tônica dos “cartões corporativos”, que se mostram fomentados pela arbitrariedade das ações, errôneas por natureza, inclusive pela ausência de mecanismos legais para fiscalização correta nos expedientes das Câmaras dos Deputados e dos Vereadores.
Outro fenômeno existente neste cerne é o nepotismo, apreciação do juízo eletivo para nomeação de familiares ou consangüíneos à posse de “cadeiras” auxiliares, de menor ou igual prestígio. Esta faceta caracteriza a ilegalidade na inserção em forma de “vantagem” em detrimento da imparcialidade (teórica) promovida pelo regime democrático.
Sob a ótica do comunicador social, faz-se preciso destacar a incumbência de cada membro constitucional deste território, diante daquilo que sublime à linha tênue entre qualquer convicção ideológica e o exercício de consciência cívica para a “revelação” dos novos “chefes” da estabilidade pública, o que não significa, necessariamente, prosperidade e progresso aos direitos da cidadania regional no Brasil.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

coluna Literatura-por Tatiane Mendes

Drummond, pintor de idéias...

Carlos Drummond de Andrade,poeta , mineiro de Itabira, é uma pedra no meio do caminho, a continuamente nos obrigar a parar para refletir....Que quererá ele dizer sobre a pedra,no meio do caminho (No meio do caminho) , além do fato de confirmar a presença de determinado objeto disposto na frente da personagem do poema? A essa pergunta,ele com certeza responderia, com o silencio taciturno e ,talvez, um leve sorriso enigmático...Talvez a pedra não queira mesmo dizer nada..É nele que reside o mistério...Em seus textos as palavras compõem uma cena, sem necessidade de outro artífice senão o arranjo que lhes dá o poeta, como se , ao correr a caneta no papel, em vez de letras, rascunhasse figuras, imagens que lhe brotam no pensamento e que compartilha com aqueles que o lêem..Mas Drummond não descreve a cena muito detalhadamente, como se deixasse ao leitor o privilégio de inventar sua própria história.Em seu conto caso do vestido, vê-se a mãe, miúda e envelhecida, a narrar às filhas suas desventuras com o homem que seria o pai delas.É nas lacunas do texto em que se percebe a respiração da pobre mulher, seu pudor em relevar às filhas que aquele vestido pendurado sobre o batente era fruto de uma aventura de seu marido com uma dona de quem ele se enamorara...Quando ele retorna à casa,apos um longo tempo,ela reencontra a tranqüilidade..
“...O barulho da comida
na boca, me acalentava,
dava-me uma grande paz,
um sentimento esquisito
de que tudo foi um sonho,
vestido não há... nem nada.
Minhas filhas, eis que ouço
“vosso pai subindo a escada..”(O caso do vestido)
E o leitor realmente ouve os passos a encher o silêncio da casa e o coração da velha senhora, que trata de terminar a história,não quer aborrecer o pai das meninas a relembrar dissabores...
Drummond é isso,construção de imagens, sejam elas de qualquer tipo,como no caso do poema "o amor que bate na aorta" ,em que descreve magistralmente o maior de todos os males humanos, o mal de amor, e este sentimento,subitamente transformado em personagem, a subir o muro , a cair e sangrar,sob os olhos do público (O amor bate na aorta)....Escorrendo do corpo andrógino, o sangue talvez se misture ao sangue do leiteiro, que sai de casa cedo para entregar o leite e é surpreendido por uma bala certeira desferida pelo senhor assustado(A Morte do Leiteiro )....Mais uma cena do filme drummondiano...Em sua palheta, cores infinitas, um tanto desbotadas ás vezes, porque o tempo também passa para ele....E enquanto o tempo escorre,a máquina do mundo se vai miudamente recompondo( A máquina do mundo ), em versos e estrofes, e o poeta em silêncio, óculos ao rosto, em sua estreita letra a descrever sentidos , registrados por eles em sua aguçada capacidade de perceber o mundo....Não o mundo tangível, mas o mundo findo,pois que esse muito mais do que lindo, com certeza persistirá(Memória).Não importa o fato, o que importa é a combinação de cores que suscitará mais um texto com a assinatura de Carlos Drummond de Andrade, gauche na vida(Poema de Sete faces), pintor de idéias...

domingo, 28 de setembro de 2008

Carta de Apresentação Revista "Com Senso"

CARTA AO LEITOR

Preocupados com a interferência dos acontecimentos políticos, sociais e econômicos no Brasil e no mundo, dentro do contexto cotidiano da população, focando essencialmente os jovens com idade média entre 17 e 30 anos, divulgamos a revista “Com Senso”, reconhecendo informações relevantes para a inserção desta camada no mercado de trabalho, bem como a transmissão de consciência cívica para os mesmos.
Sob o olhar clínico dos variados meios de comunicação de massa, em sua maior parte pendente ao entretenimento, os fatos são apresentados pelos veículos para cada público-alvo como verdadeiros produtos, obstruída a veracidade do delito ou violência contida. É anunciada, inclusive nas instituições de ensino, a contundente reprodução dos fatos como uma constante de normalidade na vida do próximo, distante de sua aceitação, até mesmo para a própria postura do cidadão para a vida em comunidade.
Diante da indiferença registrada entre mídia e sociedade quanto aos aspectos da ética e da responsabilidade moral, levantamos questões, com o uso de uma linguagem acessível, a fim de elaborar uma seleção de artigos baseados nas notícias veiculadas na conjuntura social brasileira. Enquanto mediadores da opinião pública, nós, articulistas da “Com Senso”, buscaremos fundamentalmente a isenção na cobertura dos acontecimentos, precavidos pela liberdade de expressão que nos é apropriada, contudo é nossa maior atribuição profissional a capacidade de esclarecer pontos-chave da dinâmica político-econômica, além de estabelecer de forma simples uma comparação entre os exercícios nas instituições públicas e privadas nos países que mantêm vínculos estratégicos.
É necessário acrescentar que a maior recompensa para o corpo editorial desta revista é a certeza de um trabalho voltado para a mudança do senso crítico individual, através do engajamento das classes na luta pelas suas convicções e aquisição dos seus direitos na condição de cidadãos, com o juízo de valor agregado às observações dos lugares do Homem na sociedade e às manifestações reveladas em cada área de atuação.

