quarta-feira, 12 de maio de 2010

Parafuso na Cavidade do Filtro (Parafuso en la Cavidade del Tornillo)

Quatro paredes e o tremor indissociável ao corpo. O medo é o receio do vazio dos sonhos, comprometidos em pensamento, Máscaras cirúrgicas formulam hipóteses convictas nos moldes da atividade proficiente das mãos firmes e sinceras.


Por que tantas perguntas? Para que quaisquer olhares? A essa hora, sabe-se lá o que o amor da minha vida possa vislumbrar. Talvez vista branco e sobreponha a mão levemente em meu rosto, como sinal de apoio. Há dores que redimensionam o sentido das coisas e a hierarquia societária na concepção da realidade.


A agonia flutua pelos corredores da ajuda, clamando por socorro, no estapafúrdio destino daqueles ignorados pela própria inconsciência pública. O olhar social camufla as sensações que, por mais atinentes, corroboram o estado fluido do serviço de saúde nas esferas da Administração.


Tecendo uma abordagem genérica do comportamento humano frente aos desafios psicológicos e orgânicos, cumpre ressaltar a intensificação dos efeitos provocados pelo discernimento ao passo da evolução dos fatos cotidianos. Um drama vivido em família sucumbe enquanto evento, culminando no conflito com os próprios conceitos, espelhados na ausência de identificação com o outro.


Nada mais afável que aquele olhar castanho pela manhã... Queria, ao fim, por aquela companhia, poderia até aprender a falar mandarim... Nada como ter a Penha no meu coração! Mesmo que fosse longe. Deixar de ver um bem é esquecer que o Sol se pôs e que a esperança é o recomeço.


Perspectivas simultâneas desvelam o cuidado pessoal com os sentimentos alheios na contribuição mundana, permitindo o desenvolvimento e a aceleração das normas dispostas sob os auspícios da legalidade e da burocracia. As atribuições cognitivas cerceiam os valores consuetudinários, distribuídos à margem da conseqüência da magnitude dos nossos atos.


Felicidade


Alegria incontinente de caráter contínuo e inócuo, em cujas raízes são encontradas virtudes como bondade, ética e amor. Celebra os amigos com a alternativa inquietante do sopro da alma, ao passo que a recompensa vem à tona sem que se espera nada mais em troca.


Regula teus sonhos pela imagem de uma criança, guia tua vida pelos céus, azuis e límpidos, contemplando os ideais ao som da música predileta. Cultiva a força no próprio potencial. O destino aprimora o exercício de ações eficientes com o azo intencional.


Controla a função cerebral conforme os princípios estabelecidos pela fisiologia e medicina, sob a orientação fundamentada de profissionais responsáveis pela conduta aquiescente ao momento vigente. A lacuna predisposta entre as palavras, tidas inofensivas, separa o abismo do fio que encosta-se à navalha. Pára e respira. Você merece algo melhor. Nada é de tão mais. Carpe diem.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Conto de Amor por um Passarinho Verde

Censura livre.

Vinte e nove anos completados. E o último show de uma banda especial estava à espera de um “SIM”, como a criança que soluçasse, da forma mais lúdica, em torno de um desejo inflamável do pensamento. Havia sido o melhor aluno da turma, por merecimento, e era um menino amável, que dispunha de muitos artifícios para defender os amigos. Tremia os braços como há muito não fazia. Estava nervoso.

Zona Norte do Rio. “Did you smile today?” Olhares sobre a perspectiva urbana. Ronaldo sempre esteve atento ao sorriso no rosto de Helena. Por mais que não mostrasse. Nunca soube ver algum ente querido sofrer. Ainda mais a mulher escolhida para viajar a Bariloche. Com direito a massagens nos pés. Colocou a mão em tua louça em sinal de amor: não queria que dispusesse daquele argento novamente para aquela atividade, tinha muito a que se dedicar. Para o estudante, de bom caráter, a vida proporciona oportunidades incríveis para volver o carinho junto à colega de classe.

Ainda pensa em ouvir Sinatra com ela mergulhada nos longos braços da ternura. Sob as bênçãos da vontade sobreposta às vísceras da Comunicação. Por que não antecipar um sentimento que está entranhado na pele desde a primeira vez em que a viu? O que te faz tão distante que impede o “estar que não é físico”?

O alvoroço começou há uns anos, quando Ronaldo, à porta da faculdade, emaranhado numa nova rede de conflitos, conheceu pessoas com as quais se identificaria pelo resto da vida: amigos que considera extensão familiar. Pinçada como uma pérola, Helena era a personificação de ternura em finos traços, de ilibado coração, em cujas características encontrava o refúgio para os sentidos. Ronaldo nunca ficou apaixonado, pelo contrário, aprendeu a amar os defeitos de uma mulher e querer dividir os próprios com ela.

Mulher estonteante, trajada naquele sobretudo, que muito lhe dizia a elegância, observadas as mãos feitas, conservando o lirismo perfumado das grandes existências, como se acordes reproduzissem aquela música querida no rádio, ao som da saudade, como ouvir Lauryn Hill num instante puro de descontração. Amar é esvair-se em risos ao lembrar da lucidez dos saltos agulha na escada. Mesmo sabendo que a estrela não pede ajuda. E não guarda a hora que passou.

O rapaz dizia que Andreza era do tipo de mulher a quem se levaria toda semana num restaurante fino, somente para degustar das mãos quentes entrelaçadas na taça de vinho tinto. Passado o jantar, teria uma noite de versos de Vinícius ao pé da cama apenas para que descansasse. Ronaldo adora perceber a independência nos atos da mulher que ama e acredita que cuidar desse processo faz parte do caminho chamado felicidade.

Quando perguntado sobre as histórias de amor que viveu, o homem se limitou a apontar o coração, indicando que estava cheio o suficiente e preparado para os costumes vindouros. Posso tirar você para dançar? Seria pedir demais cortejar-te aos poucos? – questionou Ronaldo.

Selecionou uma coletânea, em CD, exclusivamente para que desse vazão ao sentimento. Nele estão contidas as motivações inerentes ao respeito e admiração sem limites que carrega em seu íntimo. E é da mais pura sinceridade. Não precisava queimar a mão por conta disso. Mas Ronaldo afirmou que se sente o homem mais incrível do mundo quando está ao lado de Andreza. Correria mil léguas para que a viagem não ocorresse, mas entende que os caminhos podem ser desviados por diversas circunstâncias. Queixa-se do mundo e da superficialidade.

Passavam de breves esbarrões a encontros marcados, com horas da extenuante troca cultural de traços naturais e cumulativos. O amor trazia a união de maneira convincente, ao passo que as marcas na esquina simbolizavam o tempo indiscreto nas convicções. Os rodízios sem hora, os conselhos ao pé do ouvido, o sentimento enternecido, as aulas não “concebidas”, o atraso de cada um, a preocupação estampada nos rostos do escritor, os sorrisos a postos. Tudo regula a força dos laços construídos na trajetória acadêmica.

Encontrou na amizade o carinho necessário para ultrapassar os obstáculos e lutar pelos ideais pelos quais sentia determinação. O sincretismo existente na significância das palavras explica completamente a provocação. Filosofia só nos confins do pensamento, que dividiu a maçã com você em troca das doces respostas que o passado nunca vai me proporcionar.

Certa vez, no intervalo da faculdade, perguntaram a Ronaldo o real motivo para tamanha felicidade nesta fase da vida. Faltou-lhe coragem para dizer o principal: estava diante da grande mulher da sua vida, além do que balbuciou: de que fazia o que gostava e gozava de saúde. Não queria que fossem vãs palavras. Afinal, é o sentimento mais abrupto que já lhe ocorreu. Diz ele que nunca dependerá disso para viver. Mas quem ama de verdade torce pelo final feliz. Como o de um baile charme que a moça joga o cabelo para o rapaz, ainda que na calada da noite, com o intuito de dançar a melhor música da vida em poucos passos, mas eternos.

terça-feira, 30 de março de 2010

Sobre a Desconstrução

Todas as perspectivas possíveis...

Pára, olha, vê e repara

São linhas de pensamento q te guiam para uma forma de agir condicionada a novas circunstâncias

Caminhos circulantes, experiências mutantes que vão orientar as ações de forma intuitiva

Sem que haja qualquer forma de escape a não ser o conflito

Com o novo, com os testes naturais para que se possa lidar com estes desafios

A desconstrução é a reta de chegada de um novo começo

Como se despisse a escuridão do passado

Em novos contornos iluminados de esperança

Com a cadência do descompasso

E a riqueza do necessário

Formas incessantes reabilitam novas tendências

Ainda que ocorram erros nesta trajetória

Súbitos lampejos da solidão no meio de mim

Por mais que não se façam as vezes da multidão no exterior

A vida reproduz o atrito de exposições

Máscaras desperdiçadas no encanto da superfície

Assombram a realidade de hipóteses contestáveis

Formulam a expressividade de um gesto espontâneo

Que recorre ao pranto no canto da felicidade

Tuas vestes já não me cabem aos olhos

De tão acostumado em me ver nos teus sorrisos

Simplórias similitudes de alma

Na irrisória forma inconcebível da ausência de nós

Mesmo que a culpa se caiba distante

Na prova de que a escolha é um produto da emoção

Sentida no limiar do momento

Sobe o som que é a música nos meus sonhos

Ou seria eu no sonho compondo o amor?

