terça-feira, 9 de julho de 2013

Só corro!

Corro, corro

Canso de novo.

Morro.

Incorro.

Escorro...

Recorro.

Esporro!

Estouro; discorro.

Transcorro.

Percorro.

Concorro!

Corro, corro, corro...

Socorro!

Dissonâncias...

Só corro!

Diga, pois

Onde mora a felicidade?

domingo, 7 de julho de 2013

A um amigo

E então tu me dizes que o cansaço chega e tuas mãos não abarcam teus sonhos...
Logo agora quando chegaras a um estágio superiormente interessante de tua alma
e teus olhos precisam estar fechados para que consigas compreender.
Logo agora quando teu coração se aquieta em uma nova casa
e teu cotidiano se preenche de afeto, no exercício diário de ser dois.
Bem sei que o corpo cansa e tem limites
e que a vida é dura e as horas passam lentamente, cruelmente.
mas ainda podemos sonhar.
Percebe que na janela a paisagem muda a cada dia e é sempre a mesma, enquanto nós
permanecemos sendo outros, continuamente.
Não nos cansamos de significar todo gesto e toda imagem
e de preencher de metáforas nossa existência diária.
Esse talvez seja o grande peso que sentes em tuas costas.
A cada dia sentir o mundo em toda sua complexa inexatidão é tarefa difícil.
Ainda mais para nós
que tentamos olhar sempre em todos os ângulos e sermos sempre outros
para melhor sermos e estarmos aqui.
Mas onde o peso está também reside a responsabilidade da poesia
e a obrigação de expressá-la pelo arranjo desordenado das palavras, que são muitas.
E somos apenas humanos.
Mas ainda assim é preciso dizê-las,sempre.
Renova tuas forças em tua própria poesia,
deixa que teus olhos corram por sobre o mundo
e descobre outras cores nas horas do teu dia.
Esquece o relógio que só sabe dizer segundos,
esquece o corpo que tem apenas células encarregadas da penosa tarefa de estarem ali
e lembra que as palavras podem ser mais belas que o incessante toque do despertador.
No final,estamos todos condenados aos breves minutos de nossa existência,
limitados por essa ou aquela pedra postada no caminho
ou presos por nossa absurda e justificada covardia ante a imensidão do mundo.
Mas no intervalo do medo reside o silêncio dentro de nós
e é ali, na curva de nossos nãos onde estão as cores com que devemos colorir nossos dias.
Segue escrevendo,rega os segundos de tua infinita poesia e deixa que o tempo se encarregue de passar.
No final ,tu irás perceber, ao olhar pra trás, que fizestes,nesse breve intervalo onde
existimos,tuas horas mais belas e teus dias mais coloridos.
Tudo o mais,desmesuradamente supérfluo.

Todo Sentimento (Ana Carolina)

"Todo sentimento

Precisa de um passado pra existir

O amor não

Ele cria como por um encanto

Um passado que nos cerca,

Ele nos dá a consciência de havermos vivido anos a fio

Com alguém que a pouco era quase um estranho,

Ele supre a falta de lembranças por uma espécie de mágica..."

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Amor ao dia

Amar não é estético

Deslize hipotético

Alarde ético

Acorde sintético

Solo poético


De um coração hermético. 

sábado, 1 de junho de 2013

Morte e vida peregrina

O homem é apenas parte infinitesimal do Universo. Um fragmento metafísico na longitude incomensurável. Todas as referências quânticas são partes daquele “da Silva” que mora SOMENTE no coração do autor.


Na fortaleza cotidiana, os bravos lutadores esguicham suor a troco de esmola pouca. E o filé cai na conta do patrão. Força de interesses escusos e circunstâncias perversas. Trovas em treva.


“Mais pesados que o ar” voam os concordes apressados à procura do PÃO NOSSO DE CADA DIA. Ao mesmo tempo, sobre o asfalto quente “desfilam” os operários do circo mágico de TODOS OS SANTOS. E agora, José? A quantas anda a saúde na TERRA BRASILIS? Até quando você vai ficar fazendo MÉDIA?


Dispensa comentários o retrato brasileiro de descaso com os filhos do patrão. O cenário de hipocrisia e discórdia assombra pelo número de ferramentas utilizáveis na cadeia social. A comunidade precisa de mobilização popular para reivindicação dos direitos em face do cumprimento legal dos deveres.



“Déspotas esclarecidos” regulam a massa de manobra sujeita de maneira indiscriminada à manipulação de consciência crítica. Enquanto houver distribuição de bolsas e cestas básicas, certamente seremos um BRASIL DE TOLOS que subverte à lógica contumaz da sobrevivência ao alimentar a administração do subsídio mais nutritivo: o VOTO.


*Texto escrito em 30 de março de 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013