domingo, 21 de setembro de 2008

Coluna: Cinema (por Alexandre Bizerril)

O poder do discurso

“Mas, o que há, enfim, de tão perigoso no fato de as pessoas falarem e de seus discursos proliferarem indefinidamente? Onde, afinal, está o perigo?”
Michel Foucault

“Bom dia, boa tarde e boa noite!” Começando mais uma vez educadamente essa coluna, quero comentar hoje sobre um filme que me chamou à atenção já há algum tempo. “Um estranho no ninho” ("One Flew Over the Cuckoo’s Nest", 1975, EUA) do diretor Milos Forman - o mesmo que dirigiu “Amadeus”, “O mundo de Andy” e “O povo contra Larry Flynt” - produzido por Michael Douglas. Estrelado por Jack Nicholson, Louise Flecther, William Redfield, Will Sampson, Christopher Lloyd, Danny DeVito e Brad Dourif. Este filme foi vencedor dos cinco principais "Oscars": melhor filme, melhor direção, melhor ator (Jack Nicholson), melhor atriz (Louise Fletcher) e melhor roteiro e ainda teve outras quatro indicações: melhor ator coadjuvante (Brad Dourif), melhor fotografia, melhor edição e melhor trilha sonora.
A sinopse do filme talvez não chame muito à atenção; desajustado vai para a cadeia e, fingindo-se de louco, é transferido para um hospício, mas ganha a inimizade da enfermeira-chefe por incentivar os outros internos à rebeldia. Aparentemente nada demais, porém os fatos que sucedem a sua chegada ao internato chamam a atenção pela disputa de poder ou o direito ao discurso.
Segundo Foucault, o regime de interdição é um dos três princípios de exclusão, onde “... não se tem direito de dizer tudo, que não se pode falar de tudo em qualquer circunstância, que qualquer um, enfim, não pode falar de qualquer coisa”. E o próprio Foucault subdividiu esse processo de exclusão em três tipos: “tabu do objeto, ritual da circunstância e direito privilegiado ou exclusivo do sujeito que fala” – “... três tipos de interdições que se cruzam, se reforçam ou se compensam, formando uma grade complexa...” Nem todo mundo, ou ninguém, pode falar o quiser, em qualquer momento sob pena de sofrer medidas coercitivas. Este é o caso dos internos do “ninho”.
O recente interno R. P. McMurphy (Nicholson) vem de uma prisão agrária onde realizava trabalhos forçados e também tinha os seus direitos a discursar castrados. Ele vê no sanatório uma possibilidade de ser solto de maneira mais rápida e sem ter que fazer muito esforço. Mas não é isto que constata com o passar do tempo e com o convívio com os outros internos. Todos os horários são controlados e sempre existem momentos para se falar exatamente sobre o que lhes é perguntado, discursos livres são sempre rejeitados. Uma das cenas que mais evidenciam esse tratamento foi à segunda reunião do grupo que é mostrada pelo diretor como uma disputa de poder. O que poderia ser apenas um simples pedido para ver um jogo de beisebol acaba se tornando um exemplo dessa disputa entre a enfermeira-chefe Ratched (Louise Fletcher) e o paciente McMurphy. Quem tiver a oportunidade de acompanhar o filme irá perceber que nesse momento já começa a existir uma mudança de comportamento dos internos, que, antes, aceitavam todas as sugestões da enfermeira sem questionar, mas agora acolhem a palavra de um "cara" que visivelmente tentava quebrar paradigmas e alcançar a liberdade. Mesmo que essa liberdade que ele tanto almeja nunca possa ser alcançada (ou pode?). O personagem de Nicholson se torna um líder para os internos – principalmente para Bily Bibbit (Brad Dourif), que o via como uma possibilidade de pai em oposição à imagem da mãe que castrava seus atos, palavras e sentimentos, e para o Chefe Bromden (Will Sampson), que o via como o exemplo de homem-livre, senhor de si e de suas ações. Essa liderança começa a ameaçar o poder da instituição personificada na imagem da enfermeira Ratched. Quando acontece isso, a maneira mais indicada pela instituição é punir com terapia de eletrochoque. Será que essa terapia servia para corrigir ou para punir?
R. P. McMurphy mostra ser um personagem carismático em meio a todo um ambiente rotineiro que ele mesmo tenta mudar. Seu carisma, mesmo que passageiro, poderá modificar aquele local e as pessoas que lá vivem e trabalham? Talvez, mas o filme também trás um ar de esperança quanto a possibilidade de mudanças.

sábado, 20 de setembro de 2008

coluna Música (por André Figueiredo)

Madonna é pioneira no estilo musical que faz, isso é um fato. O que é discutível, e muito, é se esse estilo leva em conta mais a música em si ou a propaganda que está por trás.
Porém, a “a rainha do pop” se mantêm exatamente na linha tênue entre os dois. Ela consegue ser genial nas duas proposições: Tanto na música, quanto na propaganda que a envolve.
O show de Madonna é algo que paralisa qualquer ser humano, seja ele um intelectual ou não. É um espetáculo do planeta Terra. A combinação dos movimentos entre cenas teatrais e a musica boa, transformam o espetáculo em algo fora desse universo.
Com toda essa genialidade, Madonna é daqueles ídolos inacessíveis; parecem que não existem; são deuses.
Entretanto, quando a gente retorna à realidade, nos deparamos com fatos totalmente diferentes, mas igualmente inacessíveis. O mundo real não é como o mundo de Madonna. Não é preciso citar as mazelas deste planeta para discernir os dois mundos. O indivíduo que vive realmente esse mundo cruel não tem a menor condição de pagar o ingresso do show da pioneira do pop e transportar-se para o mundo surreal de Madonna.
Enquanto isso, os dois mundos continuam separados e inacessíveis entre si.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Coluna:Economia(por Diogo Martins)