Ainda que na desconstrução eu roa de dor

Apenas na cristalina voz da fragmentação posso lidar com você

Sem sair de mim

Em curtas chances

Aquém de julgamentos indevassáveis

Longe de provações eloquentes

Privado da liberdade do recanto preferido

Posto ao alcance do mais cruel requinte de tentação

A maçã, o coração e o firmamento.

Três oportunidades

Desejo, amor e tentação.

Vias escusas entregues ao acaso

Propósitos separados

Por uma linha tênue que de tão fina

Só é possível enxergar com a perspectiva da vontade

Acima de todas as verdades ditas precisas

Pois se preciso for pularei para me buscar

Fora do limite de ti

Numa escolha sem volta

Tirado de arrependimentos

O que resta?

Apenas breves palavras cansadas...

De mais um olhar encontrado

Naqueles velhos guardados

Da esquecida lembrança

Que a vida me mostra agora

Na fita. No ponto. Na hora.

terça-feira, 23 de março de 2010

Emenda Ibsen Pinheiro: Chorando o petróleo derramado

Contra a covardia” é o slogan. Frase forte, feita especialmente para aglutinar a coletividade em torno da causa e contra os “covardes”.

Fernando Gil Portela Vieira, mestre em História pela UFF


Dezessete de março de 2010. Foi o dia escolhido pelo Governador Sérgio Cabral (PMDB – RJ) para que manifestantes realizassem uma passeata “Contra a Covardia, Em Defesa do Rio”, pela Avenida Rio Branco, rumo à Cinelândia, no Centro da cidade, protestando contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 300, dos Deputados Federais Ibsen Pinheiro (PSDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG).

A verdade é que a PEC do Pré-Sal, como também ficou conhecida, sobre a mudança na distribuição dos royalties provenientes da exploração do petróleo fluminense, colocou o Rio de Janeiro no centro da discussão nacional. Mais do que uma questão simplesmente federativa, o ato público contribuiu para observar o comportamento do poder público diante de um cenário prévio de ano eleitoral.

Cumpre ressaltar que, à margem da atuação do Estado na promoção de ciência cívica à parcela presente, a sociedade brasileira, sobretudo a fluminense, interveio ao que deveria ser exclusivamente um brado de cidadania, compondo uma verdadeira miscelânea cultural. Da Bateria da Portela ao funk do Petróleo: tudo passava pelo espírito carioca de festejos e arruaças, em detrimento do que deveria ser a incontestável luta pelos direitos assinalados na Constituição Federal e nos mecanismos legais maciçamente discorridos pelos veículos de comunicação de massa.


BREVE HISTÓRICO

Cabral chora ao falar sobre emenda que altera a distribuição dos royalties do petróleo

“Um linchamento contra o Rio”. Foi assim que o governador Sérgio Cabral definiu a aprovação de uma emenda ao projeto de lei que altera a distribuição dos royalties do petróleo, pelo Plenário da Câmara. O texto aprovado prejudica municípios do Rio. Cabral disse que chorou ao final de uma palestra para estudantes da PUC ao ser perguntado sobre o assunto. A emenda ainda precisa passar por votação no Senado e pela aprovação do presidente Lula.

O novo modelo de partilha dos recursos foi aprovado na Câmara dos Deputados no último dia 10 de março. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, informou, por meio de nota oficial, que a redução dos royalties pela exploração do petróleo vai deixar o estado do Rio de Janeiro sem condições de fazer as obras necessárias para os Jogos Olímpicos.


Rio faz passeata contra cortes de royalties do petróleo

A campanha do Rio contra a emenda do pré-sal, que muda a divisão dos royalties do petróleo e provoca sérias perdas de receita para o Estado, ganhou a adesão de uma legião de famosos. Artistas, políticos e celebridades de vários setores. Todos participaram do ato público marcado, pelas ruas do Centro da cidade. Entre os que estiveram presentes: Fernanda Abreu, Alcione e Tony Garrido. A concentração ocorreu às 16h, na Candelária, de onde os manifestantes saíram em passeata rumo à Cinelândia pela Avenida Rio Branco.



Lula deixa para o Congresso polêmica sobre os royalties do pré-sal

“O Congresso que resolva o problema.” Foi o que afirmou o presidente Lula, em viagem à Jordânia, sobre a polêmica em torno da Emenda Constitucional que muda a distribuição dos royalties do pré-sal. Lula ressaltou que o governo já cumpriu sua parte, ao apresentar o projeto original. O presidente admitiu, no entanto, que se o texto final for muito diferente do apresentado originalmente pelo governo, ele poderá entrar na discussão. Mas negou que tenha prometido fazer vetos. A proposta de veto, na verdade, havia sido defendida pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT – SP).


Cet-Rio monta esquema especial de trânsito por causa da passeata contra a emenda do pré-sal

A Cet-Rio montou um esquema especial para a passeata em Defesa do Rio, contra a emenda do pré-sal. A concentração dos manifestantes estava prevista para começar às 16h, na Candelária. Mas a partir das 14h tinha sido interditada a pista lateral da Avenida Presidente Vargas no trecho entre a Avenida Passos e a Rio Branco, no sentido Centro. Às 15h teve início a interdição de todo o eixo e transversais da Avenida Rio Branco, entre a Visconde de Inhaúma e a Presidente Wilson. Também a partir das 15h foram interditados o entorno da Candelária e a alça de acesso da Perimetral para a Presidente Vargas.


Barcas do Rio faz transporte de graça de participantes para a passeata Em Defesa do Rio

A Concessionária Barcas S/A realizou uma travessia exclusiva e grátis de Niterói para o Rio, às 15h, da última quarta-feira para transportar representantes de entidades niteroienses envolvidas na manifestação contra a emenda do pré-sal e Em Defesa do Rio. Segundo a concessionária, os bilhetes para o retorno foram entregues pela tripulação durante a viagem de ida. A embarcação utilizada tem capacidade para 2.000 passageiros.



Metrô promete mais trens circulando à tarde para levar passageiros à manifestação Em Defesa do Rio

O Metrô do Rio prometeu aumentar a frota de trens, entre as 15h e as 22h, para atender à demanda de passageiros que forem à manifestação contra a emenda do pré-sal e Em Defesa do Rio. As melhores saídas para se chegar à Candelária, local de concentração do ato público, eram as estações Uruguaiana e Carioca. Justamente as alternativas das menos viáveis em horários comerciais e em períodos de grande circulação. O retorno, na estação Cinelândia, tinha sido feito através dos acessos Pedro Lessa, Odeon e Santa Luzia. As duas saídas próximas ao Teatro Municipal estiveram fechadas por estarem localizadas em local ocupado pelo evento.



Segurança Pública: Quase 5 mil policiais fazem a segurança da manifestação contra a emenda do pré-sal, no Rio

A manifestação contra a emenda do pré-sal, na tarde da última quarta-feira, no Centro do Rio, mobilizou a vigilância de quase 4.800 policiais militares. O esquema especial de policiamento na área do evento foi acionado às 15h. Foi percebida a participação de 170 viaturas, 35 motocicletas, seis ambulâncias e 30 duplas a cavalo, além de cães adestrados. A Polícia Militar recomendou a quem participasse do ato público não levar crianças. Os manifestantes também devem usar roupas leves e evitar levar para o protesto objetos que possam chamar a atenção de criminosos.

As autoridades disponibilizaram um aparato foram do comum, atribuindo à cidade a infra-estrutura necessária para munir os cidadãos de todas as alternativas possíveis no que se relacionasse a transportes, segurança e viabilidade. Pergunta que não quer calar: por que toda a máquina do Estado “funciona” em face de requerimentos extraordinários, diante de um cenário de necessidade estadual imediata? Como manifesta incontestável a prestação de serviços eficiente quando se pensa numa proposta de interesse público? Seria o medo da derrocada, à medida que o dinheiro da arrecadação petrolífera percebia-se ameaçado?


Caso Ibsen Pinheiro: Desdobramentos políticos

“O Apocalipse do nada”. Foi como o Deputado Federal Miro Teixeira (PDT-RJ) definiu a PEC 300, dos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG), que altera aos estados produtores de petróleo a compensação recebida pela exploração de “terras profundas”.


Líder do governo garante a Cabral que a emenda dos royalties não passa no Senado

O governador do Rio, Sérgio Cabral, disse ter obtido a garantia do líder do governo federal no Senado, Romero Jucá (PMDB – RR), de que a emenda do Pré-sal não será aprovada na Casa. Segundo Cabral, o senador reconheceu que a emenda é absurda porque avança sobre receitas de campos de exploração já licitados. Se vier a ser aprovada em definitivo no Congresso, a emenda, que redistribui os royalties do petróleo, poderá causar perdas anuais de R$ 7 bilhões ao estado do Rio. Enquanto isso, aumentavam as adesões ao ato público que o governo estadual organizou em repúdio à chamada Emenda Ibsen.