Outras mentes



Descortina o futuro a ciência

Que a reboque privou a capacidade de frutificar o amanhecer

Vela em sãs congruências a sapiência

Crucial projeção da realidade à custa do perceber

Redenção frívola sob os auspícios da legitimidade

Juntos andam a passividade e a inação

Lente de aumento contínua ao trato da equidade

Silvos revoltos lançam voz na imensidão

Incansáveis lacunas destratadas pelo distanciamento reticular

Lucro presumido na recorrência auricular

Fórmulas de intromissão utilitária

Ricas preces ao tecer do alvorecer

Recôndito incansável da passividade diária

Pródiga presunção do cinismo de querer

Catarse infinda de ornamentos

Atrevimento cônscio num tempo arcaico

Convivência abrupta de lúcidos momentos

Aridez convincente de um estado laico

Abismo contunde o fôlego

A obra não deixa de ser escolha como entrega

Hóspede do deslize trôpego

No íntimo, a alma congrega

Eleva o movimento ao estado etéreo e solene

Ainda que as estradas sejam de cunho perene

Interseção audaz de versos serenos

Livres de julgamentos plenos

Tórrida leveza em movimento

Palco isento de cenário em tormento

Solidez na mediação introspectiva da sonoridade

Na despretensiosa transgressão na flor da idade

Sem controle, a matéria nunca será força motriz do conhecimento

Fixo torno no trajeto do pensamento

O vento virá a lançar palavras com fragmentos

Para condensá-las numa trova narrativa

Suor e cansaço correspondem a puros contentamentos

Cumprida à risca a incontrolável dinâmica da livre iniciativa






Tempo prodígio


Mãos dadas e horizonte ao fundo

Milhares de vozes e tons em profusão

Nada nos atinge e lá fora corre o mundo

Vida arredia que não passa de ilusão

Promessa sincrônica da quista eternidade

O tempo tangencia a tônica da longevidade

Reticências coloridas encantam este novo cenário

Invadido pela lucidez intrépida do imaginário

Inúmeros caminhos possíveis

Rédea exponencial de cernes cognoscíveis

Escoa à ciência a arte

Restante a evidência da dor de parte a parte

Coroação inimputável do desejo de bem

Pedinte de transigentes e consoantes sentidos

Aos quais se renovam os incontidos votos de amém

Sem os tais poréns, hoje supridos

Nuances diletas e coloridas

Ao lado de ciências rígidas e crônicas

Redemoinho de emoções não decididas

Previdente e servil recrutamento de ações contínuas e anacrônicas

Legado retrógrado do vil núcleo social

Em cujas amarras há (pouca) louca moral

Contraste da intensa busca pela essência em si

Franqueza em questão que nunca jaz aqui

Chamado providencial da eloqüência

Afã excludente na chegada palpável do cotidiano

Fino trato imprevisível a qualquer sequência

Aprazível dom aprimorado num prévio plano

Rege o curso o fôlego que dispensa outro sufoco

Engrosso o caldo com sentimentos reais

Ressoada inquestionável deste troco pouco

Privilégio inenarrável lembrado por falsetes ideais

Felicidade silenciosa aos olhos de Ossanha

Precisa tez protegida dos que clamam manha

Afere a pressão que foge e pulsa

Disponha a disposição de repulsa

Conta súbita da renovação à luz

Desmedido silêncio compositor da alegria

Pleno coração querelante seduz

Relicário denso da incrédula alegria

Desordem, elo, infinito

Vácuo inócuo onde soava reluzente

Melodia num lócus bonito

Aquilo que, rechaçado, permanece ausente

A realidade é porta fechada e tudo lá fora

Mesmo sem saber quem ainda não foi embora

Sofrer, abdicar e esquecer

Viver, amar e reviver



domingo, 7 de abril de 2013

Antevisão Social


“Jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.” (Cláudio Abramo)

 

Sete de abril é a data representativa para homenagear a profissão de jornalista. Logo seis dias após o dia da mentira? A obsessão do noticiarista beira as raias do verossímil. E este precisa sempre lidar com a desconfiança. A dúvida é amiga inseparável do discernimento, que anda de mãos dadas com a formação do pensamento crítico.

Missão irrevogável de peregrinos da informação. Amantes da notícia e inconfidentes utópicos. Súdita voz do inconformismo. Prece atônita do dono de um dócil apuro em evidências. O jornalismo estimula o olhar sensorial – percepção incomensurável sobre os desígnios coletivos diários – e evoca sintonia crítica ante os prodigiosos manifestos de poder de grandes conglomerados e instituições.

A atividade jornalística é aquela quase dependência da voz de um guru que vai te confessar experiências fabulosas acerca de um passado obscuro ou fascinante. Ainda que isso não passe de um mero e obsoleto acaso. O tempo é o vilão e arquivo seletivo de fatos ao longo de um ciclo.

O bom newspaperman é aquele que ouve diversas partes e refuga de todas. Cismas de editor parecem feridas que deixam de cicatrizar. Coletivos indissolúveis de conhecimento angariado através da retribuição e compensação entrópica entre as partes. Relíquia cínica do saber. Vício da linguagem introduzida à enunciação do discurso em sistema operacional de mídia.

O cotidiano é parte integrante de suas pautas e, por mais inesperadas, as tragédias também se tornam corriqueiras.  Retratos de uma realidade, de uma época. Sejam notícias boas ou ruins, mais do que fatos, se refinam repertório de um imaginário coletivo e formador de opinião pública. O desempenho ganha continuísmo quando se torna responsável pela perpetuação dos acontecimentos na história.

sábado, 6 de abril de 2013

Reflexo Interior

Hoje minha alma canta feliz. A cisma do âmago desencanou e desdenhou da farsa alheia sem pesar. Filhos da sorte contam com porto seguro à flor da pele. Voz atirada de corpo ao léu. Adjacente ao fel. E que o torpe e incandescente seio do aconselhamento ganhe firmes vezes na paz que acolhe a dor sem cessar. 


Fino trato à minh’alma. Muito me orgulha essa aura que oscila nos ares refinados em destronados véus. É como ver os sonhos flutuando no prisma encantado da felicidade. Longe da convicção do porto seguro de ti. A saudade quer te ver. Sem perdão. Sem razão. Fingir não importa. Renega as verdades. A acuidade cordiana prima pela força desproporcional do sorriso atordoante. 


A prova da alienação emocional surge da fragilidade incomensurável dos indivíduos de não identificar o que os une. Violação do próprio direito de amar? Melhor seria reparar no “dentro” a inquietante distância entre o querer e o poder. Vislumbrar mudança não garante significativas melhorias. Revela-se notável o resguardo do lúcido pensamento acerca do confronto indissolúvel da vontade com a restrição. 


Vícios e virtudes. Frívolos e sépticos descontroles sobre o virtual do interior. É quando a magia do imaginário encandeia pretensões desmedidas, jazidas as chances recolhidas de ontem. Rechaça a pressa de sentir. E consola o imprevisível balanço no peito, o vacilo da homenagem na lembrança. 


Fuligens e vertigens. Do intrépido ao insólito. Dispensa comentário o irrepreensível senso de toar em claves o tênue sopro em arte. Vide em coro a delícia de estar no meio de convivas estimados. Preciso acorde da sina aquiescente de norte. Queda-se dos mais ínfimos subterfúgios e busca refúgio na palma da muda do amor. Tráfico de solidariedade: disso que o mundo precisa. Sorteia tua prece ao pródigo conselho dos céus. Dos seus. Dos ateus. Mas deve-se estar propenso aos desígnios de Deus. 


Dita o ritmo do coração. Fenda que guardou a flor só para lhe mostrar. Música e dom. Espera e som. Espelho e tom. Cerdas preservadas da torpe e vã idéia de esquecimento. Do mesmo que traz a saudade ao último grau, como o prólogo da obra sem forma. Apenas a prova de fogo. Que baliza o curso artificial do novato no tempo. Sem tormento. Advento. Flerte em voga. Chama crivada do sentido, livre de juízo e de apelo, válido em território nunca antes explorado. Fascínio o espelho.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Maravilha Repentina

Há vezes em que se sonha com brevidades tão antigas que parece que o tempo não contou e a realidade é apenas um intervalo entre duas formas eternas de representação. Como se todos os valores obtidos por meio das experiências de anos convergissem para a glória do ensejo de infinito. 


O ser humano deveria pensar seriamente na predisposição alheia da delícia de acordar perto do sorriso mais brilhante. No lance de sempre se colocar na posição do "encantamento ludibriado". De viver longe de um voto de confiança ou aquele período para se considerar melhor o tributo à felicidade. Um tanto de utopia não faz mal a ninguém. 


Vive-se numa fase em que respirar fundo nem pensar. Logo isso que é pré-requisito para conciliar um sentimento verdadeiro. É a válvula de escape inequívoca dos sentidos. Tamanha eloquência só pode ser substrato da projeção da sua própria essência em outrem. 


Fico imaginando a não-graça que deve ser a vida dessa gente que não acredita, que não abre o coração pra ninguém. Essa geração deve ter raspado o peito no limo. Só pode. E ainda tiram sarro, ao pensar que se entregando a tudo e a todos serão 'donos do mundo'. O poder é uno. Na coesão, em ação. 