Na contramão do mundo

O Brasil é verdadeiramente um país singular. Enquanto a economia mundial ensaia uma desaceleração, a maior economia da América Latina segue super-aquecida. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no segundo trimestre de 2008, em comparação com o mesmo período do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 6,1 %. No semestre, o crescimento foi de 6% - mesma variação dos últimos 12 meses.
Como explicar tais resultados? Bem, como o PIB é o conjunto da produção de bens e serviços, levam-se em consideração os números dos três maiores setores econômicos: agropecuária, indústria e serviços, cujos crescimentos foram de 7,1%, 5,7%, e 5,5%, respectivamente. Nesta conta, entra, ainda, a arrecadação do governo com impostos, que ficou na casa dos 8,5%.
O bom desempenho dos três setores foi puxado pelo aumento dos consumos das famílias e do governo. O primeiro registrou alta de 6,7%, enquanto que o segundo cresceu 5,3%. Outro fator preponderante para o bom momento da economia nacional foi a taxa de investimentos (do governo e de empresas), que neste ano alcançou a inédita marca (para nós, brasileiros) de 18,7% do PIB. Ajudaram os brasileiros os aumentos da renda e da oferta de emprego. Ao governo coube a benesse do aumento nos tributos, o que gerou maior arrecadação. Como é ano eleitoral, o Estado gasta mais com obras e contratação.
Até aqui, tudo bem. Talvez não. Notem que o crescimento da economia no Brasil não acompanha o consumo das famílias. Portanto, existe um desequilíbrio. Conseqüência: falta de produtos, volta da inflação. Isto pode acontecer a longo prazo, por isso, o governo tem aumentado os juros para conter a demanda, evitando a inflação. O que pode ajudar nesta guerra são as importações, que estão sendo aproveitadas pelos brasileiros, com o dólar baixo. O momento ajuda empresas nas compras de máquinas, que podem otimizar seus serviços.
Como o Banco Central (BC) adotou o aumento da taxa Selic como principal antídoto contra a inflação, daqui para a frente, o governo Lula e sua equipe econômica têm alguns importantes desafios: aumentar a taxa de investimentos, conter seus gastos e o consumo das famílias, garantir farta oferta de créditos para empresas, e controle da inflação. Tudo isto sem deixar a economia desacelerar. Fato que já começa a acontecer com outros emergentes, como a China.
Até a próxima!!!

domingo, 14 de setembro de 2008

Coluna: Literatura(por Tatiane Mendes)

“Úrsula não se alterou:
- Não iremos-disse. Ficaremos aqui porque aqui tivemos um filho.
-Ainda não temos um morto, disse Jose Arcádio. A gente não é de um lugar enquanto não tem um morto enterrado nele.
Úrsula replicou com uma suave firmeza:
- Se é preciso que eu morra para que vocês fiquem, eu morro.”

O dialogo acima é travado entre Úrsula e José Arcádio, personagens de Gabriel Garcia Márquez.Colombiano, nascido em 1927, iniciou sua produção literária com o livro “La Mojarasca”, em 1955, influenciado pelas histórias contadas pelo avô, Nicolas Márquez, veterano da Guerra dos Mil Dias e também pelos acontecimentos políticos que levaram a família a deixar a cidade natal de Aracataca, quando o escritor ainda contava oito anos, em meio à crise da industria bananeira, fato retratado em “Cem Anos de Solidão”, que lhe rendeu o prêmio nobel de literatura em 1982.Exerceu as funções de jornalista e editor, tendo sido também ativista político durante toda a vida.
A obra em questão é escrita no estilo literário do realismo fantástico, gênero criado pelo autor em conjunto com outros expoentes da literatura latinoamericana, influenciado pela obra “A metamorfose”, de Franz Kafka.Em dado momento , o personagem do livro transforma-se em um inseto,ao que o autor colombiano observa:”Então eu posso fazer isso? Criar situações impossíveis?
É neste viés que nasce a história da aldeia de Macondo,palco das vicissitudes de toda uma geração.
A obra relata a saga da família Buendía,tendo como patriarca Jose Arcádio e sua mulher,Úrsula. Ele, dono de uma personalidade em permanente estado de inquietação perante as descobertas científicas que chegavam através das trupes de ciganos que invadiam Macondo todos os anos,como mensageiros dos novos tempos.
A mulher por sua vez,carrega o fardo de manter a unidade familiar,seja nas atividades domésticas que acumula enquanto o marido mergulha em experimentos de alquimia,ou na tenacidade com que se mantém de pé ao longo do século em que a trama se desenrola. Seus filhos,Jose Arcádio,Aureliano e Amaranta, tem características que vão estar presentes em todos os descendentes. Além disso , serão batizados sucessivamente com os nomes de seus parentes,demonstrando o laço sanguíneo que envolve cada personagem e o amarra às essências de seus antepassados,levando-os a cometer os mesmo erros e vivenciar as mesmas dores, entrelaçando-se em histórias que correm simultâneas e que se misturam à própria evolução do povoado em que vivem.
Os filhos de Úrsula são as três substancias elementares da alquimia genealógica de Gabriel Garcia Márquez. O mais velho,Jose Arcádio,é o ímpeto de conhecer o novo, a coragem de romper com os laços familiares, na sua fuga com os ciganos ou no momento em que torna à cidade e arremata o coração de Rebeca, noiva do professor de música Pietro Crespi, objeto de disputa com Amaranta.
Essa última é o lado mais visceral e obscuro da família, guardando uma paixão tão desmedida dentro de si pelo italiano Pietro,que ainda assim não a impede de rejeitá-lo quando este a procura, abandonado por Rebeca. Seu amor é tão profundo que se basta sem que se concretize, então ela o repele branda mais inabalavelmente, não voltando atrás nem mesmo quando este se suicida. Então, num gesto impulsivo,descansa uma das mãos sobre as chamas do fogo até que a dor da queimadura diminua a tristeza pela morte do professor. Amaranta é o amor não correspondido,levado aos limites do seu universo interior e encarcerado pelas conveniências.
Aureliano por sua vez é o olhar contemplativo do homem em direção a si mesmo, eternamente mergulhado numa existência melancólica, o que não o impede de se tornar um coronel revolucionário, que não hesitou nem mesmo diante do pelotão de fuzilamento.
O ímpeto de Jose Arcádio, a paixão sufocada de Amaranta e a melancolia reflexiva de Aureliano são elementos que se fundem em cada um dos descendentes, como numa sucessão de experiências alquímicas de Melquíades, o cigano que profetiza o fim da linhagem dos Buendía, e que ao longo da história será o símbolo do desconhecido ,do místico, algo que exerce sobre cada um dos Buendía uma irresistível atração.
No desenrolar dos anos,fatos políticos são retratados , como o caso das compainhas bananeiras norte-americanas, que se instalaram nas republicas latino-americanas no início do século vinte e que permitiram a entrada maciça do governo dos EUA nestes países, atuando como governo auxiliar e ,em muitos casos,financiando regimes ditatoriais. A menor tentativa de revolta era duramente reprimida, como no episódio da estação de trem, retratado no livro, em que o exército promove um massacre entre os populares e ,com a exceção de um personagem,não há registro do fato,gerando uma verdadeira lacuna histórica na cidade.
O tempo corre e desencadeiam-se os dramas dos personagens, fundindo-se à história do lugar, como um longo novelo a desfiar um romance sem fim, até terminar com o último Buendía decifrando os pergaminhos ciganos e tomando consciência de seu destino implacável, não deixando rastro da família, como prediziam as profecias de Melquíades, pois, “as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra”.