Governo adia início do programa Bolsa Copa por causa da emenda Ibsen

O Ministério da Justiça adiou de julho para agosto o início do programa Bolsa Copa. O programa aumenta a remuneração dos policiais envolvidos na segurança da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Segundo o governo do Estado, sem os royalties do petróleo, os projetos param. O Rio poderá perder R$ 7 bilhões por ano se o Congresso aprovar em definitivo a Emenda Constitucional que muda a distribuição dos recursos oriundos da exploração de petróleo. Nesta quarta-feira, a população atendeu à convocação do governador do Rio, Sérgio Cabral, e compareceu em peso à manifestação, no centro da cidade, contra a emenda dos royalties.


Oposição promete obstruir votações do Pré-sal no Senado

A Oposição no Senado prometeu obstruir as votações dos quatro projetos relativos ao Pré-sal, em resposta à decisão do governo de restabelecer a urgência constitucional para essas matérias. Com essa urgência, os projetos trancam a pauta, se não forem votados em 45 dias. Segundo o líder do governo, Romero Jucá (PMDB – RR), não há como abrir mão do prazo.


Caso Íbsen: A imprensa e o papel de mediador da opinião pública

A função do jornalista, enquanto mediador social, é transmitir a consciência crítica aos cidadãos através da lucidez dos fatos. O exercício profissional é carregado de responsabilidade corporativa, à concepção dos preceitos legais. A mídia, enquanto produtora industrial, se encarrega de reproduzir as versões em sua cadeia intransponível de negócios.

Para o mestre em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Fernando Gil Portela Vieira, não se pode cobrar dos órgãos da imprensa uma isenção absoluta em termos político-partidários e eleitorais pois, neste caso, constituiria uma liberdade de expressão “adjetivada”. “A imparcialidade fica por conta da independência do julgamento de quem recebe a informação, livre para confirmar ou alterar seu voto.” – afirmou o especialista.

O Código de Ética é uma das referências estabelecidas para a atividade ideológica no campo jornalístico. À guisa do (não) cumprimento das leis predispostas na Constituição Federal vigente, a manifestação do modo de agir prudente é o comprometimento individual na manifestação do caráter em prol dos princípios éticos em sua função de conciliar a verdade e a interpretação cognitiva da opinião pública.

O bacharel em Ciências Sociais pela UFF, Mário Victor Perdigão Vasconcellos, afirmou que a garantia da imparcialidade, ou coisa que o valha, pertence às instituições democráticas e republicanas. “Os tribunais eleitorais são imparciais? Independe da conjuntura política?” – questionou Mário Vasconcellos.

Cabe ao jornalista, portanto, ser o empreendedor da factualidade nos meandros da linguagem, com o intuito prioritário de garantir a isenção da matéria factual, ao sabor da manipulação extenuante das fontes possíveis.


Estado de Direitos iguais

“Ô! Pacato Cidadão! Eu te chamei a atenção! Não foi à toa, não!” (Skank).


O cientista social Mário Victor Vasconcellos afirmou que a mobilização em torno da manifestação ocorrida semana passada teve o mérito de levar a discussão para todos os cantos do Estado. “A discussão deixou de estar no meio dos “iluminados”. Agora, em todos os círculos, discute-se a questão.” – disse ele. Para o especialista, o Estado manipula a “consciência crítica da massa” só até certo ponto.

“Penso que o que deva mudar é a relação entre situação e oposição no Brasil. Os dois lados ainda têm uma posição infantil e imatura. Falta seriedade, de ambas as partes, para uma discussão efetivamente democrática e republicana.” concluiu Mario Victor.



“E agora, José?” (Carlos Drummond de Andrade)

Líder do governo garante a Cabral que a emenda dos royalties não passa no Senado


O governador do Rio, Sérgio Cabral, disse ter obtido a garantia do líder do governo federal no Senado, Romero Jucá (PMDB – RR), de que a emenda do Pré-sal não será aprovada na Casa. Segundo Cabral, o senador reconheceu que a emenda é absurda porque avança sobre receitas de campos de exploração já licitados. Se vier a ser aprovada em definitivo no Congresso, a emenda, que redistribui os royalties do petróleo, poderá causar perdas anuais de R$ 7 bilhões ao estado do Rio. Enquanto isso, aumentavam as adesões ao ato público que o governo estadual organizou em repúdio à chamada Emenda Ibsen.

O presidente do Supremo Tribunal Federal disse que a emenda sobre a divisão dos royalties do petróleo pode ser considerada inconstitucional. Segundo o ministro Gilmar Mendes, a chamada Emenda Ibsen foi consolidada num critério de distribuição do Fundo de Participação dos Estados, que era uma lei complementar dos anos 90.

Segundo o professor Fernando Vieira, tanto os parlamentares defensores da Emenda Ibsen como as autoridades do Estado do Rio de Janeiro e seus Municípios esperam obter dividendos eleitorais com o debate sobre a legitimidade da divisão dos recursos da exploração petrolífera. Para os primeiros, o bônus alegado será o de representar os interesses da população do seu Estado, apelando para a “justiça” da partilha dos recursos. Para os políticos fluminenses, a alegação será a de que a perda dos recursos derivados dos “royalties” impedirá a realização de obras e melhorias no Estado. A oposição fluminense ao atual Governo do Estado – se não quiser se congratular com seus adversários políticos – pode explorar o fato de que, em vários Municípios do Estado do Rio, os recursos da exploração petrolífera não engendraram tantas melhorias como tem sido alegado.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Onde os fracos não têm vez (Do público ao privado)

Enfadonho e promíscuo o ímpeto humano

A morte dos peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas

Aponta para o incesto da realidade

Face aos fatos recorrentes na Natureza

Numa escalada em que os impropérios da ação

Corroboram o exclusivo desvio do céu

A soberba se tornou o precipício do poder

Sem que fosse visto o abuso nas palavras

O deslocamento das placas tectônicas

Mostram que a dúvida é inimiga da notícia

Ainda que não lhes faltem meias onde colocar o que muitos não têm

Cerca de 8 centímetros separam o caos da dispersão

No descolamento dos átomos na intrépida ordem natural das coisas

A interdição do trânsito de forma radicada

Promove o conflito de interesses

Dos interlocutores dos lares

Que na pressa cotidiana perdem o tino

E destoam da própria felicidade interior

Aos temperamentos sobre os quais mal sabem desdizer

Coloca em xeque o desenvolvimento da civilização

E em choque o movimento (in)constante do pensamento

Tal qual a instabilidade das placas continentais

Se não enfrentar diariamente o atraso do tempo

A uniformização dos hábitos prensa a criatividade artística

Na intermitência dos mecanismos industriais de produção

Como se nunca houvesse um ponto de partida

E o ciclo fosse apenas o mergulho no processo

Escamoteados no sistema vigente, em surdina, egos em chama

A encruzilhada enaltece o simulacro de máscaras anacrônicas

Na estrada em que se perdem verdades escusas

De um dia que ainda não passou

Fatídica exposição a que há submissão

O detalhe percorre todos os meandros do real

Com julgamentos tácitos e irrepreensíveis

Resta a esperança de um tempo que não se faz presente

Onde o amor na lembrança guarda os bens queridos

Pauta o acalanto como forma nodal despretensiosa

Tira a dama para a dança que ela verte o riso

E deixa a gratidão morar em teu peito

Com a felicidade estampada no rosto

Atônito de vida extensa nos recônditos do amor

Que perduram os perenes recomeços

Cala a voz que sugere um convite

Saiba lá que destino sintetiza aquele desejo

Exponha o interior à choupana dourada

Aos dias enclausurados de alvorecer

O pedido preso na garganta

E o segredo da tomada do sentimento puro

Longe de suspeitas, aquém de julgamentos

E fora de cogitação no plano das idéias

Naqueles olhos puxados encontro a paz que nunca vi

E o ritual das mãos determina cem quilômetros em quatro segundos

Deu a volta ao mundo sem piscar os olhos

Nem precisava deixar provas indissociáveis

Posto que o factível compromisso de agora mova o pretexto do não

Apriori, inconteste, mergulhado na brevidade

Da imprevisibilidade de versos soltos

Infindo matiz dos sinuosos riscos do medo

De te querer eminentemente

Plumas e paetês contrastam com a multidão de fora

Sem perder de vista o imenso vazio desertor

Diletante e auricular proteção da fina angústia

Conspiração entusiástica de dois seres

A vida se levou em canções marcantes

Passadas a fio entre os dedos

Numa algazarra da calma que parecia interminável

Deitadas as cores no jardim

Como se fossem os braços da mulher estendidos

Em forma de uma emoção indissociável

Que narra, conjuga, engrandece, sem falsear

A vez do sim é o preço em espécie

Afora as queixas, os preceitos e descompassos

Desperdícios são o de não te tirar para sorrir

Em passos curtos e célebres

Ainda que céleres, eternizam a beleza de uma festa.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Asfixia

Acolhe toda forma de amor

Busca a felicidade no olhar do outro

Ceda ao instinto mais improvável

Deixa o teu orgulho que o amor está ao lado

Extravasa a vida no interior

Finta que a carapuça já não veste mais

Grita pela sombra da chuva

Há de amar em surdina, desesperadamente

Incorra ao erro

Jura tua efemeridade a alguém

Lava a alma debaixo de lençóis brancos

Marca este dia com um lindo pôr-do-sol

Namora mais que a tua idade permitir

Ouça a voz do coração

Peça a Deus saúde aos teus

Queira sempre o intangível

Raspa o fundo da panela

Suma mas deixa os rastros

Toma a felicidade como princípio

Una o útil ao agradável

Volta no tempo para recobrar desejos

Xurde, admira, encanta

Zoa, que o próximo baile é a graça da vez...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Direito de Resposta

Talvez fosse mais prudente não haver escolhas. Em uma dimensão perfeita nas vias de fato do comumente belo, em cujas formas sempre existirá o fundamento para o necessário. A liberdade promove constatações dolorosas, na brevidade intermitente do silêncio. Os princípios se elegem justa causa para a dor, que é a superlativa crueldade do mundo moderno.