Gosto de te ver sorrir e de te ver feliz por estar ao meu lado. Gosto de quando você mostra afeto e se multiplica em abraços. Adoro perceber teu zelo e preocupação. É incrível perceber teu amor através de simples beijos, sorrisos, gestos e olhares. A cada vez que você demonstra todo essa falta de orgulho, mais me asseguro do meu lugar no teu coração, na tua vida, ao teu lado.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

CINE BOTEQUIM SOCIAL CLUB

Nesta segunda-feira, os Deuses manifestaram vozes em prol do bem da humanidade. Quatro comsensianos e uma odisseia, na qual jamais imaginavam desatinar olhares a uma insinuante lócus de boemia e saudosismo. Claquete, película e cia.: nada se perde na imensidão de perspectivas que, ao tom do espelho, repercutem conhecimento e geram valores indissociáveis ao preceitos artísticos e humanitários. A vida imita a arte. Não é fogo de palha. Nem golpe de vista. 


A transposição de ícones do cinema num espaço público retribui com garbo e elegância à distonia transeunte da realidade social moderna. Os desejos itinerantes da confraria é delegar ao público-alvo a tomada de opiniões contundentes acerca do que lhes é fronteiriço. Perceber sem crer. Visar sem controlar. Tornar comum aquilo que nos atinge com certa provocação. As separatistas formas criadas por sombra e luz conjecturam o ambiente perfeito para a reflexão cognitiva e despretensiosa compleição humanística. 


Os heróis de hoje permanecem desvelados nas esquinas do cotidiano, sem, ao menos, terem reconhecidas as identidades. Categórica composição entre câmera e ideia: o real é o espelho dileto do subconsciente humano, forma especial de manifestação da verdade amostrada na forma mais precisa de linguagem. Don Corleone, Hulk, Super-Homem, São Jorge: ícones da projeção simbólica realizada através de convenções estabelecidas pelo exercício pleno de atitudes que tangenciem o imponderável. A transitoriedade do real em realidade é permanentemente digna de fascínio. 


É o que revela a narrativa não-linear de Pulp Fiction, que, metaforicamente, continua entrelaçada ao cotidiano, onde o Tempo de Violência parece ininterrupto. Consoante à marca registrada de Quentin Tarantino da narrativa não-linear, a história de Pulp Fiction é apresentada fora de sequência, consolidada em torno de três histórias, distintas e entrelaçadas. Para Tarantino, o assassino da máfia Vincent Vega (John Travolta) é o protagonista da primeira história, intitulada "Vincent Vega e a esposa de Marsellus Wallace"; o pugilista Butch Coolidge (Bruce Willis) é o protagonista de "O Relógio de Ouro", a segunda; e o companheiro de Vincent, Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), o protagonista da terceira, "A Situação Bonnie". 


Mesmo que cada história se concentre em uma diferente série de incidentes, com o envolvimento de inúmeros personagens, elas se entrelaçam de diferentes formas. Há um total de sete sequências narrativas, sendo que as três histórias principais são iniciadas por uma tela preta. No pôster localizado aos meus olhos, Uma Thurman, que dominou a cena publicitária do filme, fotografada na personagem de Mia Wallace numa cama com um cigarro nas mãos e o cenário do mundo promíscuo e inconsequente. Conhecida como a "jovem e bela esposa de Marsellus (interpretado por Ving Rhames), Uma sempre teve o reconhecido desejo de Tarantino para atuar no exposto cinematográfico que transpõe as rédeas do previsível mundano. 


O filme de Quentin Tarantino, cujo título é uma apologia às revistas Pulp, populares durante a metade do século XX e ditadas pela violência gráfica, é conhecido pelos diálogos ricos e ecléticos, com um enredo que realoca humor e violência, numa série de alusões a outras produções cinematográficas e referências à cultura pop estadunidense. Pulp Fiction fora indicado a sete estatuetas do Oscar, incluindo a de melhor filme. Tarantino e Avary ganharam o prêmio de melhor roteiro original. Também recebeu o prêmio Palma de Ouro, no Festival de Cannes de 1994. 


A perspectiva cinematográfica insinuante e surpreendente de Tarantino rendeu sucesso de críticas e comercial. Pulp Fiction reconsolidou a carreira de John Travolta (vencedor do Oscar de melhor ator), assim como as de Samuel L. Jackson e Uma Thurman. Como o ditado diz que Deus escreve certas por linhas tortas, foi preciso uma segunda-feira atípica para para dar descontinuidade artística ao conteúdo do autor e transmitir através das palavras o sentimento da intertextualidade, que passou pela Rua Conselheiro Saraiva sem pedir licença. 


Nada soa livre para as retinas deste que brinca com o pressuposto de descrever. A sinestesia faz aniversário com a Josi, tão querida amiga: luz, cor, som, aroma e sombra compõem o universo ideal para o registro de almas pensantes.

terça-feira, 1 de maio de 2012

CARTAS PARA JULIETA

Diz-se do tempo que rosas engenhosas

Desvelam de tu' almas flores jocosas

Como se propusessem um jardim de delícias

Em cujos recônditos houvessem malícias

Ah, se fosse o desfecho da saudade!

Bendito caos da intertextualidade 

Que permite ao poeta visar novos rumos 

Ao desditar da vida em tortos prumos 

Contrariada a voz da razão 

Indiferente ao desejo do coração 

 Trepidações de fundo nervoso 

Compilam as sensações num poço adjacente 

Vistas prediletas de um intento crescente 

De sobrepujar o apelo rígido do percurso amoroso 

Dantes nunca menos vivenciado 

Numa atmosfera primordial afetiva 

Cônscia proposta de caminho conciso ensimesmado 

Sem-quereres da possível consequência nociva 

Repercussão quista de amor despedaçado

Pretensa rota de um vil de cor amordaçado 

Euforia dela seria? 

Ininterrupta tenacidade da sorte em alegria 

Doce pertence 'd'ocê' 

Que vai ao íntimo sem perceber 

 A companhia inenarrável da solidão 

 Batendo à porta cordiana em vão 

 Sôfrega chance de se ater 

 Controlado vacilo de desentender

Jazz de mim por cima do véu 

Jasmim do sol ao céu 

Que, pela tangente, fugidia mente 

Persegue, sã, piamente 

As vestes compridas da moça na tirolesa

Perfumada com sabida certeza 

Da destilada preferência vindoura 

Abscesso de relutância duradoura 

Faça desta exatidão 

Terminações da ânsia na sempre estação 

Dos "quero-bis" na intermitência do ensejo 

E da mais-valia da intensidade do desejo 

Se desloca o pensamento no ar 

Da imprecisa e evocada decisão de amar 

Pressa despida de insinuantes acordes 

Recuperados no discurso fascinante tal qual de lordes 

Conta insaciável do percurso afetivo 

Vez expiatória do contato lascivo 

Despistando bobagens 

Já declamadas continuístas vantagens 

Turbilhão de evidências cabais 

Nos âmagos de circunstâncias mais 

Imersas nos bastidores da saudade 

Prescrição súbita da vontade 

Que deu o ar graça sem cabimento... 