sábado, 13 de setembro de 2008

Coluna: Cinema (por Alexandre Bizerril)

Por Volta da Meia-Noite

“O cinema é a vida sem as partes chatas, as horas de refeições e as de sono.”

Woody Allen

Ao som do jazz de Miles Davis tocando “Bye Bye Blackbird” , que era pura improvisação da banda, percebo o quanto a questão da autoria tem importância nas artes. Digo autoria no sentido de criação única, algo original, mas que não significa, obviamente, que veio do nada. Todos os autores têm obras nas quais se espelharam para fazer a sua própria arte, seja no campo da música ou do cinema, sobre uma das quais já irei escrever.
Assistir a um filme autoral é como escutar um belo improviso no jazz e temos belíssimas situações em que a música se mistura com o cinema formando seqüências de cenas magistrais. Espero que meu amigo, colega de faculdade e de blog, André, me permita citar um caso.
Um filme pouquíssimo conhecido, mas muito bem realizado, que se chama “Por volta da Meia-Noite” (“Round Midnight”, 1986, FRA), ao qual tive a oportunidade de assistir. Seu diretor, Bertrand Tavernier, carrega no aspecto boêmio - não só dos clubes de jazz, mas como na aura dos personagens e na configuração da história. Relato da vida de um saxofonista com tendência á autodestruição – interpretado surpreendentemente bem por Dexter Gordon, que é uma das lendas do jazz (que nunca foi ator e recebeu uma indicação para o Oscar de melhor ator por este filme) – sendo ajudado pelo único amigo em Paris. Este filme conta ainda com a participação no elenco de nomes de peso como Martin Scorsese, Lonette Mckee e Herbie Hancock - ganhador do Oscar pela supervisão musical. Entre as músicas tocadas nesse filme estão temas de Thelonius Monk, George e Ira Gershwin e do próprio Herbie Hancock, além da música que dá nome ao filme. A seqüência que mais chama atenção é justamente o momento em que Dexter Gordon toca “Round Midnight” e os freqüentadores do clube estáticos, observando a belíssima interpretação da banda.
Um filme como este permite entender a necessidade da música no cinema, imaginem aquela cena romântica sem uma trilha de fundo. Um bom exemplo seria “Casablanca” (1943, EUA) de Michael Curtis - quando Ilsa Lund (Ingrid Bergman) pede a Sam (Dooley Wilson), o pianista do bar Rick’s, para tocar a música tema do filme, “As times goes by”, exatamente quando Rick Blane (Humphrey Bogart) chega e reencontra Ilsa, que é uma antiga paixão. Sem essa música como pano de fundo, faltaria o elemento que indicasse o sentimento antigo entre as personagens.
Sem a trilha sonora o cinema talvez não tivesse o alcance e nem o impacto onírico que almeja.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Ainda sobre comunicação

Comunicação é contato,é encontro.Encontro consigo mesmo e com o outro.É criação de significados,através da observação do mundo.É expressão de sentidos pelos mais variados meios,corpo,voz,mente,toque......A percepção humana encontra os mais diversos formatos,na tentativa de expressar-se...A combinação de notas e melodia,na composição musical ,nada mais é do que a técnica associada ao sentimento,que busca nada mais do que dizer,por meio do som.E o que pensar do corpo,no estender dos músculos,no esforço do movimento,no ritmo da dança que é o lugar de sua palavra,onde ele se expressa e encontra resposta às suas inquietações?Dançar é antes de tudo produzir informação corporal,cadenciada pelo tempo da melodia,como palavras que se desenrolassem em estrofes de poemas,uma apos a outra .Assim também como as obras artísticas ,seja na profusão de cores das telas,nas linhas de uma escultura ou no tempo infinito da fotografia,diferentes arranjos compostos com a mesma necessidade de falar ,através de.
Toda forma de arte é uma expressão do ser e exterioriza sentimentos,assim como busca sua existência no diálogo entre o mundo exterior e o repertório individual de cada um,construindo um vocabulário pessoal de sentidos.
Comunicar é entender a forma particular de expressão de cada um,captar sua linguagem especifica e conseguir se fazer entender,entrar em contato.Comunicação não existe sem o "nós".

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Coluna de Esportes (excepcionalmente terça-feira)


Será o fim dos tempos de arte no futebol?


