segunda-feira, 27 de julho de 2009

"E agora, José?" (Carlos Drummond de Andrade)



O processo de formação da atividade jornalística se estabelece através da interação dialógica de partes provocantes, no que se relaciona à capacidade de questionamento acerca da realidade mundana, predispostas como sujeito e coisa na superfície de percepção do conhecimento.

A história do exercício profissional percebeu, ao longo de seu curso, inúmeras perspectivas e circunstâncias que mostram a complexidade de sua existência. Para ser atuante no segmento das ciências humanas, é importante ter um olhar crítico diante dos momentos engendrados pela evolução (involução) da sociedade, em tempos onde a modernidade observa a crise do lucro como fator predominante ao estado de alerta.

É importante ressaltar que a informação traduz, à luz da concepção humana, um leque de interpretações, no âmbito da lógica disponibilizada a partir do simbolismo e iconicidade convencionados à linguagem e aos hábitos, bem como às crenças repertorizadas no universo imaginário. O fluxo de notícias é fruto da avaliação significativa dos acontecimentos, fato que desobriga a necessidade das exigências acadêmicas, que se fundem no cumprimento dos requisitos legais instituídos legitimamente no campo social.

Vale frisar que em determinado período da caminhada política e da trajetória da imprensa, em plena ditadura, a voz da expressão e a liberdade de conscientização foram coibidas em aceno claro de repressão opinativa. Os militares se sobrepunham aos ideais estudantis, transformando o livre arbítrio em rédea curta.

Os veículos de Comunicação, por sua vez, sempre tiveram papel fundamental na questão dos interesses comerciais e financeiros, no que tange à persuasão político-ideológica, bem como ao culto em prol do entretenimento. A Indústria Cultural não carece de modelos “inalcançáveis” de produção intelectual, haja vista o estereótipo do sujeito pós-moderno se desvencilhar de toda e qualquer proposta nesse sentido. Em contrapartida, a transmissão de cidadania e de criticidade solicita aos mecanismos de ensino o grau mínimo de estrutura, em cujas raízes não encontra solução.

É válido acrescentar que, conforme rege a Constituição Federal de 1988, todo cidadão tem direito à liberdade de expressão e ao respeito de resposta, motivo que calca e enfatiza as atribuições de comunicador a qualquer habitante de nosso território capaz de negociar ideias. Afinal, será que a sociabilização depende, necessariamente, do vínculo educacional nos trâmites da frouxidão democrática do Brasil? Será que, para a execução do pensamento na coletividade, é preciso que paguemos pelo ensino em sua base ora deficiente?

O uso ideal do raciocínio na apropriação da voz da sociedade deve ser visto como premissa para a ação de um jornalista, independente das requisições antes previstas. A queda da lei de imprensa e a não-obrigatoriedade do diploma, decisões impostas pelo Supremo Tribunal Federal, passam longe de quebrar os paradigmas da profissão, pois a extenuante manipulação de fontes é o desafio indispensável ao cerne do Comunicador Social.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Caranguejos na lama praticam antropofagismo?

“A nossa independência ainda não foi proclamada”
Oswald de Andrade
Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928


Em sete de julho de 2009, Michael Jackson ,astro do pop, será sepultado em rede mundial.Segundo nota no jornal Folha de São Paulo, portais eletrônicos especulam se o evento “derrubará” a internet, conforme ocorrido no dia da morte do cantor, quando o site de buscas Google registrara indisponibilidade no acesso a internautas. No mesmo dia, em matéria da própria Folha, a página do jornal Daily News atingia o número de 21,3 milhões de acessos, na cobertura dos desdobramentos desde o chamado para a emergência médica no Rancho Neverland,de propriedade do artista,até a divulgação precisa da hora de seu falecimento.
Aqui no Brasil a cobertura é extensa : jornais impressos, rádios, sites de noticias, canais de televisão e demais representantes da grande mídia divulgam notas sucessivamente, buscando cobrir o que parece ser o maior evento mundial do ano contrastando com a divulgação do resultado das eleições norte-americanas no fim do ano passado e firmando seus propósitos na busca desenfreada de mais informações pelo público.
Ao que se justifique informar a perda de um dos maiores símbolos da música intitulada “popular” mundial em seus quase cinqüenta anos de carreira e de contraditórias atitudes, sempre sob os holofotes da mídia, salta aos olhos o confronto entre os produtos da indústria de entretenimento avidamente absorvida em bits e pixels sites afora e o quase total desconhecimento do universo brasileiro frente ao que realmente suscitaria a alcunha de “pop”,feito pelo povo, no caso o nosso.
“Nunca fomos catequizados Fizemos foi carnaval”.
Oswald de Andrade


Já em 1928, o manifesto antropofágico de Oswald de Andrade, mesmo germinado nos mais privilegiados berços da elite paulistana, conclamava a produção de cultura de viés próprio,original, reconhecendo a influência direta das vertentes externas, mas conclamando a uma tomada de consciência sobre o processo de absorção de conhecimento.Para isso devorar, pregava, o que de bom lhe aprouvesse, regurgitando novas formas de expressão e percepção de si e da realidade. Hoje, afora as aulas de literatura e linguagem, antropófagos e seguidores dormitam perenes no esquecimento nacional.
“Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval’.
Caetano Veloso,Tropicália.


Mais tarde, na década de 60, as águas da música popular desaguariam nos trópicos, sob o leme de Caetano Veloso, Gilberto Gil e os mutantes, resgatando em suas embarcações os canibais paulistas, trazendo as cores da experimentação estética e cultural.
Sem renegar a guitarra do rock, os tropicalistas propunham um tempero nacional: a miscigenação de regionalismos e elementos internos, como o forró e o folclore, “girando na roda-gigante” de ritmos nossos e compondo uma palheta de infinitas possibilidades.
Era a transformação do espectador em agente pelo reconhecimento da própria identidade brasileira, sincrética e plural, tecida nos fios da renda nordestina, com o tingimento de séculos de colonização européia e, por que não, indígena e africana.Como diria Caetano, ”não entendemos nada”.A vanguarda virou dialeto para pequenos grupos de discussões teóricas, rompendo com a base popular e generalista.Virou item de enciclopédia.
“E toda fauna flora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arte”
Nação Zumbi-Maracatu atômico


