domingo, 13 de março de 2016

Ode ao Amor E-Terno

Entende desse coração, em uníssono,
Amar ao máximo um eterno sangue?
Frisson aurífero no auge do tilintar genuíno
Não, você ainda não percebe de jeito algum.

Desconte os efeitos das horas
Companhia tanta de encanto inteiro
Por favor, mestre de obras!
Tempo, meu fiel escudeiro...

A hora chega
Sem escoras  no peito
Vasta obra, da maldade  trôpega
Sem recurso ou artimanhas do direito                 

É um privilégio na fôrma de banquete
Orgulho e honra, à toda prova, como flor
Sacramentados desde o tal desacreditado bilhete
Pedras cravejadas do brilhante amor

De qualquer jeito, adeus ao “sinto muito”
Títulos dos ventres às pernas
Luz de velas, café e união à mesa
À mercê das outras novas uniões
Malgrada a alheia solteirice
Expostos ao oceano vertiginoso da cúmplice velhice

Façam todos suas apostas!
Decerto usarei vermelho nos festejos especiais
Quem hoje volver à grande sorte
Encontrará a metade lá dentro
Sabido o quase infalível poder dos guardas celestiais.

Sem lamentar os doces recomeços e das superfícies os livres radicais.

Renascença

Aquela estimulante felicidade sem repouso pede continência ante a lâmina protetora do esplendor. Uma pausa abrupta, inesperada, causa uma dislexia desenfreada. Escolhas precoces, quase outorgadas. Tira das vísceras os nós do imbróglio sem precedentes. Não era o cosmos, mas parecia. 

Só o tempo é capaz de separar o joio do trigo, e mostrar a essência a olho nu. Rasga profundamente a pele. Seca as cicatrizes. Abre de novo feridas. Tal qual um ciclo vital, provocador enquanto necessário. 

Crescer significa reconhecer um estado permanente de transformação, em cujas amarras estão soldados os pretextos mais polidos para o cruel retrato de amanhãs. É o preço cobrado pela difícil interpretação da rotina, mediante roteiros dirigidos sem ensaios, num acervo pessoal e intransferível. Algumas provas comportam forças indestrutíveis.

A vida não é um documentário épico em preto e branco, digno dos mais renomados prêmios da crítica. Nada é simples quando a terra está em transe. A cada página virada, embora por vezes de não tão querida maneira, os fantasmas de são deixados para trás, substituídos por um renovado ciclo a ser experimentado. O jeito de agir muda todo o resto, com a auspiciosa visão de uma "nova era".

Quem não se contenta com movimentos espontâneos, de progressão geométrica, deve vislumbrar os cursos para a construção de um horizonte melhor, sem queixas ou desespero. Nada sacia o desejo de sucesso, com a maniqueísta pretensão dos votos interiores, guardados a sete chaves, no porão da alma, salvaguardados os tropeços ante o destino. 

O amor remonta o início dos dias. Quase um renascimento. De ressonância quântica. Basta conciliar a dor e emoção à base da poesia absurda, ampla e plena na forma da aparente magnitude. A vitória sempre está no alto dos montes. Haja fôlego. Vide sóis. 

Reserva Jardim

Reza a lenda um ritual de trocas espaçadas de afeto, com o aval primoroso do seio familiar, a partir do intervalo mais esperado por um primogênito. Nas melodias mais reprisadas da juventude, sinto o apelo ímpar da felicidade, na morada dos teus refrões prediletos.

Guarda em lençóis brandos a nobreza deste caráter. Inviolável e progressivo. E deixa brilhar a estrela acortinada pelos mais belos buquês da verdade. Como se, nos mares mais límpidos, permanecessem em repouso os ávidos desejos de viver as maravilhas do tesouro reservado em teu nome.

Cada gesto de carinho é um passo lógico na progressão aritmética dos teus sentidos. Inversamente proporcional ao compasso do peito. De beleza absurda e descomunal. Na forma lúcida, como uma narrativa fílmica, das mais distintas obras de arte, em cuja intensidade reside o apelo inconfundível do amor fraterno.

Larga mão dos teus anseios racionais e partilha mais o coração. A vida é breve e não conta os centavos de ocasiões indispensáveis para o bojo das memórias afetivas. Um mundo tão vasto te espera com um punhado generoso da sorte, abandonada por tantos no curso natural do destino humano.

Enquanto vigia a tu' alma, encanta-te com o rico universo dos sonhos. Na medida certa do estar "em cima do muro". Invada as portas mais obscuras, sem pensar no risco imediato das ações. Só a intenção já muda o jeito de olhar os versos a cercar as flores em tua volta. Nada é tão essencial; além da voz prima do teu colo, ante o apelo do sorriso alheio. Sem esquecer da última dança, antes do amanhã raiar.