Embora não se garanta saber, de fato, em qual momento 

Pudesse a esmo ser descoberta 

A torrente de paixão que aniquilando acoberta.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

“Cheia de encantos mil”?

Sete milhões de habitantes(*) comemoraram no último dia 1º de março os 447 anos da cidade do Rio de Janeiro. Deveria ser motivo suficiente para inúmeros festejos, como se faz em todo aniversário digno de celebrações. O Carnaval, estrategicamente posicionado, surge como uma válvula de escape, o subterfúgio do povo, às vicissitudes quase que intoleráveis, no âmbito da saúde, educação, política e transportes. 


É deste último item a abordagem deste modesto autor. Mas, em tempos tecnocráticos, as sociedades carioca e fluminense clamam, via redes sociais e veículos de comunicação diversos, pela adequação à dignidade de serviços, tais como: transportes ferroviários, viários, terrestres e aquaviários. As tarifas vêm sofrendo reajustes a esmo da Administração Pública. E o pior: a qualidade da prestação só ganha manchetes de jornais e noticiários televisivos, uma vez que a demanda incorre sempre maior que a oferta. 


Segundo um Estudo da Universidade Federal de Santa Catarina para a Agência Reguladora de Transportes do Rio, a passagem das barcas deveria ser menor do que os R$ 4,50 que serão cobrados a partir de amanhã. Pelo trabalho, a passagem deveria custar R$ 3,18, entre fevereiro de 2012 e janeiro de 2013. Através de uma reportagem veiculada pela Radio Tupi nesta manhã, a assessoria da Agetransp informou que os valores fazem apenas parte de uma projeção. 


Questionado sobre o reajuste pela equipe de reportagem da Tupi, o Secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, argumentou que, se a tarifa não subir para R$ 4,50, a concessionária pode acumular um prejuízo de R$ 350 milhões, adquiridos entre 1998 e 2008. O estudo da universidade mostra ainda que, comparando valores entre 2002 e 2007, a empresa Barcas S.A. quase triplicou de tamanho no período. 


De acordo com informações da Radio Tupi, ontem, cerca de quinhentas pessoas fizeram protesto na Estação Araribóia, em Niterói. Um Oficial de Justiça notificou os organizadores de que o ato não poderia causar danos ao patrimônio, passageiros ou funcionários. O documento estabelecia multa de R$ 5 milhões, em caso de depredação e violência. Indago, pois: qual seria a medida a ser tomada para que os reajustes não tangenciem o abuso do poder dos administradores e acentuem mais as desigualdades de renda nas grandes cidades? 


Há previsão de 60,00% de aumento salarial na folha da classe média/ baixa da população (para, simplesmente, cobrir os vilipêndios provocados pelos governantes)? Recentemente, a Supervia, concessionária que administra os trens, vem sendo alvo de duras críticas pela imprensa local, por conta da circulação irregular das composições nos diversos ramais que ligam bairros periféricos distantes dos centros comerciais. 


As Comissões de Defesa do Consumidor e de Transporte da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), presididas pelos deputados Cidinha Campos (PDT-RJ) e Marcelo Simão (PSB-RJ), respectivamente, realizaram, em dezembro passado, uma vistoria na oficina da SuperVia, em Deodoro, na Zona Oeste da capital fluminense, para acompanhar a montagem de novos trens, recém-chegados da China. “E agora, José?”. Terá sido suficiente a rédea de uma vistoria da Câmara dos Deputados, no fim de 2011, para dirimir todas as dificuldades enfrentadas pelas concessionárias? 


O maior empecilho instalado nos serviços de massa no Rio de Janeiro é a absurda demanda demográfica que, em contrapartida, percebe pouca melhoria e quantificação nos módulos de trens, ônibus e metrôs, proporcionando desconforto e impaciência à luz do lucro empresarial. A beleza natural da cidade conhecida como “Maravilhosa” é inenarrável; contudo, os pensamentos habitacionais devem sempre passar pela relação custo x benefício imposta pelos administradores que celebram mais do que fiscalizam, oneram tanto, ao cúmulo de imprimir uma maquiagem vexatória ao chamado “passeio público”, deixando a querida e decisiva condição sin et quae non de sobrevivência a ver navios. (*) Dados do Censo 2010 (IBGE)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

INTANGÍVEIS TRINTA

Felicita os louros do ineditismo

Comemora a chance efervescente

Cativa da vida o sentido contente

Contido na indiscrição do festivo continuísmo

Celebra o amor dos próximos e a alegria cotidiana

Nada abala as convicções da célere verdade humana

Respeita as convenções estabelecidas pela sociedade

Ainda que prevaleçam os valores regidos na tua integridade

Sucinta tuas emoções na vivência que cultivou

Ressabidas as ocasiões em que a dor cicatriz abrandou

Do consumo expiou escape

Despistadas sensações que o conhecimento desandou do entrave

Extraia das tuas passadas o pólen predileto

A fim de unir à maçã de teus olhos

Na mais perfeita harmonia

Provável vez da cabida alegria

Que o elo contundente das vossas mãos

Constituam e célebre união

Abençoada por Deus

E digna de frutos encantados

Sob a égide incontestável da ordem natural

Assimilando nos feixes de luz

Os atributos perduráveis do desejo e do bem-querer

Consentidos no horizonte racional do saber

Que os dias hão de amealhar

Precipício infindável do tempo

Argumento insubstituível da Natureza

Senda inviolável do destino previsto ao homem

Vontade súbita de realizar sonhos em segundos

Num profundo arbítrio das sem-razões

Ressentidas as incertezas concernentes à existência pacífica

Mesmo tendo sido atribuladas todas as hipóteses

Formadoras da consciência e tenacidade

Apregoadoras do poder crítico

Que estimula as percepções e a perspectiva

Da viagem necessária que as vezes pedem ao coração

No passeio, lá da areia na praia as marcas

Das horas perecíveis à saudade

Em que a dúvida tornou-se fortaleza

Na sublime confidência da tristeza

Perdida na doce liturgia do reconhecimento

De si mesmo no espelho ilusório do tempo

Maneiras consideráveis de conduzir vetores e dívidas

Às margens do córrego chamado SENTIMENTO.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sui Generis

No ar o amor

E na dor a existência

De partes agrupadas

Adiante, sem chance para reprises

Culpa de quem?

Nunca saber-se-á

Faltou o mais

Que as escolhas compadecem pela troca.

Vistas difusas, quistas, confusas

Da imperdoável confissão do movimento.

Contínuo convexo de tantos,

Dois que talvez nunca serão unidade...

A vida se despedaça em nuances

Saborosas de esperança.

Perfaz caminhos solventes

Na solidez da solidão.

Conduz minh’alma à descoberta do eu

No sorriso teu que afaga meu pensamento.

Há tanto o nome nunca fora ouvido.