Quem sabe tenhamos esquecido a pureza das crianças? Aquela sinceridade embutida no frio da barriga que não mente a vontade (que não dá e passa). Ou seria o hábito do cachimbo modelando a forma tosca e inerte de vida em sociedade? Queria os ecos do sorriso fiel, da conversa segredada, sem os apelos do tapa nas costas nem o desandar do soco no estômago.


Puxaram o freio sem o cinto de segurança. Sinto muito. Tiraram o doce da boca das crianças, sem que ao menos fosse dada a chance do proveito, da experiência. E das primeiras fotos, da bola, da bicicleta, já não guardam lembranças. A memória resguarda o primeiro confronto, nas rédeas da competitividade, ora na insegura companhia dos tidos colegas.


O orgulho vendido às submissões invioláveis monitora as chamas do descontrole. O caos é o lugar comum. E nem consultaram o Dr, Nietzsche, posto que, em suas premissas, caberia o nascimento de uma estrela que não se satisfaria ao som da chancela. Tropas de elite inquietantes, tumulto formado nas esquinas do subúrbio carioca, cujo retrato desmerece os contrastes étnicos que compõem o charme e a beleza da cultura matriz.


Filhos da pátria! Que liberdade de expressão é essa? Como podemos encarar os desvios de conduta de maneira tão distante? O vício está a um palmo do nariz e viramos o rosto por conta da vergonha. O medo resvala na linha tênue entre a revolta e estapafúrdia convicção do preconceito. Embebido de consciência crítica e tabus que ficam embutidos nos egos, nos lares, na imparcialidade.
As fileiras dos espaços públicos se preenchem de status e o filme é revelado de forma sistemática nas praças e nos becos do Centro culturalmente enriquecido pela falência da Administração que se queixa diante das disparidades no topo da hierarquia. O preço da verdade está no inequívoco da prestação de voz à razão do conflito. Às vésperas de mais uma campanha eleitoral, a ordem do discurso se encarrega de apropriar as responsabilidades de quem, de fato, não se pode esperar muita coisa.


Por que perdemos a confiança? O publicismo expõe as trêmulas desconfianças do conturbado e desenfreado cenário social. As vielas e as ruas não comportam os preceitos pré-estabelecidos na corrupção política, na falta de critério e no desleixo com a transparência dos gastos públicos, à margem da manipulação maçante da carga tributária nas esferas estadual e federal.


Preferimos não ver? Ou é melhor se calar? Segundo o ditado, quem cala consente. Os compromissos das autoridades são plenamente colocados em prática. Será? O governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou recentemente mais R$ 100 milhões em investimentos no setor de Segurança Pública do Estado. Uma guerra civil é “anunciada” através do despretensioso tombo de um avião de Defesa da Polícia Militar no Morro dos Macacos, em Vila Isabel.


O quarto poder se prepondera nas versões desmedidas da factualidade e se esquece de mostrar o processo. A inversão dos valores se convola na indisposição dos organismos alheios. Os “sacos” já não mais suportam os tristes fins, que infelizmente aparecem desprovidos da ficção tão despropositada de Policarpo Quaresma.


Ainda no universo da ficção, diria uma canção do “O Rappa”: “Corra que o tumulto está formado!”. O digníssimo Secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, tem a cara-de-pau de proferir que o “Rio não é violento”. Quiçá, tenha dito por conta de não ter sua privacidade alvejada por balas “achadas” na cortina das propinas e das desavenças entre policiais e narcotraficantes. O crime não compensa e qualquer erro é preponderante.


Daqui a poucos anos, a Cidade Maravilhosa vai receber eventos de grande relevância para a imagem do país no cenário internacional. A Copa do Mundo, de 2014, terá a cidade com um dos palcos para sede, além dos Jogos Olímpicos de 2016, como superfície de turismo e hotelaria de grande referência para a clientela européia.
Segundo dados do Orçamento do Estado, divulgado pelo site “RioComoVamos”, serão liberados R$ 25,9 bilhões para as Olimpíadas no Rio. À guisa de curiosidade, seriam prioritárias tantas casas decimais em investimentos na organização de um evento esportivo. O que você faria como esse capital inicial?



Os arremedos das linhas de transmissão deixam de agourar ao pleito da população que cisma em respirar o esgoto da “alta sociedade”. Faíscas, estrondos, falhas, ausência de compensação, formas escusas em desvios de verbas. A síndrome das cicatrizes consome a esperança ao passo que o apagão acompanha a cegueira ao lado.
É o acinte deliberado no despautério da burocracia inútil. Maltratada metamorfose. Fulgura o florão da América em berço conhecido como esplêndido.


Cumpre questionar: Será que os filhos verdadeiramente não fogem à luta? Somos alvos móveis da incapacidade de gerir nossas próprias existências. O litígio é a anormalidade encarregada de padrão aos desfechos mínimos dos trizes. E a mácula é inevitável, ainda mais na intolerância aos desditosos, como a mancha de café na peça de cetim.

domingo, 29 de novembro de 2009

Viver sem tempos mortos

Sobre a peça de Fernanda Montenegro

A maior qualidade de um ator é não estar ali;em contrário é dissolver-se em brumas emprestando alma e sangue, músculos e ossos ao exercício da interpretação de alguém. Desse emaranhado de sensações e dores que chamamos existência, extrai material essencial de seu labor, tecendo com fios invisíveis a composição do personagem. Seus olhos choram a dor do outro e é nas suas mãos que o destino a este chegará, mas sua matéria não exemplifica nada ou quase nada próprio. Doa-se por inteiro em gotas de suor e êxtase, no suave contorcer-se do corpo na ânsia de dar voz ao outro que nada tem de seu. Seus passos percorrem o palco na penumbra marcando a vida daquele que não fala por si. Seu rosto evidencia a emoção da alma que desnuda, céu e inferno, nas profundezas do eu. Antes, é a sua própria vida que despeja no piso frio da ausência de cenários. Não é preciso. Sua voz é pincel é tintas, onde a vivência alheia vem à tona ante o silêncio comovido do público a acompanhar com a respiração em suspenso o evoluir do personagem entre luz e sombras. A alma nua sob os holofotes nada tem a esconder, amplia-se em frases e silêncios, onde o sentido vai conhecer o significado do existir. E o amor a constituir-se em matéria palpável, permeado de desejo e solidão. Eu, diz a personagem. Ao que responde o público: todos nós. Não há quem não se sinta preso ao olhar profundo da respeitável senhora, sentada em sua cadeira a desfiar num rosário as experiências de uma mulher. Mas seria só uma?Seus versos abarcam toda uma humanidade de homens a aclamar uma só palavra: liberdade. É preciso viver e mergulhar no vazio de si, aceitando o fardo da impossível e angustiante existencialidade, pondo por terra os conceitos pré-concebidos de mundo com os quais se entra no teatro. Lance-os ao chão, diz a atriz, mudamente, lance-os fora. Não servem mais. Homens, mulheres, moral, deveres, lancem-nos ao chão. Somente a verdade pessoal de si é permitido conservar. De resto a alma lavada e dolorosa,mas viva e verdadeira,definitivamente livre.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Flores Partidas

Desmarcadas as despedidas
Nos estimáveis périplos da paixão
Fórça o peito de saudade
Na secreta trajetória do ímpeto
Do inviolável pedido meu...
A concórdia das vozes insólitas
Reproduz o cenário do amor
As flores dispostas secas
Enlateciam a invasão no peito
De um sentido desfigurado
Em cuja performance se conforma o não-ter

Partem-me as rosas

Na retrucada mão do abismo
De vias de fato do talvez
Princípios recalcados nos cúmulos
Que monitoram o sentimento teu
Na esperança de ouvir a voz
Efêmera em tuas curvas
Sedentas de desejo
Na indiscreta sensação do pavio curto
Com a parcimônia do belo luar de fora
E a cândida desavença dos quereres
Similitude incompreensível de minh'alma

Vês o avesso?
Esqueceu a ousadia?