Se de todo desprezados os manifestos e os projetos de construção de um discurso nacional, apoiado na produção cultural do Oiapoque ao Chuí, foi na lama,mais precisamente no Mangue,que os antropófagos retornaram à vida.Em 1994 era divulgado o manifesto “Caranguejos com cérebro”, precursor do manguebeat, ecossistema dos mais ricos do planeta e que gerou nomes como Chico Science e nação Zumbi.
Sob o estandarte da “parabólica na lama”, os mangues boys buscavam inundar as artérias de Pernambuco e do mundo com a expressão da mais pura música popular brasileira, em ritmos como o maracatu, o frevo e o carimbó, germinada sob as influências do contexto geral ,mas sim, com consciência e método, costurando em retalhos, culturas diferenciadas mas de igual e reconhecida importância :nós , os caranguejos tupiniquins e eles, resto do mundo.
Se portadores de uma mensagem de construção comum, os “manguetowns” não conseguiram acessar as grandes artérias da cultura nacional, destinada tão somente a absorver o fácil , rápido e breve. Permaneceram em guetos, como seus antecessores da tropicália, enquanto a metrópole se tornava a babel midiática em que todos se entendiam porque na verdade não havia nada a dizer.

Hoje, a cena cultural curva-se ante o cenário cibernético.Rompendo fronteiras,deitando por terra legislações de proteção ao conteúdo intelectual e firmando um novo pacto entre público e artista, a internet é o grande agente catalisador dos movimentos artísticos interativos, que o escritor Ferreira Gullar, autor do manifesto neoconcretista de 1959 e uma das influencias do tropicalismo, chamaria de “não objeto”, ou seja, a construção do sentido e da própria existência do objeto artístico ocorre no contato, no processo entre emissor e receptor, exigindo a ação deste ultimo, na produção de conteúdo relevante.
Mais do que espaço onde dizer,é preciso ter o que dizer, reconhecendo no fenômeno da globalização tão unicamente o propósito de estabelecer diálogos entre culturas e reafirmando o contexto da comunicação como o evento de construção de sentido entre partes que se posicionam como agentes. Mais do que um discurso amplamente divulgado,é necessário que se ergam inúmeras vozes e que sejam como tais reconhecidas:plurais, complementares, legítimas,brasileiras.
Resta aos herdeiros dos canibais tupiniquins escolherem se, na selva pixelizada dos dias atuais, se optará pela caminhada pelo espaço infinito de expressões humanas onde figure em igualdade de condições a nossa, ou se iremos em carreata, acompanhar o funeral em carruagem do cantor americano como zumbis pertencentes a túmulos da nossa própria consciência, na referência ao mais famoso videoclipe do artista, este sim, amplamente divulgado pelos meios de comunicação.Os caranguejos continuam a chafurdar na lama, ao sol do nordeste,esperando pelo dia em que, trazidos à tona, passem a existir para o público em geral.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Os tributos a Michael Jackson (In Memorian)

Em poucas horas, mais de um bilhão de pessoas assistirão à despedida do maior astro da música internacional de todos os tempos: Michael Jackson (MJ). Seu corpo será novamente produto para as capas de jornais conceituados e tablóides sensacionalistas. O Shopping Staples Center, em Los Angeles, onde o filho mais novo da família Jackson fazia os últimos ensaios para a turnê em Londres, se transformou em seu memorial.

Aos vinte e cinco dias de junho de 2009: na tarde desta quinta-feira, o coração do cantor se cala, após uma parada cardíaca. Segundo publicação do site oficial do jornal Los Angeles Times, o oficial Steve teria dito que, ao prestar socorro imediato, percebeu que ele não estava respirando. Ele chegou a ser socorrido em sua residência e fora levado às pressas, inutilmente, ao hospital UCLA Medical Center.

Os jornais do mundo inteiro destilam notícias ao (dis) sabor da “contemplação” do acontecimento que, ora tão particular, em se tratando de uma unanimidade de repercussão indiscutível, tanto pelo talento quanto pelos rumos patológicos, que a vida traçou em seu destino. De fato, era uma pessoa ambivalente. Afinal, o que a mídia deveria fazer? Ignorar?

Michael Jackson era um artista completo: intérprete, compositor, diretor de suas produções artísticas. E era, da mesma forma e com tanta intensidade, um ser humano polêmico. Seu sucesso veio à tona quando começou carreira solo, no final da década de 70, logo após seu desligamento do grupo regido pelo pai, Joseph Jackson, também empresário: Jackson Five.

Os veículos de comunicação de massa abusam de negociar discurso em nome da astronômica habilidade da estrela estadunidense em causar impacto com suas decisões públicas: fez de sua vida particular um parque temático de diversões, o conhecido rancho Neverland, em cujos limites ele impunha as rédeas controversas que não teve em sua infância. Além disso, recebeu, ao longo de sua trajetória, inúmeras acusações de abuso sexual a menores de idade, envolvendo a sua vida particular com seu patrimônio profissional. É mais um exemplo crasso da Indústria do Lucro.

A Indústria Cultural sempre fez do ídolo, à beira de sua imagem carismática e de seu desempenho esplendoroso, uma marca que reproduziria um estilo a ser seguido pelos jovens, tornando-se produto fonográfico de alta qualidade e reprodução midiática com a credibilidade do potencial artístico e comercial inconfundíveis.
A morte "precoce" do Michael já vinha anunciada desde a sua declaração de dependência a analgésicos. Ele pregava a sua mutilação por conta da neuropatia, refletida em sua própria análise do rosto diante do espelho, que o pai disseminou, a partir de suas perspectivas perfeccionistas e infundadas de cunho étnico.
Cumpre ressaltar que MJ sofria com as agruras do pai desde criança, uma vez que a disciplina chegava ao radicalismo, na aplicação de regras que, se não fossem cumpridas, seriam castigadas com surras declaradas pelo mesmo Joe.
Realmente, o significado da passagem de MJ traduz a afirmação de sua dor, explicada na trágica decadência de sua carreira, mediante os seus extensos conflitos psicológicos e a eterna cobrança que a imagem comercial lhe exigia, até porque já estava afastado dos palcos há certa feita, muito embora o legado sonoplástico represente uma obra-prima, cuja atualidade permanece intocável.
A doença psíquica do Michael e a sua excentricidade na condição de pessoa pública formavam a dicotomia que o transformariam num anti-herói dos tempos modernos, à margem da conseqüência de suas próprias magnitudes. Outra questão a ser abordada é sobre o compromisso ético da equipe médica que receitava os medicamentos à base de morfina, um deles de nome Demerol, cujo uso teria sido feito por Michael de forma indiscriminada.