E a flama deixou de arder

Na cicatriz da lembrança

Que já não é mais saudade.

E nas tripas o coração perde força

Despendendo tons do sentido

Na encarecida luz da ambição de cor...

Mesmo que de salteado nada tenha,

Fazendo jus ao tino sutil de pétala

Naquele relicário preso ao antigo porta-retrato

Que agrisalha ao passo do tempo

No compasso das novas sensações,

Sem espaço para reflexões nem desatinos.

O pulso firma o gozo do querer bem

Resvalando nas fontes da paixão submersa

Inesgotável nos confins da emoção

Corre pro abraço, sem pestanejar

Que a felicidade não pára por agora.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Parafuso na Cavidade do Filtro (Parafuso en la Cavidade del Tornillo)

Quatro paredes e o tremor indissociável ao corpo. O medo é o receio do vazio dos sonhos, comprometidos em pensamento, Máscaras cirúrgicas formulam hipóteses convictas nos moldes da atividade proficiente das mãos firmes e sinceras.


Por que tantas perguntas? Para que quaisquer olhares? A essa hora, sabe-se lá o que o amor da minha vida possa vislumbrar. Talvez vista branco e sobreponha a mão levemente em meu rosto, como sinal de apoio. Há dores que redimensionam o sentido das coisas e a hierarquia societária na concepção da realidade.


A agonia flutua pelos corredores da ajuda, clamando por socorro, no estapafúrdio destino daqueles ignorados pela própria inconsciência pública. O olhar social camufla as sensações que, por mais atinentes, corroboram o estado fluido do serviço de saúde nas esferas da Administração.


Tecendo uma abordagem genérica do comportamento humano frente aos desafios psicológicos e orgânicos, cumpre ressaltar a intensificação dos efeitos provocados pelo discernimento ao passo da evolução dos fatos cotidianos. Um drama vivido em família sucumbe enquanto evento, culminando no conflito com os próprios conceitos, espelhados na ausência de identificação com o outro.


Nada mais afável que aquele olhar castanho pela manhã... Queria, ao fim, por aquela companhia, poderia até aprender a falar mandarim... Nada como ter a Penha no meu coração! Mesmo que fosse longe. Deixar de ver um bem é esquecer que o Sol se pôs e que a esperança é o recomeço.


Perspectivas simultâneas desvelam o cuidado pessoal com os sentimentos alheios na contribuição mundana, permitindo o desenvolvimento e a aceleração das normas dispostas sob os auspícios da legalidade e da burocracia. As atribuições cognitivas cerceiam os valores consuetudinários, distribuídos à margem da conseqüência da magnitude dos nossos atos.


Felicidade


Alegria incontinente de caráter contínuo e inócuo, em cujas raízes são encontradas virtudes como bondade, ética e amor. Celebra os amigos com a alternativa inquietante do sopro da alma, ao passo que a recompensa vem à tona sem que se espera nada mais em troca.


Regula teus sonhos pela imagem de uma criança, guia tua vida pelos céus, azuis e límpidos, contemplando os ideais ao som da música predileta. Cultiva a força no próprio potencial. O destino aprimora o exercício de ações eficientes com o azo intencional.


Controla a função cerebral conforme os princípios estabelecidos pela fisiologia e medicina, sob a orientação fundamentada de profissionais responsáveis pela conduta aquiescente ao momento vigente. A lacuna predisposta entre as palavras, tidas inofensivas, separa o abismo do fio que encosta-se à navalha. Pára e respira. Você merece algo melhor. Nada é de tão mais. Carpe diem.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Conto de Amor por um Passarinho Verde

Censura livre.

Vinte e nove anos completados. E o último show de uma banda especial estava à espera de um “SIM”, como a criança que soluçasse, da forma mais lúdica, em torno de um desejo inflamável do pensamento. Havia sido o melhor aluno da turma, por merecimento, e era um menino amável, que dispunha de muitos artifícios para defender os amigos. Tremia os braços como há muito não fazia. Estava nervoso.

Zona Norte do Rio. “Did you smile today?” Olhares sobre a perspectiva urbana. Ronaldo sempre esteve atento ao sorriso no rosto de Helena. Por mais que não mostrasse. Nunca soube ver algum ente querido sofrer. Ainda mais a mulher escolhida para viajar a Bariloche. Com direito a massagens nos pés. Colocou a mão em tua louça em sinal de amor: não queria que dispusesse daquele argento novamente para aquela atividade, tinha muito a que se dedicar. Para o estudante, de bom caráter, a vida proporciona oportunidades incríveis para volver o carinho junto à colega de classe.

Ainda pensa em ouvir Sinatra com ela mergulhada nos longos braços da ternura. Sob as bênçãos da vontade sobreposta às vísceras da Comunicação. Por que não antecipar um sentimento que está entranhado na pele desde a primeira vez em que a viu? O que te faz tão distante que impede o “estar que não é físico”?

O alvoroço começou há uns anos, quando Ronaldo, à porta da faculdade, emaranhado numa nova rede de conflitos, conheceu pessoas com as quais se identificaria pelo resto da vida: amigos que considera extensão familiar. Pinçada como uma pérola, Helena era a personificação de ternura em finos traços, de ilibado coração, em cujas características encontrava o refúgio para os sentidos. Ronaldo nunca ficou apaixonado, pelo contrário, aprendeu a amar os defeitos de uma mulher e querer dividir os próprios com ela.

Mulher estonteante, trajada naquele sobretudo, que muito lhe dizia a elegância, observadas as mãos feitas, conservando o lirismo perfumado das grandes existências, como se acordes reproduzissem aquela música querida no rádio, ao som da saudade, como ouvir Lauryn Hill num instante puro de descontração. Amar é esvair-se em risos ao lembrar da lucidez dos saltos agulha na escada. Mesmo sabendo que a estrela não pede ajuda. E não guarda a hora que passou.

O rapaz dizia que Andreza era do tipo de mulher a quem se levaria toda semana num restaurante fino, somente para degustar das mãos quentes entrelaçadas na taça de vinho tinto. Passado o jantar, teria uma noite de versos de Vinícius ao pé da cama apenas para que descansasse. Ronaldo adora perceber a independência nos atos da mulher que ama e acredita que cuidar desse processo faz parte do caminho chamado felicidade.

Quando perguntado sobre as histórias de amor que viveu, o homem se limitou a apontar o coração, indicando que estava cheio o suficiente e preparado para os costumes vindouros. Posso tirar você para dançar? Seria pedir demais cortejar-te aos poucos? – questionou Ronaldo.

Selecionou uma coletânea, em CD, exclusivamente para que desse vazão ao sentimento. Nele estão contidas as motivações inerentes ao respeito e admiração sem limites que carrega em seu íntimo. E é da mais pura sinceridade. Não precisava queimar a mão por conta disso. Mas Ronaldo afirmou que se sente o homem mais incrível do mundo quando está ao lado de Andreza. Correria mil léguas para que a viagem não ocorresse, mas entende que os caminhos podem ser desviados por diversas circunstâncias. Queixa-se do mundo e da superficialidade.