Mostra tua verdade
Nos véus da aparência
Costumeira da sociedade dissonante
Mergulha na fina flor desta folia
Vez desprendida da insígnia

Consulta o céu pela manhã
Pensando friamente, dispenso as sem-razões
Imaculada vontade do querer
Discrepante a cada dia
Fugaz na companhia do luar
Que, hoje, li belo lá fora
Vide a fé de dentro
Na unção de todos os sentidos
Em si desmedidos até de caráter
Simples trato do caos dançante

Puseste a mão em teu peito?
O que ouviste?


Prestes a oprimir os presságios da Natureza
Encanta o filho da criação
Com o sorriso da tua vida.

domingo, 1 de novembro de 2009

Obra Prima

Vozes gris aprumam conselhos
Na plenitude da alma imersa no caos
As folhas secaram de tanto chorar
Esperando o alento despertar na virtuosa calamidade
Do jardim de dentro de mim...
E as flores brotaram, reproduzindo o silêncio
De gritos ensurdecedores na interseção do conflito.
Sucumbem em meio à escuridão os sorrisos
Amaros tons da felicidade importada
Falam-me as pétalas sobre o derradeiro
Exalando a efemeridade dos sonhos
Nos confins das tréguas dispersas
Da ordem involuntária das coisas
A similitude de tua imagem
No meu espelho refrata a sensibilidade.
E a percepção acudiu as regras
Como anomalias vigentes dentro do todo.
A parte avilta os momentos discrepantes
Ser lógico é deter a verdade?
Seria mesmo a razão pura a fonte do conhecimento?

Faltam-me ares para desvelar segredos
Valores próprios do sensível
Dirimindo os carinhos da calma
E as versões da culpa que repercute no exílio.
As relações, definitivamente, não são contratos.
Parecem-me acordos da pressa de não se ter
Em detrimento do risco de querer
Na indisposição da dúvida
Em sua frequência intermitente
Nos recônditos da estapafúrdia dissonância cordiana
Onde a entrega vale a joia preciosa
Que o bandido levou sem pedir licença
Nem preciso dizer que o licor está entranhado nas vísceras
Daqueles pretextos encenados guardo as poesias,
Colírio do paciente infinito
De preliminares extensos ao pé da cama
Na vultuosa celebração das unidades cúmplices no intervalo do acaso
As taças, jogadas ao chão, indicam o infinito
Embebido de prazer no ritual do triz
As frutas envolvidas pelo chocolate
Na disposição tênue de teus lábios
Ruborizam os fogos de artifício no peito do artista,
Certo de que a criação não passou de um lapso
Do tapa inesperado à convicção do desagravo,
Tudo ressoa incrustado na represa das emoções
Que alaga os clarões de pensamentos
Na indiscrição dos sentimentos escusos
De vidas a casos velados
Carta na manga de um fel atônito
Apriorismo do amor puro no desejo indissociável
Tom da púrpura certeza na mesmice de hoje
Ao aviltar os pássaros em seu humilde canto
Que prestigia o isolamento da lembrança
Esmiuçada em palavras e hipóteses
No arbitrário jogo das ideias
Insólita missão essa do recurso ambíguo
Entre as disparidades dos interesses controversos
Alvoroços das festas sem a música preferida
Que grita embaixo da superfície na qual há esperanças
Vicissitudes aportam à redenção despida de crença
Rapto dilacerado do comodismo
Cortejos sinuosos pedem o divisor de águas
Na finita perturbação do tropeço em suas tais vezes
Defino em frestas e faíscas o lampejo da métrica no agora
Que passa a não sê-la neste degrau
Abaixo de ti na escala do acalanto
Entreaberto na odisséia de saberes expiados
Findo o crepúsculo na ausência de luz
Levada pela constelação atinente ao movimento ligeiro das formas
Perfeitas em seu encadeamento lógico
Equilibradas na estapafúrdia calmaria das ondas
Nos destoados esguichos de rimas enrustidas
Nas contraproducentes dimensões do além do mais.
Os dissabores condecoram a desonra ao mérito
Do atrito incontrolável dos entraves
Que, sem pestanejar, deixam marcas comportadas.
Do vento trago as folhas que emprestam as passagens
E mostram os caminhos naturais
Da próxima partilha em terras desconhecidas
Longínquo terminal da sede de quem se vê caprichoso.
.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

SOBRE O INDIZÍVEL

HÁ VEZES EM QUE NÃO PRESTA O TEMPO PARA O RACIOCÍNIO. // E O PREÇO É A VERDADE. // CÚMULO DA ALMA, SOPRO SEM CULPA. // APENAS OS DESDOBRAMENTOS DA CRUA REALIDADE SOBRE AS PINCELADAS JÁ ESMAECIDAS. // E O CONTRASTE É A EMOÇÃO DO INSTINTO. // DESCONTÍNUO COMPASSO DE TRIZES MUTANTES, EM CUJA PARCIMÔNIA DEIXOU DE SE FAZER VALER A DOR. // AS HORAS SE FORAM NA INTRÉPIDA PENUMBRA DO CINISMO E AS VOZES SILENCIAM SEM PERDÃO. // JAZZ AQUI O CORO DE DENTRO, REFRÃO ADJACENTE AO PEITO, QUE TANGENCIA O CORAÇÃO NA PERIGOSA ESTRADA DO IMPERFEITO. // NELA, O ERRO É VITAL, FILHO DA TRAGÉDIA, NAS RAÍZES QUE AFIRMAM A REPERCUSSÃO DO MUNDO SENSÍVEL. // VÉUS RESPONDEM À SOMBRIA REFRAÇÃO DO TREVO RACIONAL. // EMANAM A LINHA TÊNUE ENTRE A CRISTALINIDADE E A DÚVIDA, EM CUJA TRAJETÓRIA A PALAVRA DESDENHA AJUDA. // O PEITO ECOA O AR EMPAPUÇADO DE AMOR NA TRILHA DAS SENSAÇÕES. // O SUFOCO ANTECIPA A PRESSA NA IMENSIDÃO DO NOSSO PRÓPRIO DOMÍNIO. // O ABISMO DE DISCREPANTES ALTERNATIVAS RESVALAM NA SEPULTURA DOS CONTOS. // E O SUMO FICA NA POESIA AO PÉ DA CAMA. // POST SCRIPTUM DE INTERMITENTES DESEJOS, ENTRANHADOS NO SUOR SINCERO DA NOITE VIOLADA. // TRÊMULAS MÃOS ACORDAM A BANDEIRA DO ELOGIO ÀS ESCURAS. // SEM PERDAS NEM ENGANOS. // O MOSAICO DO CORAÇÃO RESSOA AS BATIDAS DESCOMPASSADAS, NO LIVRE-ARBÍTRIO DAS CORES DISSIMULADAS. // O CRÉDITO DO DESPERDÍCIO REMONTA O INCONSCIENTE PARA O MEL DOS LÁBIOS PUROS. // SEM QUE A BRISA DEIXE DE CONSOLAR O ANTIQUADO OLHAR DE AGORA. // MAIS MADURO, MAIS SERENO, MAIS RACIONAL. // A PRECE AO HORIZONTE REPRESENTA A CRENÇA DE NÃO MAIS IDEALIZAR. // AS SEM-HORAS DA DÍVIDA FINALIZAM A REPRISE DO DESDÉM. // E O VÃO ESQUECEU AS BRECHAS DO SUTIL RECADO EM TRISTES FINS QUE NUNCA DEVEM DEIXAR DE EXISTIR. // CÉLEBRES PRAZERES DA ELEVAÇÃO DO EFÊMERO. // PERSPECTIVA MODERNA DO GROSSO MODO DE REPELIR A SI MESMO, EM VAZIOS ALHEIOS. // O ENCONTRO SADIO RIDICULARIZA O TEXTO PRONTO GUARDADO COM CARINHO. // NADA SUBSTITUI O CONFRONTO. // E A GUERRA COMEÇA ANTES MESMO DA CHEGADA, EM SÚBITOS LANCES DO PRETEXTO. // O VÍCIO DO SABOR TORTUOSO PROMOVE A PERDIÇÃO COMO A VILÃ DA HISTÓRIA. // E PRECISA DE PERMISSÃO? // A PORTA JÁ ESTAVA ENTREABERTA. // ATÉ PARA AQUELES QUE NÃO CONSEGUEM ADMIRAR. // A REDENÇÃO MORA NO ÊXITO DA CONSCIÊNCIA. // MESMO QUE NÃO CONSTEM ACERTOS PRIMOROSOS. // A CELEUMA DA EXISTÊNCIA ESCONDE A PUREZA E REPRIME O ESPELHO. // AS CICATRIZES CAUTERIZADAS TREPIDAM NA FÓRMULA INEXISTENTE DO RECOMEÇO. // E O SOL AINDA NÃO SE PÔS NEM COM A PENEIRA. // SUSSURROS RECOMENDAM OS SINAIS DA MANHÃ DO DIA SEGUINTE. // É O ANÚNCIO DA PRESENÇA, SEM PESARES, COM AS HONRAS DE POUCAS ESTÓRIAS BEM CONTADAS, SEM MAIORES DELONGAS, PARA AS CHAMAS DA CONSCIÊNCIA, DO SABER DE SI NA UNIDADE DE DOIS. ///