Até que ponto chega a responsabilidade de um médico no pronto enfrentamento de seu exercício profissional com a premissa pela vida, tomando como ponto de partida um paciente que já teria declarado publicamente sua dependência de remédios? Onde entram as medidas legais na investigação da morte do artista?

A cerimônia familiar, conforme divulgara a cadeia televisiva CBS, acontecerá no cemitério Forest Lawn, nas colinas de Hollywood, em uma reunião íntima de amigos e familiares, por volta das 14 horas, no fuso-horário de Brasília. O memorial, provavelmente, não terá o corpo de MJ, mas levará consigo, em forma de tributo, o delírio de aproximadamente 17500 fãs, que acenaram à bagatela de até R$ 40 mil por um ingresso em nome da crença do último espetáculo do ícone que encantou multidões, é recorde de vendas de “Thriller” com 41 milhões de discos mundialmente reconhecidos: um popstar digno de grandes ocasiões.

Sem Temer o Futuro (STF) por Diogo Martins

Mais uma vez, a mídia brasileira criou um rebuliço na sociedade, dando maior gravidade a um assunto que não deveria ter tanta importância nem espaço nos veículos de comunicação. A bola da vez foi a queda na obrigatoriedade do diploma de jornalismo para exercer a profissão, expedida pelo Superior Tribunal Federal (STF).

Agora, a pergunta que muitos fazem: o que muda daqui pra frente? Bem, nada. Na verdade, por mais importante que seja o STF, essa decisão é irrelevante. Isto porque o que valerá em diante é a postura dos veículos de comunicação. Suas políticas de contratação e trabalho.

Assim como no Brasil, nos Estados Unidos, não é obrigatório possuir graduação para exercer a prática jornalística. No entanto, o The New York Times contrata apenas os que possuem o diploma.

Mas o que de fato deve ser analisado é a migração de profissionais de diferentes áreas de estudo para o jornalismo. Para o jornalista e escritor Nilson Lage, como publicou no livro “Reportagem: a teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística”, a mudança acarreta numa perda social. Na publicação, Lage cita como exemplo um físico quântico. Dada a significância à profissão, se o físico desiste de fazer novas descobertas, de aprofundar-se em sua matéria, para produzir textos jornalísticos, a física perderia e a sociedade também.

Os argumentos de Lage podem ser verdadeiros e pertinentes. Mas deve-se dar tempo ao tempo para que questões como essas sejam mais bem analisadas. Afinal, o que não faltam são exemplos de profissionais que desistiram de carreiras para seguirem no jornalismo, desempenhando a função de maneira exemplar. E, ao final de tudo, o mercado não acolherá profissionais desqualificados.

sábado, 4 de julho de 2009

Azeite e Orégano

Aglutina, acompanha, aproveita, acredita!

Barbariza, brinca, beija.

Cuida, cresça, conforta.

Desperta, destoa, divirta.

Encanta, escolha, expira, et coetera.

Fala, frisa, faça.

Garanta, gradua.

Harmoniza, habita; haja motivos!

Insista, incondiciona, inflama.

Justaponha, joga limpo.

Luta, liga, livra.

Mova, mistura.

Nomeia, namora, ‘novembra-se’.

Ousa, ouça.

Persista, proteja, projeta.

Qualifica, queira.

Ressalta, revira e ratifica.

Seduza, simula, salva.

Trata, tenta (até conseguir!), termina.

Una.

Vá, volta, viva...

Xi!

Zuna, zoa, zomba dos problemas, que a vida é curta demais.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Intitulado


“Ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter uma voz reconhecível dentre todas as outras.”
Mário Quintana

A criação é o fruto maior de nossas pretensões. O legado que se deixa faz das experiências artifícios necessários ao crescimento, mesmo que outorgado. A vida se eleva ao patamar de sublimidade quando se põe em xeque uma decisão inoportuna. Os desafios carecem de obstáculos, tamanha a riqueza de todo o processo.
Uma obra de arte se espelha no olhar do autor para que nasça, seja por sentimentos ocultos ou por sacramentos do coração. O formato de seus apensos é a cristalina essência de seus desejos; por mais que tente esconder, as brechas estão abertas para que a interpretação, ousada, seja partilhada com a 'irmandade'.
O corpo dos textos, apelo uniforme do pensamento, corrobora o livre arbítrio do poeta diante das circunstâncias amostradas. Para o leitor atento vale frisar que o título nada mais é do que a cereja do bolo, inquietante suspiro da alma, indicando de forma simbólica os índices do desespero das palavras, no que se relaciona ao paradoxo entre razão e emoção (ele carrega de forma bem clara os limites entre a origem e a pulsão pela continuidade do sonho literário, tamanha nobreza há nos recônditos daquelas opiniões).
Há chances nessa caminhada para o tombo, pois nenhuma história recorre aos ensaios. Mas, na hora da queda, em quem se esquivar? A liberdade de expressão condiciona o homem ao fascinante propósito do recomeço, onde se reconhece o verdadeiro sentido do seu significado, na identificação dos prazeres com a responsabilidade ocidental.
A manifestação do conhecimento é a escolha aquiescente ao limiar entre nosso mundo sensível e o inteligível. As letras se perdem na proeza que é o mosaico de oportunidades revestidas em grãos de areia. A vigília às pegadas é a maior missão, observando sempre o jardim ao nosso redor, regando as flores e plantando mais sementes... “Há males que vêm para o bem.”