Passavam de breves esbarrões a encontros marcados, com horas da extenuante troca cultural de traços naturais e cumulativos. O amor trazia a união de maneira convincente, ao passo que as marcas na esquina simbolizavam o tempo indiscreto nas convicções. Os rodízios sem hora, os conselhos ao pé do ouvido, o sentimento enternecido, as aulas não “concebidas”, o atraso de cada um, a preocupação estampada nos rostos do escritor, os sorrisos a postos. Tudo regula a força dos laços construídos na trajetória acadêmica.

Encontrou na amizade o carinho necessário para ultrapassar os obstáculos e lutar pelos ideais pelos quais sentia determinação. O sincretismo existente na significância das palavras explica completamente a provocação. Filosofia só nos confins do pensamento, que dividiu a maçã com você em troca das doces respostas que o passado nunca vai me proporcionar.

Certa vez, no intervalo da faculdade, perguntaram a Ronaldo o real motivo para tamanha felicidade nesta fase da vida. Faltou-lhe coragem para dizer o principal: estava diante da grande mulher da sua vida, além do que balbuciou: de que fazia o que gostava e gozava de saúde. Não queria que fossem vãs palavras. Afinal, é o sentimento mais abrupto que já lhe ocorreu. Diz ele que nunca dependerá disso para viver. Mas quem ama de verdade torce pelo final feliz. Como o de um baile charme que a moça joga o cabelo para o rapaz, ainda que na calada da noite, com o intuito de dançar a melhor música da vida em poucos passos, mas eternos.

terça-feira, 30 de março de 2010

Sobre a Desconstrução

Todas as perspectivas possíveis...

Pára, olha, vê e repara

São linhas de pensamento q te guiam para uma forma de agir condicionada a novas circunstâncias

Caminhos circulantes, experiências mutantes que vão orientar as ações de forma intuitiva

Sem que haja qualquer forma de escape a não ser o conflito

Com o novo, com os testes naturais para que se possa lidar com estes desafios

A desconstrução é a reta de chegada de um novo começo

Como se despisse a escuridão do passado

Em novos contornos iluminados de esperança

Com a cadência do descompasso

E a riqueza do necessário

Formas incessantes reabilitam novas tendências

Ainda que ocorram erros nesta trajetória

Súbitos lampejos da solidão no meio de mim

Por mais que não se façam as vezes da multidão no exterior

A vida reproduz o atrito de exposições

Máscaras desperdiçadas no encanto da superfície

Assombram a realidade de hipóteses contestáveis

Formulam a expressividade de um gesto espontâneo

Que recorre ao pranto no canto da felicidade

Tuas vestes já não me cabem aos olhos

De tão acostumado em me ver nos teus sorrisos

Simplórias similitudes de alma

Na irrisória forma inconcebível da ausência de nós

Mesmo que a culpa se caiba distante

Na prova de que a escolha é um produto da emoção

Sentida no limiar do momento

Sobe o som que é a música nos meus sonhos

Ou seria eu no sonho compondo o amor?

Ainda que na desconstrução eu roa de dor

Apenas na cristalina voz da fragmentação posso lidar com você

Sem sair de mim

Em curtas chances

Aquém de julgamentos indevassáveis

Longe de provações eloquentes

Privado da liberdade do recanto preferido

Posto ao alcance do mais cruel requinte de tentação

A maçã, o coração e o firmamento.

Três oportunidades

Desejo, amor e tentação.

Vias escusas entregues ao acaso

Propósitos separados

Por uma linha tênue que de tão fina

Só é possível enxergar com a perspectiva da vontade

Acima de todas as verdades ditas precisas

Pois se preciso for pularei para me buscar

Fora do limite de ti

Numa escolha sem volta

Tirado de arrependimentos

O que resta?

Apenas breves palavras cansadas...

De mais um olhar encontrado

Naqueles velhos guardados

Da esquecida lembrança

Que a vida me mostra agora

Na fita. No ponto. Na hora.

terça-feira, 23 de março de 2010

Emenda Ibsen Pinheiro: Chorando o petróleo derramado

Contra a covardia” é o slogan. Frase forte, feita especialmente para aglutinar a coletividade em torno da causa e contra os “covardes”.

Fernando Gil Portela Vieira, mestre em História pela UFF


Dezessete de março de 2010. Foi o dia escolhido pelo Governador Sérgio Cabral (PMDB – RJ) para que manifestantes realizassem uma passeata “Contra a Covardia, Em Defesa do Rio”, pela Avenida Rio Branco, rumo à Cinelândia, no Centro da cidade, protestando contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 300, dos Deputados Federais Ibsen Pinheiro (PSDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG).

A verdade é que a PEC do Pré-Sal, como também ficou conhecida, sobre a mudança na distribuição dos royalties provenientes da exploração do petróleo fluminense, colocou o Rio de Janeiro no centro da discussão nacional. Mais do que uma questão simplesmente federativa, o ato público contribuiu para observar o comportamento do poder público diante de um cenário prévio de ano eleitoral.

Cumpre ressaltar que, à margem da atuação do Estado na promoção de ciência cívica à parcela presente, a sociedade brasileira, sobretudo a fluminense, interveio ao que deveria ser exclusivamente um brado de cidadania, compondo uma verdadeira miscelânea cultural. Da Bateria da Portela ao funk do Petróleo: tudo passava pelo espírito carioca de festejos e arruaças, em detrimento do que deveria ser a incontestável luta pelos direitos assinalados na Constituição Federal e nos mecanismos legais maciçamente discorridos pelos veículos de comunicação de massa.


BREVE HISTÓRICO

Cabral chora ao falar sobre emenda que altera a distribuição dos royalties do petróleo

“Um linchamento contra o Rio”. Foi assim que o governador Sérgio Cabral definiu a aprovação de uma emenda ao projeto de lei que altera a distribuição dos royalties do petróleo, pelo Plenário da Câmara. O texto aprovado prejudica municípios do Rio. Cabral disse que chorou ao final de uma palestra para estudantes da PUC ao ser perguntado sobre o assunto. A emenda ainda precisa passar por votação no Senado e pela aprovação do presidente Lula.

O novo modelo de partilha dos recursos foi aprovado na Câmara dos Deputados no último dia 10 de março. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, informou, por meio de nota oficial, que a redução dos royalties pela exploração do petróleo vai deixar o estado do Rio de Janeiro sem condições de fazer as obras necessárias para os Jogos Olímpicos.


Rio faz passeata contra cortes de royalties do petróleo

A campanha do Rio contra a emenda do pré-sal, que muda a divisão dos royalties do petróleo e provoca sérias perdas de receita para o Estado, ganhou a adesão de uma legião de famosos. Artistas, políticos e celebridades de vários setores. Todos participaram do ato público marcado, pelas ruas do Centro da cidade. Entre os que estiveram presentes: Fernanda Abreu, Alcione e Tony Garrido. A concentração ocorreu às 16h, na Candelária, de onde os manifestantes saíram em passeata rumo à Cinelândia pela Avenida Rio Branco.