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Da imprevisibilidade

No cinema, como na vida , a linguagem existe além da mera percepção da retina, onde palavras e conceitos escondem o real significado da mensagem, quase sempre reflexo do inesperado.
Assim o sentido de uma obra cinematográfica não está em seus diálogos, planos de cena e iluminação, nem tão pouco na ótica do diretor. Por mais se esforce, seu discurso visual não habita o plano do objetivo, mas no espaço subjetivo onde as palavras formadas por cada gesto vão encontrar sentido e significação.
Na obra Melinda e Melinda, do diretor W.Allen, os olhos vão captar uma história comum sobre encontros e desencontros de casais no início da maturidade, pressionados sob a obrigatoriedade de fazer diferença no ciclo social onde convivem e a constatação de que o tempo caminha na contramão das certezas e tudo que se pode fazer é prosseguir. Personagens e dramas sucedem-se na tela em seus discursos previsíveis, sem que exista de fato surpresa ou tragédia no que vivenciam. É apenas vida do outro, em estado de contemplação.
No entanto é o instante entre palavras que guarda o sentido da mensagem, não na construção de personalidades factíveis, mas no lexo da subjetividade das relações dos personagens. O cerne do discurso da história que não consta da sinopse do filme e que guarda o encantamento vai falar de contato,de comunicação,do momento em que se percebe o outro e do caráter irrevogável desse evento.Nada mais é preciso do que conectar-se à mesma freqüência de alguém para ser capaz de decodificar a mensagem subentendida nas entrelinhas das máscaras e convenções, salvas as limitações morais e éticas de cada um.
Perceber o outro é antes de tudo, mergulhar no escuro, num manancial infinito de signos distintos, imprevistos, onde a lógica se abstém de julgamento e o senso comum não compõe interpretação verossímil. É preciso estar distraído para compreender e é nesse viés em que o filme narra sua história. Homens e mulheres atraem-se mutuamente, aproximam-se , relacionam-se e afastam-se sem que se possa conter ou estabelecer parâmetro por mais tentem.É antes o tempo do imprevisível que traça a rota dos acontecimentos.
Dar o primeiro passo é arriscar-se ao desconhecido, no terreno da dor ou do prazer. Melinda, a personagem-título,conhece os dois lados, caminha na linha tênue entre o sim e o não e experimenta a angústia da escolha.Se seu roteiro será comédia ou drama não depende somente dos narradores em perspectiva,confortavelmente sentados num pub filosófico a dissertar sobre lugares comuns, mas do incerto apelo do imprevisível em sua vida,convidando-a a rir ou chorar.Sentir é inconsciente, agir é um ato de coragem além da ficção,no terreno do talvez.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Helicóptero da polícia é derrubado no Rio de Janeiro: por trás dos fatos

“Tumulto, corra que o tumulto está formado, vem cá vem ver, que dentro do tumulto pode estar você”.(O Rappa)


O conflito de traficantes no Rio de Janeiro não deve levar, ao contrário do que aparenta, a uma solução rápida, eficaz e pontual, como sugerem as declarações do Secretário de Segurança José Mariano Beltrame e dos comandantes da polícia militar e civil. Como dizem os antigos, o buraco é mais embaixo e passa por um processo de exclusão social que não só fomenta a revolta como legitima a violência, conflagrada não somente contra a parcela da população aquém dos índices de desenvolvimento humano, esmagada sob política públicas de confronto, celebradas pelo governador carioca, mas também contra os ditos agentes da guerra civil que hoje ganha as capas dos jornais para júbilo da mídia, a saber, policiais e traficantes.

Soldados armados, amados ou não
Com baixas de ambas as partes os dois exércitos estudam-se, analisam a estratégia e em suas ações não se preocupam com as centenas de civis colocados em linha de tiro quando de seus confrontos, quase sempre previstos e aguardados. Dos dois lados existem subversões, exageros, exceções, entretanto somente contabilizam-se os mortos do lado de cá, onde aguardam as câmeras. A eles, os outros, sobram os cães, a humilhação das revistas, o pé na porta dos barracos no cume do morro onde não costumam chegar as luzes midiáticas, contanto preocupem-se em equipar seus repórteres com coletes à prova de balas.
No entanto não cabe mais definir o corpo societário, segregando-o entre excluídos e excludentes, pretendendo que a simples aplicação das leis sob um Estado utopicamente de direito possa solucionar o problema. Resta-nos administrar a conseqüência endêmica das praticas setorizadas que limitam as comunidades mais pobres ao seu próprio espaço físico e “que se resolvam por lá”, com a criação sazonal de escolas e hospitais no campo emergencial de práticas essas que não foram suficientes para conter o alastramento do vírus da violência em última escala, explodindo por sobre os ombros do corpo policial do Rio, nas hélices de um helicóptero que foi feito para levar a segurança por sobre sua fuselagem semi-blindada.

Política de confronto
Segundo o comandante geral da PM, está em negociação a compra de um modelo blindado que certamente será de grande utilidade frente à guerra civil carioca. Em que pesem as vidas de servidores públicos arriscando-se por acreditarem no modelo de segurança imposto pelo governo (não enfrentariam incursões quase diárias em favelas onde os aguardam armamentos centenas de vezes mais sofisticados que os que envergam se não o fizessem), não se pode crer que armar melhor a polícia surtirá efeito além dos fogos de artifício dos grandes jornais pela oferta de noticiário. Tão somente ocorrerá a momentânea sensação de segurança somente nas pautas dos jornais diários, uma vez que a classe média espremida entre o medo e a raiva, já não consegue experimentá-la.

Acima da lei
Não existem leis que possam punir de forma eficiente indivíduos que não se sentem abarcados por ela, sob um estado que não respeitam e valores de uma ética distante do seu cotidiano. As prisões construídas em cada estado brasileiro jogam para debaixo do tapete a realidade de que a cidadania não é para todos, tão somente para aqueles que alternam-se entre documentos oficiais e estatísticas, quando passam de contribuintes à vítimas da violência urbana.

Quem são os cidadãos?
O mundo dos registros, dos impostos e obrigações não é válido para uma sociedade paralela onde a desordem se responde com a imposição da força. Afinal saúde, educação e emprego são direitos fundamentais garantidos pela Constituição, numa configuração que não abarca a todos, apenas aos cidadãos que enxerga. Longe dos olhos da justiça permanece um aglomerado de pessoas vivendo entre o medo do próximo e a indiferença do outro. No cenário que se configura hoje já não cabem mais os estereótipos de bandidos e mocinhos, onde os primeiros eram divididos entre bons e maus, esses últimos que roubavam mas protegiam sua própria comunidade em oposição aos heróis, de fardas ou sem, que sacrificavam suas vidas em prol de uma sociedade que os aplaudia.
O resultado da subversão da humanidade em que muitos dividem o pouco num espaço exíguo e poucos caminham cegos em suas ilusões de prosperidade gerou mutações sociais, relações corrompidas num ambiente em que a dor chega para todos. Já não há mais classes, corrupção e violência chegam a níveis inimagináveis, principalmente porque estivemos muito preocupados contando nossos mortos, enquanto o que acreditávamos ser o outro lado sofria baixas que julgávamos necessárias. Somos todos resultantes da mesma prática doentia e excludente. Ainda queremos apenas segurança no ir e vir, sem pensar que este conceito passa pelo primordial respeito ao próximo e seu igual direito não só de ir, mas também vir se assim tiver vontade.

Estado de direitos iguais

Resta hoje o tempo de repensar esse conceito e avaliar quão longe fomos na nossa tentativa de controlar o incontrolável. Massas de pessoas não ficam muito tempo sob o tacão armado do Estado. Sobram elementos que transbordam das vielas, ganham as ruas e chegam até as nossas janelas. Incômoda realidade?Certamente. Mas a conclusão persiste no fato de que somos definitiva e irremediavelmente semelhantes, em fragilidade e desejos. Cabe-nos romper o muro subjetivo que ainda persiste e recriar o governo sob um estado verdadeiramente de direito, não somente para alguns mas para todos,cidadãos.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

ALL STAR

Estranho seria não perceber tanto encanto. Os passos seguiam firmes na íngreme elegância do par de all star branco. Não há nada parecido. Espaços, conteúdo, reticências, riscos, incertezas e a alegria incontestável rebuscada ao doce acalanto das noites no meio da semana. Nunca se espante diante da pureza de minhas respostas. A dúvida é o estímulo para a busca incessante de melhorias. E o preço da verdade está muito aquém da sua presença.