Há muito tempo já não percebo a expectativa grandiosa por um clássico em plena tarde de domingo. Foram-se os anos do amor incondicional à “camisa”, paixão inflamada nas arquibancadas e supremacia na disputa cordial pela “pelota” nos gramados.
Houve época em que se concebia um enorme prazer em ter a valiosa companhia de um radinho de pilha, colorindo nosso plano imaginário, antes mesmo dos eventos esportivos que tínhamos como espetáculo.
É preciso frisar que neste cenário os artistas principais, protagonistas da bola, pouco se deslocavam; não eram criados como simples atletas. Isto explicava a multiplicidade de lances plásticos, emblemáticos tanto pelo sucesso quanto pela proximidade do êxito.
O Brasil produziu gênios nesta senda. Didi, com sua “Folha Seca”, inspirou excepcionais sucessores. Garrincha, com suas pernas tortas, encantou multidões pela potencialidade do seu jogo com a boa e velha finta. Zico, o “Galinho”, levou o brilho aos olhos nipônicos, do outro lado do globo terrestre.
Sem contar os magos de 1970: Carlos Alberto, Nilton Santos, Gérson, Rivelino, Jairzinho, com uma contribuição primorosa para o histórico da comissão desportiva do país.
Outros tantos craques foram pinçados deste celeiro, que parece não ter fim: Barbosa, Manga, Adhemir da Guia, Sócrates, Falcão, Ademir Menezes, Mauro Galvão, Roberto Dinamite, Romário, Bebeto, Rivaldo, Ronaldo... Sim, daria uma coletânea!
Pelé, o “Eterno”, é o ícone de todas as gerações: o atleta completo em todos os fundamentos, cujas conquistas proporcionam ainda o respeito de quem adquiriu o reconhecimento pela desenvoltura e carisma indiscutíveis.
Faz-se necessário um questionamento acerca dos arredores sociais de todo este sentimento que, hoje, nos torna “rivais”. Vemos a juventude vivendo uma realidade inconseqüente, com rebeliões declaradas entre as “facções organizadas”, a que dão o nome de “torcida”. Ou seria distorcida? Promove-se o conflito em que os grupos ideologicamente manipulados “derramam” sangue em nome de um campeonato mercantil, onde os protagonistas são meros produtos, maquinário de produtividade, cujo rendimento se converte em moeda planejada para troca dos empresários deste meio que “entornou o caldo”, transbordando burocracia.

NOTA: Esta coluna veio à tona nesta terça-feira em virtude da proximidade das partidas das Eliminatórias para a Copa do Mundo 2010, com o foco voltado para a reabilitação da Seleção Brasileira. Atualizaremos nossa programação a partir da próxima semana. Desculpem o transtorno.

domingo, 7 de setembro de 2008

Coluna:Literatura(por Tatiane Mendes)

Literatura é a arte de organizar sentimentos em palavras, dispostos de acordo com nossa forma pessoal de ver o mundo. De todas as manifestações artísticas talvez escrever seja a mais penosa porque tem em seu produto o indefinível, o abstrato, descrito de modo absolutamente distinto do que se passou em nosso interior. Escrever é e sempre será um esboço do sentir, assim como as palavras jamais poderão denominar precisamente o universo que as cria.
Escrever é intangível , é tentar alcançar o inalcançável, é tocar o desconhecido dando-lhe roupagem remotamente familiar; é primordialmente transformação de idéias em palavras e palavras em histórias que irão alimentar o imaginário daquele que as ler, num processo de aprendizado de sentidos não palpáveis.
Para sentir é preciso entrar em contato, estando distraído de todo o resto, como crianças à hora de dormir, aguardando que a história contada ao pé da cama lhes forneça matéria de sonho com a qual construirão suas fantasias. E é nos contos de fadas que ela se encontra consigo mesma, revirando seus pequenos baús de idéias já conhecidas de mundo -aquilo que os adultos chamam de repertório- para criar universos fantásticos através daquilo que ouve.
Mais tarde, ao ser confrontada com as palavras, irá combiná-las com seus próprios pensamentos, arrumando-os então de forma mais elaborada, letrada.
Ao longo da vida, indivíduos que têm contato com livros conseguem perceber o mundo de forma melhor, pensar melhor, porque já possuem a capacidade de enxergar a realidade e interpretá-la com a ajuda de seu repertório de sensações e experiências. É esse o papel da literatura: Fornecer matéria imaginária para o contato com o interior de cada um, proporcionando o auto-conhecimento e a compreensão maior do mundo.
E nesse contexto o ato de escrever é apenas o primeiro passo no processo de percepção do texto, que é única e individual. Uma palavra pode ter inúmeras interpretações, conflitantes entre si mas cheias de significados para aquele que a ler.
O final desse processo só acontecerá após o contato desse aglomerado de frases disposto no texto de um livro com o repertório particular do leitor. Aventurar-se nessa viagem é decisão de cada um. O livro será apenas uma estrada, longa e tortuosa para uns, alegre e cheia de surpresas para outros. Seguir é uma escolha. Assim como virar as páginas de uma obra literária. Nunca se sabe o que se vai encontrar. O fato é que, se escolhermos conhecê-la, no final da história já teremos sido irremediavelmente tocados por ela e modificados em nossa essência.

sábado, 6 de setembro de 2008

Coluna: Cinema (por Alexandre Bizerril)

O FIM DOS CINEMAS DE RUA

“Bom dia, boa tarde e se vocês lerem esse texto somente à noite, uma boa noite”, mais ou menos dito em Show de Truman de Peter Weir. Eu não sabia como começar este texto e me lembrei que como manda a educação, nada melhor que começar uma relação com uma educada e amistosa saudação. E como lembrei de Jim Carey (o Jerry Lewis dos anos 90) dizendo esta frase de maneira cativante e trazendo o público para o seu lado, resolvi fazer o mesmo, já que é a primeira vez que escrevo para o blog. Afinal, sempre existe uma primeira vez.
Pensei em diversos filmes para comentar e confesso que fiquei na dúvida, pois se trata de uma paixão, a sétima arte, o cinema. Cinema, palavra reduzida de cinematógrafo, sob influencia do francês cinéma, que também é reduzido de cinematographe que significa: “estabelecimento ou sala de projeções cinematográficas”, segundo o dicionário de Silveira Bueno.
Os espaços cinematográficos, principalmente os cinemas de rua, que se multiplicaram pela cidade a partir dos anos 30, um bom exemplo são os cinemas da Cinelândia, começaram a ser fechados e transformados ou em lojas de conveniências ou em igrejas (nem preciso mencionar quais...). Infelizmente a “bola da vez” é o Estação Paissandu, antigo Stúdio Paissandu e antes, o clássico Cine Paissandu, inaugurado em 15 de dezembro de 1960 – com apenas 742 lugares, quatro salas muito maiores foram inauguradas no mesmo ano. Esse cinema foi palco de diversos filmes controversos, polêmicos, pura contracultura. Filmes como “Cinzas e Diamantes” (1958) de Andrzej Wajda, “Jules e Jim, uma mulher para dois” (1961) de François Truffaut, “Deus e o diabo na terra do sol” (1964) de Glauber Rocha e o grande mestre intelectual do início deste cinema Jean-Luc Godard com seus ótimos: “Acossado” (1960), “O demônio das onze horas” (1965), “A Chinesa” (1967) e “Weekend à francesa” (1967/68). Reparem que a maioria desses filmes datam depois do “Golpe de 64”, por isso ir ao cinema nesse período era considerado um ato político.
No último fim de semana o Estação Paissandu, que desde 1986 era administrado pelo grupo Estação Botafogo, exibiu filmes a R$ 1,00 em sessões de 10h as 22h. Será que essas foram as últimas sessões desse templo do cinema carioca?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Coluna:Música(por André Figueiredo)