terça-feira, 5 de maio de 2009

Taberna das Ilusões

Lá é a morada dos sonhos. Como se fosse o palco extraordinário, ainda que nos mostrasse sempre a estreia de nossos ideais. Aquela paz, estimada brisa sobre os olhos fechados, à beira do horizonte de nosso silêncio, pedindo veementemente que o tempo demore a se recolher e que as lembranças não se esqueçam jamais.
Um pedaço de terra e o encanto de cada dia, mais novo toda vez. O símbolo é a pegada que deixamos a cada passagem e o retorno é mesmo a confirmação da saudade. Lá celebramos o amor, a vida, a saúde do corpo e da mente, o beijo inesquecível, a calma do mar, a expiação do mal que impregna os homens, além do apogeu de espírito na fugacidade dessa caminhada.
O espelho do mar é o índice da lógica humana presente na razão natural das coisas. O coincidente reflexo da luz do pensamento faz de nossa existência a entranha mais profunda e enigmática de todos os prestes seres. A preparação força o ânimo a desviar da incerteza e transformar a ignorância em lucidez. Cada contato esconde o poder quase perturbador da solidão.
A vida não deixa brechas para o reaproveitamento das oportunidades. Um lance é único em sua ocasião. E nesse vivenciar proporciona acontecimentos indescritíveis em sua cadência ao histórico de um acontecimento. O repente surpreende a forma visceral do amor e despeja de sopetão as pinceladas intensas da caudalosa experiência embutida na maturidade dos anos a mil, sem eiras, na precisão do universo imaginário.
O segredo do abismo é o medo do fim. Não se espera outra revelação distante da morte. E o revés seria o milagre: renascimento. Dupla face do destino na amostra do livre arbítrio. O resquício de alívio está contido no desperdício do calabouço da ousadia; os riscos são as fontes intermináveis da honra e destreza no nicho das espécies coletivas.
É a verdade da vida. Videiras varrem as ruas, volta e meia, velando o nosso descanso e vidrando o cansaço inalcançável da atividade rotineira em seu repertório espontâneo. Sopro de pressa alerta solo sereno em fúlgidos campos, na fortaleza desse teu abraço estonteante e na alegria da certeza de tua companhia. E nada restou de tamanha comoção...
Sonhos procuram nosso íntimo nas profundezas da inércia. Cinco novas sensações se aviltam em meio ao orgulho da posse indireta de tuas manias em maneiras. E o ocaso não guardou a oportunidade de castigar o esquecimento da nobre causa.
O sabor do beijo é doce e espera a maciez do momento para não trepidar detalhes. O acordo entre as partes reincide na alegria e no respeito de suas atitudes. O estreitamento dos laços incorpora o vigor suficiente para a lucidez da paixão. O relicário do alvoroço na estreia das entrelinhas, com os acordes múltiplos da indiscrição corporal, modifica o cenário fugaz de nossa hesitação (excitação), a priori instigada pelo poder de nossas vontades e escolhas.
Chances próprias se perdem na interminável perplexidade proveniente das vicissitudes cotidianas; o rancor arraiga a devassa e esperançosa contenção do alívio alheio, desviando a colheita dos frutos sadios no jardim da saudade. Leviandade abrupta e sincera.
A sorte aparece como raro trunfo na trajetória do erro. É como a agulha no palheiro, tanta camuflagem do que a verdade possa nos mostrar que, até mesmo a sombra, esconde, sem querer, a inconfortável angústia pela vitória. A garantia prova o esforço na fonte “despedaçada” dos moldes “intactos” de singularidade na história de dia após segundo... A impressão é o que fica insistentemente doce. Lá não é local de acordar.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A olhos vista

Uma obra de arte não se compreende em meros lances de sorte. A vida recria o milagre da existência na eventualidade sorrateira do destino. Quem espera nem sempre alcança, se no meio do caminho perde a razão em questionar um argumento corrompido.
O óbvio é a cautela na passagem do tempo pela presença da tal da paixão inesperada à beira da estrada. À margem de qualquer sombra de dúvidas. Distante do conhecimento, de causa, de verdade, de si mesmo. A lucidez brinca com as nossas sensações ao receber os estímulos de prazer na ousadia da controvérsia.
O contraponto é esperado na medida do exagero da anteposição dos contrastes, no desvio de atenção pelo sopro do vento ou, ainda, a sombra da chuva esquecida do silêncio maculado.
A felicidade é o estado de espírito, contencioso em sua alegria desesperada de tanto se guardar, para a pessoa e momento certos. O dia brilha em alto e bom som, na melodia daquela simples canção do outono passado. E o segredo nunca deve ser contado. De que vale a mais preciosa amizade se o detalhe se perde em meio ao absurdo da precisa escuridão?
Engana-se aquele que aguça em sua vivência a ininterrupta paz do coração... O sonho é a elevação da alma a uma espécie de estágio superior. O resultado é o produto das circunstâncias no cruzamento do amor com a vontade agraciada de saber, à altura da possibilidade de vitória e desenvolvimento da forma plena de manifestação do outro, espelho revolto da incólume delícia que se demonstra na evolução do espírito no alcance do interior, destituído de presunções, precauções, apenas a intensa face da serena amplitude do verbo poder.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Coluna:Cinema .por Alexandre Bizerril

Eu não sou pixote
“Bom dia, boa tarde e boa noite!” Hoje vou comentar sobre um filme que passou no domingo, dia 15/03/2009 – mais precisamente na TV Brasil. “QUEM MATOU PIXOTE?” de José Joffily (DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA) de 1996, com Cassiano Carneiro (Fernando Ramos da Silva / PIXOTE), Tuca Andrada, Joana Fomm, Roberto Bomtempo, Maria Luisa Mendonça, Luciana Rigueira, Paulo Betti, Antonio Abujamra.
O filme conta a história de Fernando Ramos da Silva, um rapaz que quando criança, foi descoberto na rua por uma produtora e interpreta o personagem titulo do filme “Pixote – A lei do mais fraco” de Hector Babenco e depois da fama meteórica como ator mirim, não consegue mais emprego. Para ele, a única saída é entrar no mundo do crime, ou seja, se tornar novamente o “Pixote”, apesar de relutar contra o estigma da personagem que nunca foi esquecida quando as pessoas o vêem.
A falta de emprego para os jovens que não possuem experiência é apenas um dos pontos a serem analisados no filme. Um momento bem interessante do filme é quando o Fernando é preso pela primeira vez e as pessoas e os jornais relembram a participação dele no filme e simplesmente o detetive o expõem as câmeras no pior momento dele, como se fosse um animal que foi capturado. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, pois o filme é baseado em fatos reais. A visão nada romântica da vida de crimes, que apesar de ter dinheiro fácil o marginal paga um preço por isso e que na maioria das vezes não é tão barato – a liberdade ou a morte.
O filme tenta ser lúcido e trazer questionamentos para quem o assiste com um olhar um pouco mais critico em relação à sociedade. A idéia é provocar, e não trazer respostas fabricadas por uma industria do prazer onde é “lindo” ser bandido e falsificador, como no filme que foi passado pela TV Globo na terça-feira passada. Um filme que para se desculpar com quem o assistiu, diz ser “inspirado” em fatos reais. Ou seja, uma boa desculpa para não passar os piores momentos de um criminoso que não esteve “tão bem” o tempo todo, como é passado no filme inteiro.