A ressalva da vida se apresenta na falta de consternação sobre os eventos necessários ao alcance de fôlego. A realidade se acomoda na proposta mais incólume e esquece que, para tirar proveito e ganhar o dia, bastaria nada mais do que um minuto ao teu lado. O xadrez fica bem, ainda que as peças não se movam com tanta facilidade. Nada com um dia após o novo. E o desejo se espaça nas batidas do coração, onde o ritmo dita as ordens.

Os lanços de escada indispensáveis ao doce traço de seus passos. Os tênis mostram a serena trajetória que os teus longos cachos pairaram na imensidão da vivência humana. E o contentamento se faz suficiente na perspectiva indissolúvel dos olhares cristalinos, puros, aptos... A subversão à lógica propicia o desejo incontestável da avassaladora voz do coração: “Olha, vê, repara...”.

As vezes da indiscrição pegam na surdina meu imaginário caçoando das verdades alheias, ao passo que os rostos já me mostram mais lucidez. Ponto e vírgula, que é para ser mais enfático... Nas coincidentes reticências encontramos as dúvidas que deixam os retalhos do “se” nos vãos lamentos da discórdia. E nada resiste à beleza de tuas vestes livres, a cobrir teu legado de amor, a despeito de pouco troco. Perdi-me nos bosques da aparente felicidade.

O saber desconfia da herança que não mais te alude. O beijo segredou o adeus sem deixar recados. E de ti só restou maturidade. Será que você entenderia do meu amor? A descoberta é fria através das portas entreabertas que os caminhos perfazem em nossa história. Vide o mosaico de situações no painel da vida. Feliz é o artista que consegue apropriar todos os cenários, trans-bordando felicidade num simples “obrigado por vir”.

Destarte a decepção de antes, há de entender que o amor emergiu ao coração de forma sorrateira, adicta, como num piscar de olhos. A gentileza que brota de tuas mãos aflora as ideias e sabota o silêncio dos outros sorrisos. O resvalo da dor é a displicência da alma em não ter coragem de ser si mesmo. Volva teus olhos ao colo alheio. Pesa teus valores. Procura algo mais? Ou ainda se contenta com o que te traz mais segurança? Alimenta teu ego querer o néctar das flores que deixei guardadas em local público?

Não sei até que ponto a ausência de dor pode fomentar progressos... A melodia aproxima os olhares na criação do poeta com a própria existência. Aquela exuberância das sextas deixa o ponto de interrogação sobretudo aquilo que possa antecipar a mim tuas canções preferidas. Raízes escusas, paixões antigas, endereçamentos em papéis de cartas nas lembranças de tua infância. Saber-te perdida em livros, na imensidão do mar de teus apensos cordianos, coloridos na bela vinheta do preto e branco em sombra e luz, da metamorfose inquestionável do ser.

Constelações tripudiam dos meus flutuantes de mim. A menina essencialmente vestida de colegial acabou de roupão azul em campos controversos. O disfarce lhe trouxe maturidade repentina do açoite nas palavras mais intrigantes o possível. Restante a saudade das cadeiras de plástico e a hombridade da compleição no bom gosto, na harmonia e na afoita ponte entre o ser e o querer.

Silvos breves ecoam na multidão. Ela acredita em um mundo mais justo. Isto é visível em suas feições. Por mais que as elucubrações se façam tamanhas na célere contestação da humanidade. A receita é de pão fresco na esquina de casa. E o voto da unanimidade é de festa em festa, na maquiagem do amargor cotidiano. De vez em sempre é maravilhoso vê-la estrela.

domingo, 11 de outubro de 2009

Algo que petrifica à alma

HYMNE À L'AMOUR
(M. Monnot / E. Constantine)

Edith Piaf


Le ciel bleu sur nous peut s'effrondrer
Et la terre peut bien s'écrouler
Peu m'importe si tu m'aimes
Je me fous du monde entier
Tant que l'amour inondera mes matins
Tant que mon corps frémira sous tes mains
Peu m'importent les grands problèmes
Mon amour, puisque tu m'aimes...
J'irais jusqu'au bout du monde
Je me ferais teindre en blonde
Si tu me le demandais...
J'irais décrocher la lune
J'irais voler la fortune
Si tu me le demandais...
Je renierais ma patrie
Je renierais mes amis
Si tu me le demandais...
On peut bien rire de moi,
Je ferais n'importe quoi
Si tu me le demandais...
Si un jour la vie t'arrache à moi
Si tu meurs, que tu sois loin de moi
Peu m'importe, si tu m'aimes
Car moi je mourrai aussi...
Nous aurons pour nous l'éternité
Dans le bleu de toute l'immensité
Dans le ciel, plus de problèmes
Mon amour, crois-tu qu'on s'aime?...
...Dieu réunit ceux qui s'aiment!



"O Amor é a memória que o tempo não mata,
a canção bem-amada, feliz e absurda...
É a música inaudível...
O silêncio que treme e parece ocupar o coração
que freme quando a melodia do canto de
um pássaro parece ficar..."

- Vinícius de Moraes -

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Por que é que tem que ser assim?

O dia em que a Terra parou. Todo o cotidiano desde abril passado mostra essa realidade. O choro fica entalado na garganta e a saudade remete à falsa estabilidade. E o pior é que você deixou as flores ao pé da cama, sentiu sinceramente, fez o melhor e os espinhos comprimiram o cristal da pureza. Não sei se se descobre que amou desmedidamente alguém que não merecia... Ou a dor da resignação ou do conformismo parece ser maior que o Mundo...

A vida abriga a desconfiança intermitente do que foi interrompido. Nada agora é capaz de dar alento. Você olha para os lados e vê tudo turvo. As propostas nunca te confortam o necessário. A mão que você quer está ao encontro da insegurança da qual sempre teve medo. O orgulho fica abaixo da possibilidade de mudanças. A perda de estímulos, as reticências dos caminhos, a força rebuscada de tentar e começar de novo, tudo isso despenca a perspectiva dissolúvel da concorrência.

A disposição de todos os momentos era o combustível irrepreensível da busca incólume pelo sorriso mais bonito que já tive em meus braços. Como deixar de pensar no derradeiro pretexto dos cinemas, das fugas, dos despropósitos, da encantadora fórmula do improviso.

No meio do trajeto, o autor descobre um novo sentimento que dispensa comentários. Seus olhos (os dela) são múltiplas verves na concepção da sinceridade. E a dúvida é a nossa superfície, mesmo que seja impermeável. Há possibilidades de existir algo tão mais coeso e belo na face do planeta?

Por que é que tem que ser assim? Alguém pode me dizer o caminho da saída? Claro que pela porta da frente...

Desculpem as más línguas. Mas a vontade agora é de dizer tudo. De ser menos sincero e mais feliz. De nada adianta ter a pureza e não dominar o código. As chaves que abriam a porta da alegria mostram um rumo controverso. O de sumir em resmas de papel da mais imperfeita procedência. Avessos acontecem nas melhores famílias. Como dizer a ti que é possível dar certo? Toda Alegria Termina Indispensavelmente ao nomear este momento especial na doce estrada suntuosa. Por isso, não traga opções.

O soluço é o ingrediente que reproduz a agonia vigilante. Faça você mesmo a aposta porque meu coração não aguenta mais indicar os meus votos de harmonia. Eu preciso dizer esteas coisas, porque elas são independentes e se entrelaçam no percorrer indiscreto de uma sensação inédita. O amor avilta a alma no chamamento mais conturbado que o real e o mundo inteligível possam te proporcionar. E o pior é que ainda acredita no mundo sensível... E você?

O que é certo ou errado? Nem sei por onde comecei mas guardo convicções possíveis. Preciso da chama, preciso daquela ausência de mim quando me imaginava nos braços da voz intrigante da certeza. DEIXA EU IR AGORA? PODE ME GUARDAR CONTIGO? YOU'VE GOT SO MUCH...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ruínas em palavras(por Filipe Barbosa)

Sabe-se lá o que da vida seria se não houvesse a graça do erro. O pensamento se confunde com a opinião pelo simples mérito das presunções sobre verdade. Muito se preocupa com causa e efeito. A audiência pública dispensa o processo. Como foi que isso aconteceu? A inadequada frouxidão da consciência crítica se confunde com a incompatibilidade da mensagem emitida. Sempre sobra para quem fala...


A informação se torna relevante à margem da identificação criada com o oscilante custo do raciocínio. A sinergia disposta ao produto jornalístico é fomentada pela história contada com a fundamentação dos fatos. A negação do exposto em sociedade contrasta com a eficiência produtiva dos veículos. A superficialidade da educação se mostra essencialmente categórica a partir da síntese criteriosa dos acontecimentos.


A seleção das notas audiovisuais é realizada através de repertórios espaçados por fatos isolados de suma importância. A seqüência na cobertura vem atribuída de sentido pleno em sua eventualidade. A captação do alvo é a chave do negócio. O jornalista se recorta à contextualização da realidade em seu limite significativo.