Caetano e o Paradoxo

João Gilberto gostava de tocar seu violão em lugares fechados, com paredes grossas , para que o contato com o exterior fosse o mais nulo possível. Dentro de um banheiro – seu lugar preferido- ele tentava a sonoridade mais pura , longe da sujeira da realidade.
Esses encontros íntimos com ele mesmo resultaram na famosa batida das cordas do seu violão, revolucionária, chamada bossa nova.Por esse contexto de criação , o pessoal da bossa nova foi nomeado de “purista”.
A partir daí, todos foram influenciados musicalmente, até hoje.Inclusive Caetano Veloso, que começou por causa de João Gilberto.
Porem, ninguém esperava tamanha genialidade de Caetano,que dez anos depois , foi o mentor do movimento tropicalista.Movimento com proposta totalmente diversa dos puristas.
O tropicalismo é totalmente aberto ao mundo externo, tanto que, as influências não são só nacionais, mas também de artistas estrangeiros como os Beatles em seu álbum revolucionário Sgt Peppers. Os Mutantes que o diga,usaram e abusaram de Beatles na época da tropicália.
Enfim, Caetano trouxe musicalidades do mundo todo , filtrou e adaptou ao Brasil.Atitude totalmente inversa da sua origem.Esse é o grande artista, o artista genial; o artista que consegue abrir sua mente para outras culturas, mesmo que a sua seja esquecida momentaneamente. Isso acabou influenciando todos os artistas a posteriori e fundou uma identidade na música brasileira, a MPB.

Nota:A coluna de Música será atualizada, a partir da próxima semana, às quintas-feiras.

Novos espaços

Inaugurando uma nova fase no blog,começamos com o projeto de fazer aquilo ao qual nos propusemos quando da escolha do curso de comunicação social, ou seja,comunicar ,entrar em contato, produzir informação ,ou apenas fazer uso deste espaço para expressar-se ,independente da forma.Por isso a proposta de criação de colunas, inicialmente divididas em cinema,política,esportes,cultura,economia,literatura e musica.Sugestoes sao bem vindas e tudo,incluindo o nome deste blog, pode ser alterado....Mudar de idéia é sempre válido...

abraços

"A mente que se abre a uma nova idéia, jamais voltará ao seu tamanho original" Albert Einstein

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Solo de Mãe Gentil

A Amazônia é considerada fonte indispensável de recursos naturais, indicadores culturais e regionais do território brasileiro. Ela simboliza um patrimônio nacional de grande valia e precisa ser tratada, pelo ponto de vista geopolítico, como uma questão estrutural vinculada aos interesses estratégicos dos países fronteiriços ou globalizados.
Antes de tudo, além de constituição elementar da Natureza e suas propriedades biológicas, a Floresta representa um dos sítios principais das particularidades populacionais, sede da natividade indígena; é uma floresta tropical fechada, manifestação diversificada da fauna, flora e suas espécies, formada em boa parte por árvores de grande porte. Outra característica destacável é o pleno equilíbrio do ecossistema. Tudo o que se produz é aproveitado de forma eficiente, em um local onde a ocorrência de chuvas em larga escala propõe o seu perfeito desenvolvimento.
Diante disso, é essencial o estudo aplicado, dentro da gestão dos aspectos ambientais, das implicações que seriam provocadas em razão do desmatamento de certa área plantada pela motivação secundária do crescimento econômico, proporcional à aplicação e utilidade para o mercado internacional que, por diversas causas, se apropriaria da industrialização e envolvimento dos mercados.
A Região Amazônica alimenta o campo do desenvolvimento sustentável, além de estabelecer a premissa para a evolução da área tecnológica e pesquisas científica, militar e nuclear, bem como o sucesso para os seus objetos de estudo.
Sobre a sustentabilidade, cabe salientar que a meta principal está na concentração da biodiversidade, calcada na valorização das florestas, rios e lagos, inclusive dos povos residentes. Com a antecipação dos cuidados, admite-se a otimização de todos os produtos finais, beneficiando todos os segmentos sociais e econômicos do Brasil, bem como seu desempenho de forma continuada.
A produtividade, para fins da riqueza e sustentação compromissadas, depende do planejamento prévio e da conciliação das dificuldades enfrentadas pela população com a deficiência dos serviços públicos, tais como: transporte, comunicação, energia e educação. O custo da integração se eleva e inviabiliza a rentabilidade por conta dos impactos na infra-estrutura.
Com o predomínio crescente da especulação no mercado financeiro global, é necessário prever a administração ponderada dos recursos, cabendo ao Governo vigente o controle de suas ações, energia na fiscalização e hierarquização no poder de decisão do Ministério do Meio Ambiente.
Cabe ressaltar que, em função da grandeza em sua extensão, a invasão e exploração de terras pelas fronteiras sul-americanas ou interestaduais tornam a deterioração das matas recorrente, uma vez que as licenças emperram na burocracia e falta de prioridade dos responsáveis.
Nesses casos, o uso da força de segurança protegeria os hectares contra as queimadas e infertilidade dos solos. Outro fato é o de que a razoabilidade na concessão de incentivos, sejam públicos ou privados, verba para investimentos e possessão fundiária, propiciaria a preservação e a manutenção da rédea nos trechos desabitados ou agrícolas.
Outra observação reside na atuação de órgãos governamentais, tais como: EMBRAPA, IBAMA, FUNAI, INCRA, entre outros, cujas assistências trariam melhorias às camadas sociais menos favorecidas ou cobiçadas pelo extrativismo. O desmatamento ilegal e predatório, com intensa instalação de madeireiras para a utilização de flora nobre para a comercialização, bem como o aumento de incêndios, provocado para a ampliação das áreas de cultivo, reflete a falta de recursos eficazes para o combate do problema, o que acarreta conseqüências endêmicas. Ambos os pólos permitem um desequilíbrio no ecossistema da região, caracterizando problema de ordem federal.
Cabe concluir que a consciência individual exerce ampla influência e papel fundamental no alerta para a conservação do habitat, “pulmão do mundo”, como é conhecido. O uso e a aplicação das leis, de forma justa e severa, com o intuito de amparar a resistência da reserva ambiental, mostram o melhor caminho que dispensa qualquer precipitação ou intervenção tecnológica por expediente inconstitucional ou que não prevaleça aos anseios do capital interno e valores nacionais.