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

Que atire a primeira pedra,quem pode,no alvorecer da pós modernidade,gabar-se de sua ética inabalável,ante os percalços da vida?Quem pode olhar para si e para os outros e ter a certeza de fazer exatamente o correto, o que de melhor poderia por aquele que esta ao seu lado?
Quem não treme de medo, ante a entrada do homem esfarrapado no coletivo, acompanhando seus passos com os olhos,aguardando o momento em que anunciará o assalto e que cala-se envergonhado quando este lhe pede um trocado,uma moeda para pagar o remédio ou o prato de comida?
Aquele que não duvida do menino no sinal , a efetuar malabarismos com seu corpo franzino,aguardando avidamente que se anuncie a aprovação ao espetáculo,traduzida em moedas de dez e de vinte, com a qual comprará seu café da manhã de ontem,mas será mesmo que esse dinheiro,que transborda e se perde nos nossos bolsos, vai virar lanche,ou virar cola,ou quem sabe pior,vai saber meu deus o que ele será capaz de aprontar?
Qual o cidadão respeitável,não acompanhou impaciente, o show dos malabares,ou o desfile dos cadeirantes, com um olho na janela e outro no sinal?
Voltamos nossos rostos para coisas mais apresentáveis,vitrines lotadas de produtos onde também nos exibiremos, catálogos coloridos onde persistem promoções até o infinito e que serão com certeza a garantia plena de nossa total satisfação até o próximo segundo?
Não pensamos no outro como a um igual porque somos únicos em nossos anseios e necessidades e não somos responsáveis pelos desmandos divinos.Divinos?
Somos nós que permitimos a cada ação,a cada escolha,que a segregação se perpetue,em nossa cela dourada,onde subsistimos em regime de fome,aguardando que a propaganda nos entretenha e traga a felicidade,em embalagens transparentes.
Somos nós que nos isentamos de culpa, a cada não que damos,quando nos esquecemos que também somos o outro,do outro lado do cano da arma ou da janela, na contramão do olhar que desviamos.Também dependemos da compaixão alheia.Em algum aspecto,somos todos indigentes, adoentados e perdidos, recolhendo os restos de nossas verdades,enquanto assistimos ao desfilar de nossos conceitos,destruídos ao chão ....Família,respeito,afeto,compaixão,são entidades tão esotéricas quanto distanciadas de nosso cotidiano,uma vez que estamos ocupados demais...
Que nos importa o flagelo alheio se nos abstraímos da nossa própria dor,pois não voltamos nosso olhar para o que de fato somos,humanos?Antes,buscamos perceber no reflexo turvo do espelho mais próximo, aquilo que acreditamos ser,deuses,incapazes de cometer alguma injustiça e passiveis de todas as bênçãos,por que somos incomparavelmente perfeitos,impassivelmente cegos e desmesuradamente surdos,tal e qual estátuas de bronze expostas na calcada,buscando a admiração alheia que nos eleve o brilho falso de nossas virtudes enquanto ao interior,uma massa compacta de gesso fragil,comprime-se com nossas subjetividades reprimidas tao fundo que nao mais as enxergamos,ate que esquecamos de quem somos.Mas quem somos?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A busca pelo divino

Da emoção que aflora,na busca pelo que lhe é vital,seja nos bordados da fantasia,no grito que fica na garganta ,no eco das músicas de carnaval e nas lembranças,bagagem de sentimentos que dão origem a tudo o que se é,ainda que não se tenha consciência disso..Mas afinal o que nos move enquanto indivíduos,na ânsia de vivenciar uma paixão?
Do grego pathos,doença,apaixonar-se era para os antigos,contemplar o divino,na figura dos deuses do olimpo,atribuindo-lhes perfeição e devotando-lhes gota a gota cada minuto da existência.
Para a ciência,a paixão é a transferência para o outro de traços da própria personalidade,idealização,devoção,resgate de dores profundas pelas mãos daquele que o salvará do desconhecido de si mesmo,do mergulho nas próprias profundezas,sem saber onde terminará o caminho...Olhar para o outro,antes de olhar para si,compensar as próprias fraquezas na imagem narcísica de um objeto de desejo ,impossível posto que irreal,mas infinitamente belo aos olhos daquele que se deixa seduzir,uma vez que encerra a magia criada pelo próprio sujeito que o adorar...
Mas à lógica não cumpre explicar a necessidade humana de reverenciar o belo,das mais diferentes formas,tendo a arte como projeção essencial e a paixão como movimento...Ela é a respiração dos corpos,na evolução da dança,é o grito da torcida no momento do gol,é o toque das mãos no calor da luta,é a conjunção de palavras na oração,é o reflexo das cores na retina,é a composição de sons,na percepção da musica...é,antes de tudo,a busca de um sentir que vá além, que alcance o inimaginável,percorrendo distâncias infinitas,na imagem que se contempla ou na expressão dos sentimentos...Apaixonar-se é antes,a busca do divino no interior de si mesmo,construindo laços de significado que vão trançar-se não somente ao tangível,mas ao impalpável ...É tocar os céus,é grito de dor e êxtase,é lançar-se a mares desconhecidos,é interromper o curso do tempo, é atrever-se ao sim,contrariando o não do mundo,é tornar-se parte do absoluto e indecifrável mistério de existir.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Voz no Ouvido

Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 2009.
Pelo nascimento de meu afilhado Gabriel, cujo nascimento proporciona tamanha alegria. A ti, com imenso carinho:
É a corrente da vida. Tantos corações pulsando ao mesmo tempo, com aquela certeza que só os olhos comportam. O fruto é singelo e mostra sua força no sorriso despretensioso pela chegada de um ente querido. Novos laços. Ao pensar nessa conjunção, faz-se a voz embargar as palavras. Basta a felicidade: o significado da união vale a apreciação do destino. Traços sinceros resgatam a responsabilidade, ora inexistente, daqueles que devem ter cuidado, agora, pelo resto de suas existências.
A necessidade faz a hora. As experiências caçoam da gente, mostrando que deste plano nada levaremos. O que fica é o cheiro da surpresa, o momento dos encontros e o bem-querer.
A canção da vez é a de ninar. E que a nossa presença permita a configuração de parte importante de teu berço. Teus olhos fortes reparam um mundo próprio, inédito ao conhecimento, que requer na paz tua maior motivação.
A saúde é o principal estímulo para a renovação de nossos conceitos. Naquela tarde de janeiro de 2009, o céu estava azul e intenso, como se abrisse espaços para a sua chegada. Aos meus passos longos se unia a vontade de vislumbrar essa luz que te protege. Não havia neste dia 30 algo que me fizesse mais feliz. É uma recompensa de Deus.
Que o sabor de sua jornada se fortaleça através de nossas preces, antes mesmo que possamos dizer a ti o quanto é amado e querido no meio de nós.
Do padrinho "dindo" Filipe para Gabriel.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Marcha à Ré