Lula deixa para o Congresso polêmica sobre os royalties do pré-sal

“O Congresso que resolva o problema.” Foi o que afirmou o presidente Lula, em viagem à Jordânia, sobre a polêmica em torno da Emenda Constitucional que muda a distribuição dos royalties do pré-sal. Lula ressaltou que o governo já cumpriu sua parte, ao apresentar o projeto original. O presidente admitiu, no entanto, que se o texto final for muito diferente do apresentado originalmente pelo governo, ele poderá entrar na discussão. Mas negou que tenha prometido fazer vetos. A proposta de veto, na verdade, havia sido defendida pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT – SP).


Cet-Rio monta esquema especial de trânsito por causa da passeata contra a emenda do pré-sal

A Cet-Rio montou um esquema especial para a passeata em Defesa do Rio, contra a emenda do pré-sal. A concentração dos manifestantes estava prevista para começar às 16h, na Candelária. Mas a partir das 14h tinha sido interditada a pista lateral da Avenida Presidente Vargas no trecho entre a Avenida Passos e a Rio Branco, no sentido Centro. Às 15h teve início a interdição de todo o eixo e transversais da Avenida Rio Branco, entre a Visconde de Inhaúma e a Presidente Wilson. Também a partir das 15h foram interditados o entorno da Candelária e a alça de acesso da Perimetral para a Presidente Vargas.


Barcas do Rio faz transporte de graça de participantes para a passeata Em Defesa do Rio

A Concessionária Barcas S/A realizou uma travessia exclusiva e grátis de Niterói para o Rio, às 15h, da última quarta-feira para transportar representantes de entidades niteroienses envolvidas na manifestação contra a emenda do pré-sal e Em Defesa do Rio. Segundo a concessionária, os bilhetes para o retorno foram entregues pela tripulação durante a viagem de ida. A embarcação utilizada tem capacidade para 2.000 passageiros.



Metrô promete mais trens circulando à tarde para levar passageiros à manifestação Em Defesa do Rio

O Metrô do Rio prometeu aumentar a frota de trens, entre as 15h e as 22h, para atender à demanda de passageiros que forem à manifestação contra a emenda do pré-sal e Em Defesa do Rio. As melhores saídas para se chegar à Candelária, local de concentração do ato público, eram as estações Uruguaiana e Carioca. Justamente as alternativas das menos viáveis em horários comerciais e em períodos de grande circulação. O retorno, na estação Cinelândia, tinha sido feito através dos acessos Pedro Lessa, Odeon e Santa Luzia. As duas saídas próximas ao Teatro Municipal estiveram fechadas por estarem localizadas em local ocupado pelo evento.



Segurança Pública: Quase 5 mil policiais fazem a segurança da manifestação contra a emenda do pré-sal, no Rio

A manifestação contra a emenda do pré-sal, na tarde da última quarta-feira, no Centro do Rio, mobilizou a vigilância de quase 4.800 policiais militares. O esquema especial de policiamento na área do evento foi acionado às 15h. Foi percebida a participação de 170 viaturas, 35 motocicletas, seis ambulâncias e 30 duplas a cavalo, além de cães adestrados. A Polícia Militar recomendou a quem participasse do ato público não levar crianças. Os manifestantes também devem usar roupas leves e evitar levar para o protesto objetos que possam chamar a atenção de criminosos.

As autoridades disponibilizaram um aparato foram do comum, atribuindo à cidade a infra-estrutura necessária para munir os cidadãos de todas as alternativas possíveis no que se relacionasse a transportes, segurança e viabilidade. Pergunta que não quer calar: por que toda a máquina do Estado “funciona” em face de requerimentos extraordinários, diante de um cenário de necessidade estadual imediata? Como manifesta incontestável a prestação de serviços eficiente quando se pensa numa proposta de interesse público? Seria o medo da derrocada, à medida que o dinheiro da arrecadação petrolífera percebia-se ameaçado?


Caso Ibsen Pinheiro: Desdobramentos políticos

“O Apocalipse do nada”. Foi como o Deputado Federal Miro Teixeira (PDT-RJ) definiu a PEC 300, dos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG), que altera aos estados produtores de petróleo a compensação recebida pela exploração de “terras profundas”.


Líder do governo garante a Cabral que a emenda dos royalties não passa no Senado

O governador do Rio, Sérgio Cabral, disse ter obtido a garantia do líder do governo federal no Senado, Romero Jucá (PMDB – RR), de que a emenda do Pré-sal não será aprovada na Casa. Segundo Cabral, o senador reconheceu que a emenda é absurda porque avança sobre receitas de campos de exploração já licitados. Se vier a ser aprovada em definitivo no Congresso, a emenda, que redistribui os royalties do petróleo, poderá causar perdas anuais de R$ 7 bilhões ao estado do Rio. Enquanto isso, aumentavam as adesões ao ato público que o governo estadual organizou em repúdio à chamada Emenda Ibsen.


Governo adia início do programa Bolsa Copa por causa da emenda Ibsen

O Ministério da Justiça adiou de julho para agosto o início do programa Bolsa Copa. O programa aumenta a remuneração dos policiais envolvidos na segurança da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Segundo o governo do Estado, sem os royalties do petróleo, os projetos param. O Rio poderá perder R$ 7 bilhões por ano se o Congresso aprovar em definitivo a Emenda Constitucional que muda a distribuição dos recursos oriundos da exploração de petróleo. Nesta quarta-feira, a população atendeu à convocação do governador do Rio, Sérgio Cabral, e compareceu em peso à manifestação, no centro da cidade, contra a emenda dos royalties.


Oposição promete obstruir votações do Pré-sal no Senado

A Oposição no Senado prometeu obstruir as votações dos quatro projetos relativos ao Pré-sal, em resposta à decisão do governo de restabelecer a urgência constitucional para essas matérias. Com essa urgência, os projetos trancam a pauta, se não forem votados em 45 dias. Segundo o líder do governo, Romero Jucá (PMDB – RR), não há como abrir mão do prazo.


Caso Íbsen: A imprensa e o papel de mediador da opinião pública

A função do jornalista, enquanto mediador social, é transmitir a consciência crítica aos cidadãos através da lucidez dos fatos. O exercício profissional é carregado de responsabilidade corporativa, à concepção dos preceitos legais. A mídia, enquanto produtora industrial, se encarrega de reproduzir as versões em sua cadeia intransponível de negócios.

Para o mestre em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Fernando Gil Portela Vieira, não se pode cobrar dos órgãos da imprensa uma isenção absoluta em termos político-partidários e eleitorais pois, neste caso, constituiria uma liberdade de expressão “adjetivada”. “A imparcialidade fica por conta da independência do julgamento de quem recebe a informação, livre para confirmar ou alterar seu voto.” – afirmou o especialista.