sábado, 5 de julho de 2008

Os Descaminhos da Juventude

O sujeito pós-moderno vive em uma atmosfera preenchida por atitudes precipitadas e descabidas, que revelam a instabilidade das relações humanas e o isolamento das questões que são levantadas em sociedade. É característica da população brasileira a variedade étnica e cultural, que anuncia suas particularidades com a formação de grupos regionais com a conduta correspondente ao devido lugar de origem. Chamam esses grupos de "tribos", com costumes e condutas independentes, com a devida consideração ao meio em que vivemos e à diversidade a que estamos submetidos.
Com o avanço do processo de Globalização, a aceleração do tempo e dos hábitos tornou o convívio dos homens no espaço familiar bem mais escasso e, assim, destituído de harmonia. Do ponto de vista parcial, a "ausência" das relações dentro de casa permite uma probabilidade de evento de repúdio e discórdia. Sem o diálogo e a atenção, não há entendimento.
Além disso, o enfraquecimento ou a inexistência dos vínculos promovem a retração do indivíduo e a interferência no seu relacionamento com os demais. A partir deste momento, qualquer forma de agressão, seja ela verbal, seja física ou uma simples ameaça, contribui ainda mais para a vulnerabilidade e a privação de cada um.
O desenvolvimento tecnológico e a imposição dos mecanismos de consumo propiciaram uma ampla concorrência entre os setores da economia, comprometendo as condições de vida social, haja vista o crescimento profissional ser um produto da iniciativa, empreendedorismo e vigor. É um aspecto positivo observar a percepção contínua do homem na procura pelo controle do poder.
A incessante busca pelo progresso mostra as diversas maneiras que o ser humano manifesta na apropriação da liderança, expectativa em seus projetos, perspectivas junto à realização de seus propósitos e atividades. Isto consolida a intensidade da resistência no que se refere ao comportamento. O gênero masculino exprime a determinação e a força física, enquanto as mulheres esboçam a sensibilidade e o juízo de valor na submissão à autoridade masculina.
Os surtos de agressividade são conseqüências do despreparo ou fragmentação da família, uma vez que o mundo universalizado promove a competitividade em todos os segmentos de trabalho. As mulheres, em sua grande maioria, passam a ocupar cargos de relevância em seus postos profissionais. A uniformização dos recursos para o entretenimento do povo representa um dos fatores predominantes para a formação de grupos de jovens com interesses e comportamentos distintos, de acordo com os princípios culturais de seus bairros, cidades ou regiões.
Sob o foco dos meios de comunicação de massa, os acontecimentos são apresentados pelos veículos para cada público-alvo como verdadeiros produtos, obstruída a realidade do delito, agressão ou violência contida. É anunciada, inclusive nas instituições de ensino, a contundente reprodução dos fatos como uma constante de normalidade na vida do próximo, distante de sua aceitação, considerado o reflexo para a própria consciência do cidadão para a vida em comunidade.
É necessário ressaltar que a aplicação de regras com o objetivo de disciplina e o respeito à hierarquia nas diferenciadas instituições, tais como, casa, escola, empresas e Igreja, são condições fundamentais para a obtenção de resultados satisfatórios no campo das interações pessoais, definida a contribuição ímpar de cada estrutura psicológica aos contornos da coletividade.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Somos heróis?