O repouso de cada um se confunde com o sabor amargo de uma derrota. O retorno da pista são dois passos atrás no caminho de nossos pés. Nada nunca foi tão igual à ausência de mim. Meus apelos congelam cenas inéditas perto de um final feliz. É o pretérito-mais-que-perfeito. Sobras de sonhos na imensidão das expectativas, uma ronda de inspeção pela nossa euforia, a audácia encontrando a ousadia. Tons interferem na distinção da retina: as cores padecem na eternidade de um céu azul, símbolo da pureza, expoente da realização crepuscular de dias porvir. Depois da tempestade vem a bonança.
Não há espaço para o quase. Sem querer esqueço os segredos, guardando-os seguramente em ti. Semeando promessas. A intuição processa todo o som da saudade no silêncio do vento. A natureza é a maior prova de que não estamos sós. E a chuva aparece como predestinada a contornar toda a inquietude de nossas evidências. Depois dela, nos espanta a calmaria. As sombras aumentam nossa discrição, com as correspondências impiedosas das amostras de nossos sentidos. O sopro é a marcação inusitada do desconforto. A malícia atravessa a rua pedindo passagem sem olhar para trás. Mal sabe do perigo.
Os sons da praça central entoam a obediência, escalam a disciplina como expediente próprio de cada aula da vida que se conta presente em uma esquina. Os intervalos de nosso trabalho, enquanto se fazem descanso, transparecem a observação mais comprometida com o sucesso das idéias entusiasmadas. E não há controvérsias.
Pausa para uma água e banheiro. Ouve-se pelos corredores os maiores gritos da surdez humana: em tempos de fragmentação, qualquer fiasco é motivo de repúdio. A partilha se esqueceu de existir, muito embora de cada pão se faça o sustento contaminado pela fruição capitalista. O discurso corre aos nossos olhos. Sentimos as mudanças pelo frio na barriga do medo da troca. E nem vemos o troco. Em meio às vozes uma trepidação regular se anuncia: "dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó". Quem diria que nas vísceras da crise encontraríamos um esboço de paz?
O nome da rosa está escrito na pauta das contas de um cidadão nacional. Ele tira leite de pedra e dorme no trajeto de casa ao trabalho para dispensar suas rupturas. Se não estiver contando estrelas mais tarde... Os dez mandamentos são fabulosos por natureza, dependendo do ponto de vista. Já larguei os óculos faz tempo... Já desisti de contar vantagens: isto é falso arbítrio. Levo fé no pôr-do-Sol inquestionável, na conquista de hora a hora, respirando fundo como se fosse a primeira de muitas.
A âncora pesa e dá equilíbrio. Depende de como você olha para ela. Até mostra o caminho, de acordo com a posição que ocupa. Nosso eixo representa a impressão de detalhes precisos na decisão de suas práticas. "O amor é a beleza da alma". É infinito tecer a poesia do coração no espelho de mim que acabei de conhecer.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Jóia Rara

É praticamente um toque de Deus. Como se fosse a transcrição de todas as coisas boas naquele tom de pele. O fortuito acaba por inesperado, tantas poucas vezes podem se ver rindo com tanta espontaneidade. Minutos preciosos e o encanto se faz a esmo. O encontro das águas já se deu e as vísceras não passam da origem fisiológica dos sentidos. Os que provocam as sensações das mais agradáveis.
De tanto desencadear esperas, forçou a passagem da necessidade sem que se pusesse à disposição. O diamante se lapida pelo balanço constante das ondas: a própria erosão se compromete na expressão dos ditos e na confecção dos ideais. Amar-te é tão mais fácil na presença tua em núcleo, essência de minha emoção, já que o contato expresso me remete ao êxtase de tuas alegrias muito vigorosas.
Faço de tuas palavras as minhas. Não há porque ser diferente. Não tem de ser diferente. É a pressa a inimiga da perfeição; menos a vontade excessiva. Essa aberração se constitui no teor destemido da pretensão do pensamento. A alma comporta o delírio deste meu pretexto. E que a arte se mostre confortada no gosto doce de teu encanto, tão simples quanto oportuno.

Jóia Rara

É praticamente um toque de Deus. Como se fosse a transcrição de todas as coisas boas naquele tom de pele. O fortuito acaba por inesperado, tantas poucas vezes podem se ver rindo com tanta espontaneidade. Minutos preciosos e o encanto se faz a esmo. O encontro das águas já se deu e as vísceras não passam da origem fisiológica dos sentidos. Os que provocam as sensações das mais agradáveis.
De tanto desencadear esperas, forçou a passagem da necessidade sem que se pusesse à disposição. O diamante se lapida pelo balanço constante das ondas: a própria erosão se compromete na expressão dos ditos e na confecção dos ideais. Amar-te é tão mais fácil na presença tua em núcleo, essência de minha emoção, já que o contato expresso me remete ao êxtase de tuas alegrias muito vigorosas.
Faço de tuas palavras as minhas. Não há porque ser diferente. Não tem de ser diferente. É a pressa a inimiga da perfeição; menos a vontade excessiva. Essa aberração se constitui no teor destemido da pretensão do pensamento. A alma comporta o delírio deste meu pretexto. E que a arte se mostre confortada no gosto doce de teu encanto, tão simples quanto oportuno.

LICENÇA POÉTICA - Capricho do Destino


CAPRICHO DO DESTINO [IPSIS VERBIS]