O Código de Ética é uma das referências estabelecidas para a atividade ideológica no campo jornalístico. À guisa do (não) cumprimento das leis predispostas na Constituição Federal vigente, a manifestação do modo de agir prudente é o comprometimento individual na manifestação do caráter em prol dos princípios éticos em sua função de conciliar a verdade e a interpretação cognitiva da opinião pública.

O bacharel em Ciências Sociais pela UFF, Mário Victor Perdigão Vasconcellos, afirmou que a garantia da imparcialidade, ou coisa que o valha, pertence às instituições democráticas e republicanas. “Os tribunais eleitorais são imparciais? Independe da conjuntura política?” – questionou Mário Vasconcellos.

Cabe ao jornalista, portanto, ser o empreendedor da factualidade nos meandros da linguagem, com o intuito prioritário de garantir a isenção da matéria factual, ao sabor da manipulação extenuante das fontes possíveis.


Estado de Direitos iguais

“Ô! Pacato Cidadão! Eu te chamei a atenção! Não foi à toa, não!” (Skank).


O cientista social Mário Victor Vasconcellos afirmou que a mobilização em torno da manifestação ocorrida semana passada teve o mérito de levar a discussão para todos os cantos do Estado. “A discussão deixou de estar no meio dos “iluminados”. Agora, em todos os círculos, discute-se a questão.” – disse ele. Para o especialista, o Estado manipula a “consciência crítica da massa” só até certo ponto.

“Penso que o que deva mudar é a relação entre situação e oposição no Brasil. Os dois lados ainda têm uma posição infantil e imatura. Falta seriedade, de ambas as partes, para uma discussão efetivamente democrática e republicana.” concluiu Mario Victor.



“E agora, José?” (Carlos Drummond de Andrade)

Líder do governo garante a Cabral que a emenda dos royalties não passa no Senado


O governador do Rio, Sérgio Cabral, disse ter obtido a garantia do líder do governo federal no Senado, Romero Jucá (PMDB – RR), de que a emenda do Pré-sal não será aprovada na Casa. Segundo Cabral, o senador reconheceu que a emenda é absurda porque avança sobre receitas de campos de exploração já licitados. Se vier a ser aprovada em definitivo no Congresso, a emenda, que redistribui os royalties do petróleo, poderá causar perdas anuais de R$ 7 bilhões ao estado do Rio. Enquanto isso, aumentavam as adesões ao ato público que o governo estadual organizou em repúdio à chamada Emenda Ibsen.

O presidente do Supremo Tribunal Federal disse que a emenda sobre a divisão dos royalties do petróleo pode ser considerada inconstitucional. Segundo o ministro Gilmar Mendes, a chamada Emenda Ibsen foi consolidada num critério de distribuição do Fundo de Participação dos Estados, que era uma lei complementar dos anos 90.

Segundo o professor Fernando Vieira, tanto os parlamentares defensores da Emenda Ibsen como as autoridades do Estado do Rio de Janeiro e seus Municípios esperam obter dividendos eleitorais com o debate sobre a legitimidade da divisão dos recursos da exploração petrolífera. Para os primeiros, o bônus alegado será o de representar os interesses da população do seu Estado, apelando para a “justiça” da partilha dos recursos. Para os políticos fluminenses, a alegação será a de que a perda dos recursos derivados dos “royalties” impedirá a realização de obras e melhorias no Estado. A oposição fluminense ao atual Governo do Estado – se não quiser se congratular com seus adversários políticos – pode explorar o fato de que, em vários Municípios do Estado do Rio, os recursos da exploração petrolífera não engendraram tantas melhorias como tem sido alegado.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Onde os fracos não têm vez (Do público ao privado)

Enfadonho e promíscuo o ímpeto humano

A morte dos peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas

Aponta para o incesto da realidade

Face aos fatos recorrentes na Natureza

Numa escalada em que os impropérios da ação

Corroboram o exclusivo desvio do céu

A soberba se tornou o precipício do poder

Sem que fosse visto o abuso nas palavras

O deslocamento das placas tectônicas

Mostram que a dúvida é inimiga da notícia

Ainda que não lhes faltem meias onde colocar o que muitos não têm

Cerca de 8 centímetros separam o caos da dispersão

No descolamento dos átomos na intrépida ordem natural das coisas

A interdição do trânsito de forma radicada

Promove o conflito de interesses

Dos interlocutores dos lares

Que na pressa cotidiana perdem o tino

E destoam da própria felicidade interior

Aos temperamentos sobre os quais mal sabem desdizer

Coloca em xeque o desenvolvimento da civilização

E em choque o movimento (in)constante do pensamento

Tal qual a instabilidade das placas continentais

Se não enfrentar diariamente o atraso do tempo

A uniformização dos hábitos prensa a criatividade artística

Na intermitência dos mecanismos industriais de produção

Como se nunca houvesse um ponto de partida

E o ciclo fosse apenas o mergulho no processo

Escamoteados no sistema vigente, em surdina, egos em chama

A encruzilhada enaltece o simulacro de máscaras anacrônicas

Na estrada em que se perdem verdades escusas

De um dia que ainda não passou

Fatídica exposição a que há submissão

O detalhe percorre todos os meandros do real

Com julgamentos tácitos e irrepreensíveis

Resta a esperança de um tempo que não se faz presente

Onde o amor na lembrança guarda os bens queridos

Pauta o acalanto como forma nodal despretensiosa

Tira a dama para a dança que ela verte o riso

E deixa a gratidão morar em teu peito

Com a felicidade estampada no rosto

Atônito de vida extensa nos recônditos do amor

Que perduram os perenes recomeços

Cala a voz que sugere um convite

Saiba lá que destino sintetiza aquele desejo

Exponha o interior à choupana dourada

Aos dias enclausurados de alvorecer

O pedido preso na garganta

E o segredo da tomada do sentimento puro

Longe de suspeitas, aquém de julgamentos

E fora de cogitação no plano das idéias

Naqueles olhos puxados encontro a paz que nunca vi

E o ritual das mãos determina cem quilômetros em quatro segundos

Deu a volta ao mundo sem piscar os olhos

Nem precisava deixar provas indissociáveis

Posto que o factível compromisso de agora mova o pretexto do não

Apriori, inconteste, mergulhado na brevidade

Da imprevisibilidade de versos soltos

Infindo matiz dos sinuosos riscos do medo

De te querer eminentemente

Plumas e paetês contrastam com a multidão de fora

Sem perder de vista o imenso vazio desertor

Diletante e auricular proteção da fina angústia

Conspiração entusiástica de dois seres

A vida se levou em canções marcantes

Passadas a fio entre os dedos

Numa algazarra da calma que parecia interminável

Deitadas as cores no jardim

Como se fossem os braços da mulher estendidos

Em forma de uma emoção indissociável

Que narra, conjuga, engrandece, sem falsear

A vez do sim é o preço em espécie

Afora as queixas, os preceitos e descompassos

Desperdícios são o de não te tirar para sorrir

Em passos curtos e célebres

Ainda que céleres, eternizam a beleza de uma festa.