A redação e a edição em impressos para rádio acabam por intensificar a exigência no entendimento, na interpretação, a partir da sensibilidade na apuração dos fatos. O apoio imagético consiste em impacto visual dissuadindo em fetichismo, entretenimento e elucubração. A clareza das palavras é o sumo da relação noticiosa. Vide a voz do coração.


O universo simbólico promove a representatividade dos veículos à margem das magnitudes de cada classe social. A verve educativa se incumbe de dar azo à repercussão imediata do conhecimento na formação da cidadania humana. A construção dos textos carece da simplicidade na criação com o uso do discurso direto, manobrado pela objetividade.


A interlocução relacionada ao tópico de emissão-recepção na linguagem, com a intimidade de diversos fatores econômicos, tecnológicos, comerciais, ideológicos, políticos e corporativos na adequação das diferentes maneiras de relação com o público.

Atenciosamente,
FILIPE BARBOSA

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Jazz aux Cinématèque (por Filipe Barbosa)

Il n'y a pas beaucoup des routes en notre vie pour accomplir notre rêve à travers des moment du total éloquence. Há momentos na vida em que devemos abrir mão das prováveis culpas na consciência para que se amplie o repertório. Um cenário agradável com a acolhida de amigos; ao fundo, o instrumental de uma música excelente à margem do improviso. É o convite para o executivo sem perder o popular. Essa história que vai ser contada passa pelo indispensável bordado de uma noite de sexta-feira em uma rua de Botafogo. O registro dispensa maiores apresentações. A tecnologia se encarrega de mandar o recado com o comando de nossos pensamentos. Uma banda eleva ao espírito a felicidade que se celebra aos poucos. A cadência decrescente da luz controlada em baixos lúmens pode ser comparada ao ritmo equivalente das nossas vozes. O que nasce na mesa ali ficou para não se deixar levar por más línguas. As linhas sinuosas do copo em seu reflexo condecoram o elogio que as nossas retinas proferiram. O jazz incorpora o novo e o tradicional em melodia onipresente, moderna face da voz musicada pelo capricho do saxofone, em sua aparição predisposta por diversas contemplações. O sujeito atravessa um feijão, amigo. E a sua acompanhante pede para que tomemos conta de seus pertences, à guisa do medo material. O preço disso é alto. A verdade é que lá parecia o nosso quintal. Numa dessas esquinas bem guardadas no lado esquerdo do peito. A prova de tudo isso é ocular. A dúvida do leitor acaba na convicção de que, mesmo na volta para casa, encontramos frestas de amizade para uma última parada. Ali pela estação terminal, sobrou esperança para mais alguns votos de fidelidade. Antes de qualquer coisa, a pretensão nem era essa. O combinado mora no intervalo entre o Aterro e a Muniz Barreto. O que fica é a vivência, em diversidade, na absorção do repertório. É quase meia-noite e já passa da hora de ir embora. A ausência de informação cria asas nas chances imperdíveis. O moral reluz na alma de suburbanos cortejados pela pausa que a semana deu na rotina. Sorte a nossa!

Arquipélago de Provações(por Filipe Barbosa)

Essa é daquelas sensações que você só tem na estreia. A novidade é o encontro com os gestos inesperados, com a voz no ouvido. O elogio é a proposta mais aguardada no folhetim; a crítica, o pedido por transformações. E nesse desespero mora a alegria angustiante da responsabilidade despropositada. A calma daqueles abraços amplia o prazer, apesar do precipício se disfarçar de poço profundo, conforme a música.
A varanda esmaecida é um convite para a reflexão. O silêncio da chuva acrescenta à luz um tanto da espontaneidade despida de obrigações. Ainda mais: impressiona o sincretismo da roseira, que, ao desvelar os espinhos e as pétalas, confessam o abismo e a tentação para o observador.
Aquela passagem secreta pela porta dos fundos nunca mostra uma saída definitiva. Ela entrega a polêmica do conflito. Um dilema é o passaporte para o (des)encanto, nos mínimos detalhes. A gosto do freguês. Um pingo da tinta preferida alude ao conforto inverossímil do agrado. E olha que a aquarela é fonte abrangente de fascínio, uma vez que a simbiose de cores mostra as áreas infinitas onde podemos flutuar.
A modernidade apresenta a plataforma indescritível dos versos que nunca foram compostos. O progresso é uma estrada perigosa, a questão de escolha compensada pelo esforço da concorrência. Uma roleta-russa de poucas certezas. Simples constatações. A vida é uma ciranda de aprendizados com a repercussão indispensável à formação da experiência.
O pensamento humano se incumbe de contornar as pretensões esporádicas do cotidiano com a determinação. Contrariar a lógica dependeria necessariamente do raciocínio? A natureza cognitiva pede ao intelecto. É preciso destituir o convencionalismo para trazer paz à alma e equilíbrio para o coração. Os desejos são as extensões do livre-arbítrio em comum acordo com a recíproca da consciência. A confirmação da vontade é o primeiro passo para o alcance do bem.
E onde está escrito que não se pode errar? E que tudo sempre vai dar certo? Isso só serve para nos alienar da verdade. A contumácia é o cálculo fiel do escritor na exacerbação de suas convicções. Sem tirar nem por. O fio de navalha no peito dilacerado derrama gotas da afirmação da dor. Poucos descobrem que isso significa a distância exata entre a imagem e o espelho.
A curiosidade circunda pelas brechas dos momentos comuns de dois. Viver é melhor que sonhar. As alternativas são as rotas prediletas do equívoco, costumeiro por dignidade. O tempero a mais na sopa de letras é a quebra do paradigma: a sombra fresca à beira do riacho, um banho de cachoeira, o aroma do bolo na fazenda, o canto dos pássaros no interior (de sós mesmo).
As frases de um poeta ressaltam a clareza preciosa da lápide manual. Talvez, a partir dessa provocação insistente, Vinícius de Moraes evidenciou pensamentos tão verdadeiros (expoentes) concordantes nas seguintes afirmativas: “A hora do sim é o descuido do não... Sei lá, Sei lá... A vida tem sempre razão.”

sábado, 15 de agosto de 2009

Pecado Original

Novos encontros acolhem o medo da estréia num tórrido desespero, entretanto, assim mesmo, se repercutem em outros braços. A pedra que havia no meio do caminho se esqueceu de ser lembrada à margem do compasso do criador. O devaneio é o intervalo entre o desejo e a loucura, no instante da troca, perfeita em sua intensidade.


Aquele território de segurança em que o passeio parecia lúdico vai deixar saudades. E já era. As pétalas de rosas chá fazem parte do feitiço impregnado pelo excesso de vontade. Um abscesso corrói o íntimo com a mesma certeza da água que em algum momento contorna o obstáculo. A vida segue seus rumos e desta maneira se aprende que não há tempo para ensaios. Talvez aí esteja a graça, que a espera não paga.


A fortaleza passou a ser um castelo de areia tão destrutível e frágil como um filhote só em seu ninho. Incólume dor da incerteza. É perene a perspectiva da eternidade. O fio da meada jamais existiu e, em caso de dúvida, favor procurar a agulha no palheiro. A tola voz do coração escancara a porta da rua em gritos públicos de destempero. A visita por que se esperava tem consulta marcada e deixa tão logo de ser a companhia com quem se poderia dividir um ideal.


Bisbilhotando o horizonte é possível vislumbrar a insubstituível missão do recomeço. A posse se transformou em lembrança. O vinho virou água num piscar de olhos. E o prato principal não deixou a desejar a qualquer das sete maravilhas. O tom de agora é de afirmação. E do desvelo dos erros, nas faltas de critério, na dispensa imotivada, no uso indevido das palavras, no contexto desapropriado onde tudo ficou imerso.


Um abismo se firmou como monumento dos 40 anos passados. Oceano profundo de ilusões, das prisões imaginárias, do zelo desmedido, do amor sui generis, com a prova da fina mistura em que a vivência terminou num repente. O fim dos dias se consolida na cegueira que a ferida deixou, sem cicatrizes. Incontestável premissa da razão. Por mais que não fechemos os olhos para a bobina da realidade, os efeitos, em certo prazo, serão consumados.


Silvos intermitentes manifestam um solavanco no peito alado. Divagar pelos ares mais de nada adianta. Um pensamento revida a ação em sua conjectura própria. A entrega dispensa comentários, quando o descanso da mão companheira sobre o meu colo agasalha o coração como luva de pelica. E as emoções foram pinceladas a esmo por uma aquarela encantada, à beira de um ataque de nervos, dançantes no palco da paz.


Os segredos devem estar guardados a sete chaves, em páginas viradas, disfarçadas no sorriso desbotado de meias verdades. Descartados os valores mais puros que, ditos, propuseram uma falta descontente aos olhares concorrentes, indisponíveis ao crédito da procura incessante, o imediatismo recorrente ao conhecimento humano, complexo em cada destaque do pergaminho guardado debaixo do travesseiro e lido toda noite, em forma de delícia em uma prática com o caráter de compromisso com o âmago, na câmara indiscreta dos convivas.