Certa vez, ouvi um pedido do coração e me pus a atendê-lo. Era a riqueza de um sentimento original e poderoso. Conheci o desespero da espera consciente, do apelo esquecido por muitos e da fuga absorta em seu núcleo primordial.
Em consonância com o posicionamento do homem na sociedade, procuro sempre exercitar o compromisso com as palavras. Elas me chamam para sair e eu não exito. Sem precedentes. Na verdade, eu dou as mãos a elas e deixo de lado a solidão que sempre bateu à minha porta.
Cumprimento-te com a saudação cordial de um sorriso que confia na tua resposta. É que a distância de idéias é como a refração da luz do Sol: espalha toda a lucidez em raios sós. E o esconderijo da criatividade é o sossego do isolamento. A essência está na ausência de controle. Completamente. Você manifesta todo seu estado emocional na desventura de sua eloqüência sadia.
O tempo é o marcador exato de nossas experiências. Os matizes, que são produzidos através de nossa grande viagem da vida, representam a legitimidade evidenciada pelo percurso do reconhecimento. O valor das instituições está na fundamentação de seu legado, a partir da informação consolidada e disposta aos pressupostos legais.
O valor da sina se revela na comoção provocada pelos anseios daquela hora, a da agonia do raciocínio, compensando o estarte da paixão e a beleza que é viver ao lado teu. Condecoração. Esta alegria, querida, expõe trocas impensadas de atonicidade, bem como as produções ávidas pela gradação de suas pinceladas, tão abundantes e inócuas.
Novos apensos da celebração humana registram a leveza dos elogios, os perigos de uma relação estritamente passional, a clarividência de dividendos numerosos. A conta é justa, uma vez que o aperto parece irrestrito. A vida é um processo paulatino, em cuja cadência se situa um almejo da calma, mediante teus sublimes gestuais, tão naturais.
Bastasse um beijo teu e eu, neste intervalo, perderia a pureza de menino e acresceria a grandeza de tu' alma à minha, sem pestanejar, com o anseio de quem aguarda um novo mundo a sua volta, mesmo porque a esperança é a companheira de todas as horas, face aos conluios da modernidade e os efeitos pronunciados pela “delícia da exposição ao Sol”. O silêncio que quebra todo um explícito grito, implacável em sua existência, amparado pela candura das penumbras de teus apelos, espraiados, andarilhos, pretendentes, poderosos.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Crônica (por Alexandre Bizerril)

Em uma tarde de sábado...

Em uma determinada tarde de sábado, eu e um amigo estávamos em minha casa escutando algumas músicas de que gostávamos e, ao passarmos para os DVDs musicais, começamos a ver e ouvir um cara de que gostamos muito – Ray Charles – e surgiu uma conversa com relação a preconceito racial, mesmo sem percebermos que o conteúdo da conversa era sobre isso.
Esse amigo estava a me contar um fato engraçado que aconteceu com ele quando foi a um baile funk, mas não desses de que ouvimos tanto falar, tocando “proibidão” e com mulheres grávidas a toda hora e a divisão de espaço – o famoso "Lado A, Lado B". Era um local mais comportado, diria até mais elitizado. Enfim, o fato curioso aconteceu na fila para entrar nesse local. Ele estava com mais alguns amigos e amigas, mas era o primeiro depois de um grupo de pessoas que começaram a olhar para ele com certa estranheza e diria, até aversão. Mas o que mais chamou-lhe a atenção foi uma frase que um “senhorzinho” que estava no grupo disse para uma “madame” que estava com ele. Foi algo, “tipo assim”: “- Brincadeira, eu que sou freqüentador assíduo desses bailes e agora tenho que aturar qualquer um entrar, hunf!! Esse baile já foi mais bem freqüentado”. Com certeza ele ficou muito chocado com isso, afinal era a primeira vez que passava por uma situação de discriminação, mesmo que indiretamente, mas não retrucou. Ele estava em menor número e, nos dias de hoje, não vale muito a pena tomar satisfação por coisa tão pouca e acabar com um buraco no corpo ou dentro de um buraco.
Pensamos e conversamos horas a fio sobre isso e por fim percebemos que qualquer um pode ser preconceituoso, independente de idade e de tom da pele. Ah! Desculpe a minha falta de atenção, caro leitor. Eu esqueci de descrever o meu amigo e o local para onde ele foi. Ele é branco, olhos verdes, cabelos encaracolados – pelo menos à época do fato e tinha lá pelos seus 20 e poucos anos e estava com uma amiga negra e um loira e outro amigo pardo. Estava entrando em um baile de charme e o cara que estava na fila era um rapaz de uns 30 e poucos anos, negro, com uma camisa com os seguintes dizeres “100% negro”, usando black power e estava com um grupo de pessoas com o mesmo tom de pele. Ficamos um pouco decepcionados pelo fato de que se trata de uma pessoa que faz parte de um grupo amplo e que foi duramente discriminado e tratado como “ralé”. Lutaram por igualdade e não por dominação e isso é o que não deve ser esquecido.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Aos que se movem

After a long time,back again...

"...Aos que se movem,
resta o desafio
de compreender o caminhar
como uma conseqüência do viver..
É necessário o movimento,
mesmo que involuntário
do indivíduo, para que o ar circule
por sobre todas as coisas
e ponha em marcha o tempo
que será sempre outro.
Ainda que as mãos tentem
em desespero retê-lo
ele avança, célere,
pondo abaixo
todas as estruturas estabelecidas.
Ao seu passo,o mundo gira
e a cada momento
a estrada desaparece
simultaneamente ao contato dos pés.
Não há como retroceder....
É preciso,contudo,
manter-se suficientemente distraído
para perceber as engrenagens do
mundo,
em continuo rearranjo,
tecendo finíssimas linhas invisíveis
com as quais conecta
as vivências de cada um
na tarefa delicada
de constituir aquilo
que chamamos existência...
A cada ação corresponde
um constante rearrumar
de sensações e o universo
que se vislumbra
jamais repetirá sua composição.
Há que se prosseguir
enfrentando o silêncio dentro de si
e aceitando o fato
de que as respostas jamais virão..
são as perguntas que sempre irão mudar...
Viver é sensibilizar-se
É sentir a respiração do mundo
e fazer-se parte
do movimento que é elementar a tudo.
..existir não é fato,é processo ..."