Somos heróis?
No período de 1964 a 1985 o Brasil atravessou uma ditadura militar que ,recorrendo à legitimação pela força ,estendia o braço do Estado até os limites do inimaginável através do uso de prisões e torturas contra todo e qualquer cidadão,assim denominado por força do hábito mas completamente desprovido de sentido pela total ausência de humanidade nas relações entre este e o governo.Alguns organizaram-se em movimentos e recorreram às armas para tentar conter o inimigo que se aproximava por todos os lados,insaciável,tomando todas as garantias constitucionais tão duramente conquistadas ao longo do tempo e acabando por extinguir a própria constituição.Foram exterminados,cruelmente perseguidos e expulsos do solo nacional.Anos passaram sem que se soubesse seu paradeiro.Poucos conseguiram retornar.
Em maio de 2008 uma equipe de reportagem do Jornal o Dia foi capturada por integrantes de grupos paramilitares em Realengo,sendo submetidos a tortura física e psicológica por longas sete horas.
A relação entre esses dois episódios,longe de assemelhar-se pelo método brutal de coerção empregado pelos autores de ambas as situações ou mesmo da legitimação de seu poder,seja pela ausência do poder do Estado,no caso dos paramilitares,ou pela própria estrutura de governo para os militares brasileiros,reside na postura tomada pelo outro lado,ou seja,pelos heróis da história que seriam respectivamente os militantes políticos e os jornalistas .
Qual o papel do herói em nossa sociedade?Ate que ponto esse mito é estimulado e suportado pelas estruturas ideológicas da humanidade e porque ainda hoje existem aqueles que abdicam de sua própria felicidade em prol de um ideal ?A explicação começa muito longe daqui, nas narrativas da própria História e em seus personagens,quase sempre homens que sobrepujaram suas características humanas e conseguiram vencer as adversidades para alcançar um bem maior.Crescemos enquanto espécie sob a figura do mito ,que rompe o avanço do mal e abre mão de sua felicidade individual,arriscando-se em nome de uma ideologia,seja ela qual for.A cultura,oriental e ocidental esta calcada em exemplos,religiosos,políticos e mitológicos,que conseguiam sob o peso de suas próprias vontades,pôr em movimento o curso da humanidade.E para tornar mais valiosa a conquista,é preciso que sejam muitos os sofrimentos e adversidades,é preciso que haja sangue,suor,lágrimas e que seja superado um inimigo muito maior.Assim,nos ensinaram,muda-se o mundo e os exemplos estão em todos os lugares,no cinema,nas escolas,no inconsciente coletivo de cada um de nós fazendo-nos acreditar em que somente através dos grandes gestos promove-se revolução,não bastando ser “apenas” humano.
Mas estaremos à altura das exigências que nos forem impostas?Seremos capazes de transformarmo-nos em seres com características acima do comum e derrotar nossos inimigos?Não seremos.Superamos as expectativas dentro de nosso limite individual,fora dele somos apenas um conglomerado de células pensantes e muito sentimento,restritos à distância que alcançam os olhos .E quando tentamos romper nossos limites físicos,pela forca de um ideal,quase sempre nos deparamos com a força que é imposta àqueles que contra ela lutam.Não foram massacrados às centenas,os militantes de todas as gerações?Serviram de exemplo positivo e negativo.Mudaram o mundo?De certa forma,sim.Tornaram,como pretendiam,a vida da humanidade melhor?Não necessariamente e a figura do jornalista nesse contexto,entra sob o viés do romantismo ,como o herói que usa a sua coragem para lutar contra as injustiças sociais,investigando-as e denunciando-as,doa a quem doer.Assim como os revolucionários,vestido com a pretensa armadura da invencibilidade mítica,ele atua como sendo o grande agente de transformação,esquecendo-se de sua condição humana e portanto,frágil.
É dever do repórter ir além do limite do possível,arriscando a própria vida para exercer sua função esquecendo-se de sua frágil condição humana?Seria possível modificar o curso dos acontecimentos e a estrutura da sociedade apenas pelo sacrifício daqueles que têm coragem de se expor ao perigo?Até que ponto revolucionários e jornalistas que têm a pretensão de mesclarem-se em suas intenções mas ultimamente andam afastados em sua essência ,dada a atual conjuntura capitalista dos grandes meios de comunicação,atuam como agentes sociais na construção de uma sociedade mais justa?
Convém refletir que o papel mais revolucionário que nos cabe assumir é o de ser parte de um todo,seja como medico,engenheiro,operário,dona-de-casa e principalmente professor,ou seja,cidadãos.É na busca de uma condição comum a todos,que forma-se a consciência humana do fazer parte de um grupo e compartilhar com este um cenário social,sentindo-se responsável por sua estruturação ,não de forma ideológica e utópica,mas de modo prático,sem esquecer que sangue e lagrimas são menos revolucionários do que atitudes e dentro dessa ótica somos sim,capazes de muitos atos,senão extraordinários,ao menos capazes de realmente mudar o mundo. Não se muda a sociedade com grandes atos e a estética a que somos submetidos serve apenas de propaganda ideológica a objetivos quase sempre mesquinhos,usando a grande maioria da população como massa de manobra estratégica para interesses escusos.Muda-se o mundo não pelo sacrifício pessoal, mas pelo esforço coletivo em prol de um bem comum,atuando de forma a modificar a vida cotidiana de todos ,e aí então reformulando o conceito já esquecido daquilo que se chama comunidade.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Comunicação e a Ordem sobre o Discurso

O processo de comunicação, enquanto pertinente às intrinsecidades do ser humano, preconiza o uso do código lingüístico para difusão das mensagens cujos interesses são estabelecidos pelos viéses particulares ou institucionais.
Cada sistema de significações, singular pela própria eventualidade simbiótica que se caracteriza entre as experiências vividas, motivado pelo "enfrentamento" disposto na dicotomia entre intelecto-coisa, proporciona uma nova perspectiva quanto à apreensão das unidades de significação.
O intersubjetivismo manifestou uma nova conduta no que tange às percepções das "verdades" prescindíveis de legitimidade, uma vez que a reincidência do conhecimento de algum evento significativo, demandado de sua carga semântica, seria repertorizado por determinado cerne de valores informativos pré-estabelecidos, ajustados à disposição cognitiva de cada receptor e da capacidade interpretativa imposta por cada canal.
Sob o juízo da demanda entrópica, é importante ressaltar que os paradigmas, em si mesmas estruturas de pensamento, promovem o controle e a organização do nosso discurso, onde a preexistência da realidade frente a linguagem torna esta última mero instrumento de representação do real. A partir do consentimento de que o homem e as idéias conjecturam entidades semióticas, ou seja, signos, podemos afirmar que estes estão em um ciclo contínuo de reprodução sígnica.
Acreditando que toda palavra tenha um sentido, o intersubjetivismo não reconhece outro lugar para construção significativa senão a própria Comunicação. Explica-se pelo fato de que não se discrimina mais pensamento (cognoscente), linguagem, verdade, razão, como entidades que possuam uma existência em si própria. Ao contrário, passa a considerá-los como experiências ou partes que se relacionam e, portanto, a legitimação não se dá a priori, mas no confronto. A linguagem, neste caso, funde-se com a consciência e com o conceito de sujeito, sendo analisada como uma inesgotável rede de significações incapaz de conceber ordinariamente o real.
Assim, em se tratando da produção cultural para as indústrias de massa, cabe dizer que os signos são elementos do processo interminável de desvelo dos conhecimentos, sendo possível admitir que, para a análise de qualquer perspectiva, deve-se apresentar o discernimento de que os eventos significativos se encontram com outros "fenômenos" em estado permanente de interferência.