Presságios da Alma

É uma compulsão. Um estopim dentro do meu coração. Acordes soam na proeza de cada gota que fraqueja das folhas, após a tempestade. Se engana quem pensa que uma grande obra nasce do silêncio, em meio ao nada. É a manifestação da natureza, irrepreensível, em seu ciclo espantoso, na cadência espontânea de suas transformações.
A escrita é a união dos nossos sonhos em palavras oportunas. A interpretação dela é o entendimento de nossos sentidos a partir da reunião de vozes imaginárias. O ideal é a representação de nossos desejos. E a razão é o que restou de toda a leitura. As arestas do caderno, amareladas pelo uso, significam o prazer ingrediente de cansar as mãos até o sono bater. E lá se vão tantas da madrugada.
O doce encontro entre a vontade e a satisfação se desenha no formato dos textos, irracionais, especiais, em si mesmos retrato de autor. Foge à lógica da realidade o precipício dos ensejos, uma vez que o mergulho acaba sendo inevitável. Presságios da alma. A coordenação motora se despe na contestação do pensamento às normas ditadas. O que nasce primeiro: a obra ou o (pre)texto?
Vivendo num oceano profundo, na companhia de nossos sentidos, a admirar a infinitude do horizonte, como se fosse a transposição da eternidade. Esta que não existe para a presença física, muito embora me pareça equivocado conceber outra aquiescência para o poder das letras em nossa infinitude de sensibilidade sem tamanho.
Contiguidade expressa do meu ser. A observação é a origem da arte, na medida em que proporciona o efeito da perspectiva, promovendo o feitio recortado, corrente, passional. Minha vida de nada seria sem a pretensão dos impulsos. E a felicidade, suprema em toda sua radiação, prestaria contas com o quase sem deixar recados. Metade da maçã expressa o gosto da delícia que é acordar. O sonho é um despertar do peito, encarecido tropeço do pensamento, ao deixar de acontecer. A protelação é o esquecimento da ousadia. E a coragem prescinde, sim, de afirmação. Da dor de não lembrar, do amor que se espaça, da diluição dos corpos entre os olhares, da exposição insinuante deste furor que insiste em persuadir o óbvio.
O alvoroço de frase a frase, à margem da propriedade da criação, simboliza o curso religioso da compreensão do novo no mundo, emergente contorno da visão sobre o exílio de si, contraste imediato ao burburinho entorpecente da cegueira humana. O espelho, meu, é a identificação da conseqüência provocada no próximo diante do propósito, consumado, constituído no julgamento do discurso engajado, seja no âmbito da poesia ou da dissertação.
A voz da opinião é o retrato fiel da intensa forma da liberdade. O índice do meu interior tem um quê de simplicidade, um porquê de curiosidade e um “como o quê” da fome insaciável de saber, normal, até na condição insubstituível de expressão do que não se quer dizer após os confins da beleza de dentro de ti, de que lembrei na hora de me esquecer.

sábado, 20 de dezembro de 2008

NA TAL DA FESTA TUPINIQUIM

COSTUMAM DIZER QUE EM TERRA DE CEGO QUEM TEM UM OLHO É REI. SERÁ, QUE, EM PLENA MODERNIDADE, LOGO OS PIRATAS SERIAM OS DONOS DO MUNDO? PARALELAMENTE, EM TERRA BRASILIS, É POSSÍVEL QUE DONO DE MORRO SEJA O POSTO MAIS COBIÇADO DE TODOS.
PARECE COISA DE MALUCO: A CEGUEIRA É TÃO VASTA QUE SE TORNA MAIS FÁCIL FINGIR QUE NÃO VIU OU ENXERGAR O QUE NÃO EXISTE. HOJE EM DIA, PADRE É POLÍTICO, EM NOME DE JESUS. BANDIDO VIROU POLÍCIA DA COMUNIDADE. SINÔNIMO DE MILÍCIA. E A POLÍCIA É A "FORÇA NACIONAL".

O QUE SERIA DE NÓS SEM ESTA FORÇA QUE VEM DE BERÇO ESPLÊNDIDO?

JOGADOR DE FUTEBOL É FUTURO TÉCNICO, APRENDIZ DE EMPRESÁRIO OU, NA PIOR DAS HIPÓTESES, ACABA COMO COMENTARISTA. E NESSE CAMPO, A MÃE DO ÁRBITRO É QUEM MAIS SOFRE. Ô, PROFISSÃO INGRATA!
A TEORIA MATEMÁTICA AFIRMA QUE "A ORDEM DOS FATORES NÃO ALTERA O PRODUTO". SERÁ VERDADE? NUM PAÍS EM QUE CANTOR VIRA MINISTRO E O CARTÃO CORPORATIVO ENTORNA O CALDO DA SOPA, PODEMOS ACREDITAR EM ORDEM E PROGRESSO?
AINDA ENCARAM CONSCIÊNCIA POLÍTICA COMO MOTIVO PARA BANALIZAÇÃO CÍVICA OU PRODUTO HUMORÍSTICO. QUEM SE ENGANA COM O JARGÃO "NÃO VOTE NO GABEIRA! ELE FUMA, SENTA E CHEIRA" PRECISA DE UMA DOSE DE TARJA PRETA (SEM DIREITO À LEITURA DA BULA) OU DA REFORMULAÇÃO DO SISTEMA EDUCACIONAL. NÃO VALE QUALQUER PARCIALIDADE NESTE PONTO, APENAS RECORTE DE UMA REALIDADE RECENTE.
TUDO É PASSAGEIRO, MENOS O MOTORISTA E O TROCADOR. OS COMPANHEIROS VÃO E VOLTAM DA ROTINA MASSACRANTE TORCENDO PELA ESTRÉIA DE RONALDO NO CORINTHIANS. FALTA O PÃO DE CADA DIA, MAS EXISTE A FELICIDADE PORQUE O "FENÔMENO" É DO TIMÃO. A MULHER VIROU SALADA DE FRUTAS SEM CERIMÔMIAS.

ATÉ QUE PONTO A MÍDIA CONTRIBUI PARA O ESTADO DE CONSCIÊNCIA DA POPULAÇÃO?

É CERTO QUE A MÍDIA APERTA A MÃO DO "COMPANHEIRO" ESPERANDO O DINHEIRO QUE SAI DOS IMPOSTOS EXCESSIVOS OU MESMO DOS PROGRAMAS ASSISTENCIAIS, COMO O PROUNI E O BOLSA FAMÍLIA. OS POLÍTICOS TROCAM DE PARTIDO COMO QUEM TROCA DE CARRO, TODO ANO TEM GENTE NOVA E UM DIFERENTE. PIPOQUEIRO VIRA POLÍTICO, BICHEIRO SE TORNA POLÍTICO, CANTOR SE TORNA POLÍTICO.
PARA ARISTÓTELES, PENSADOR GREGO, "O HOMEM É POR NATUREZA UM ANIMAL POLÍTICO". ENGRAÇADO: POR QUE O INVERSO NÃO FUNCIONA? UM POLÍTICO NÃO SE TORNA JOGADOR PROFISSIONAL, PIPOQUEIRO E AFINS.

O ARGUMENTO SE ENCONTRA QUEBRADO.

E, NO FINAL DAS CONTAS, POLÍTICO AINDA VIRA CELEBRIDADE E A TELEVISÃO, PALÁCIO DO PLANALTO. O QUE NASCE NA MESA, FICA NA MESA. E NINGUÉM VAI PRESO.

VALE MESMO PENSAR QUE A ESPERANÇA É A SEMPRE A ÚLTIMA QUE MORRE.