sexta-feira, 20 de março de 2009

A olhos vista

Uma obra de arte não se compreende em meros lances de sorte. A vida recria o milagre da existência na eventualidade sorrateira do destino. Quem espera nem sempre alcança, se no meio do caminho perde a razão em questionar um argumento corrompido.
O óbvio é a cautela na passagem do tempo pela presença da tal da paixão inesperada à beira da estrada. À margem de qualquer sombra de dúvidas. Distante do conhecimento, de causa, de verdade, de si mesmo. A lucidez brinca com as nossas sensações ao receber os estímulos de prazer na ousadia da controvérsia.
O contraponto é esperado na medida do exagero da anteposição dos contrastes, no desvio de atenção pelo sopro do vento ou, ainda, a sombra da chuva esquecida do silêncio maculado.
A felicidade é o estado de espírito, contencioso em sua alegria desesperada de tanto se guardar, para a pessoa e momento certos. O dia brilha em alto e bom som, na melodia daquela simples canção do outono passado. E o segredo nunca deve ser contado. De que vale a mais preciosa amizade se o detalhe se perde em meio ao absurdo da precisa escuridão?
Engana-se aquele que aguça em sua vivência a ininterrupta paz do coração... O sonho é a elevação da alma a uma espécie de estágio superior. O resultado é o produto das circunstâncias no cruzamento do amor com a vontade agraciada de saber, à altura da possibilidade de vitória e desenvolvimento da forma plena de manifestação do outro, espelho revolto da incólume delícia que se demonstra na evolução do espírito no alcance do interior, destituído de presunções, precauções, apenas a intensa face da serena amplitude do verbo poder.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Coluna:Cinema .por Alexandre Bizerril

Eu não sou pixote
“Bom dia, boa tarde e boa noite!” Hoje vou comentar sobre um filme que passou no domingo, dia 15/03/2009 – mais precisamente na TV Brasil. “QUEM MATOU PIXOTE?” de José Joffily (DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA) de 1996, com Cassiano Carneiro (Fernando Ramos da Silva / PIXOTE), Tuca Andrada, Joana Fomm, Roberto Bomtempo, Maria Luisa Mendonça, Luciana Rigueira, Paulo Betti, Antonio Abujamra.
O filme conta a história de Fernando Ramos da Silva, um rapaz que quando criança, foi descoberto na rua por uma produtora e interpreta o personagem titulo do filme “Pixote – A lei do mais fraco” de Hector Babenco e depois da fama meteórica como ator mirim, não consegue mais emprego. Para ele, a única saída é entrar no mundo do crime, ou seja, se tornar novamente o “Pixote”, apesar de relutar contra o estigma da personagem que nunca foi esquecida quando as pessoas o vêem.
A falta de emprego para os jovens que não possuem experiência é apenas um dos pontos a serem analisados no filme. Um momento bem interessante do filme é quando o Fernando é preso pela primeira vez e as pessoas e os jornais relembram a participação dele no filme e simplesmente o detetive o expõem as câmeras no pior momento dele, como se fosse um animal que foi capturado. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, pois o filme é baseado em fatos reais. A visão nada romântica da vida de crimes, que apesar de ter dinheiro fácil o marginal paga um preço por isso e que na maioria das vezes não é tão barato – a liberdade ou a morte.
O filme tenta ser lúcido e trazer questionamentos para quem o assiste com um olhar um pouco mais critico em relação à sociedade. A idéia é provocar, e não trazer respostas fabricadas por uma industria do prazer onde é “lindo” ser bandido e falsificador, como no filme que foi passado pela TV Globo na terça-feira passada. Um filme que para se desculpar com quem o assistiu, diz ser “inspirado” em fatos reais. Ou seja, uma boa desculpa para não passar os piores momentos de um criminoso que não esteve “tão bem” o tempo todo, como é passado no filme inteiro.

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

Que atire a primeira pedra,quem pode,no alvorecer da pós modernidade,gabar-se de sua ética inabalável,ante os percalços da vida?Quem pode olhar para si e para os outros e ter a certeza de fazer exatamente o correto, o que de melhor poderia por aquele que esta ao seu lado?
Quem não treme de medo, ante a entrada do homem esfarrapado no coletivo, acompanhando seus passos com os olhos,aguardando o momento em que anunciará o assalto e que cala-se envergonhado quando este lhe pede um trocado,uma moeda para pagar o remédio ou o prato de comida?
Aquele que não duvida do menino no sinal , a efetuar malabarismos com seu corpo franzino,aguardando avidamente que se anuncie a aprovação ao espetáculo,traduzida em moedas de dez e de vinte, com a qual comprará seu café da manhã de ontem,mas será mesmo que esse dinheiro,que transborda e se perde nos nossos bolsos, vai virar lanche,ou virar cola,ou quem sabe pior,vai saber meu deus o que ele será capaz de aprontar?
Qual o cidadão respeitável,não acompanhou impaciente, o show dos malabares,ou o desfile dos cadeirantes, com um olho na janela e outro no sinal?
Voltamos nossos rostos para coisas mais apresentáveis,vitrines lotadas de produtos onde também nos exibiremos, catálogos coloridos onde persistem promoções até o infinito e que serão com certeza a garantia plena de nossa total satisfação até o próximo segundo?
Não pensamos no outro como a um igual porque somos únicos em nossos anseios e necessidades e não somos responsáveis pelos desmandos divinos.Divinos?
Somos nós que permitimos a cada ação,a cada escolha,que a segregação se perpetue,em nossa cela dourada,onde subsistimos em regime de fome,aguardando que a propaganda nos entretenha e traga a felicidade,em embalagens transparentes.
Somos nós que nos isentamos de culpa, a cada não que damos,quando nos esquecemos que também somos o outro,do outro lado do cano da arma ou da janela, na contramão do olhar que desviamos.Também dependemos da compaixão alheia.Em algum aspecto,somos todos indigentes, adoentados e perdidos, recolhendo os restos de nossas verdades,enquanto assistimos ao desfilar de nossos conceitos,destruídos ao chão ....Família,respeito,afeto,compaixão,são entidades tão esotéricas quanto distanciadas de nosso cotidiano,uma vez que estamos ocupados demais...
Que nos importa o flagelo alheio se nos abstraímos da nossa própria dor,pois não voltamos nosso olhar para o que de fato somos,humanos?Antes,buscamos perceber no reflexo turvo do espelho mais próximo, aquilo que acreditamos ser,deuses,incapazes de cometer alguma injustiça e passiveis de todas as bênçãos,por que somos incomparavelmente perfeitos,impassivelmente cegos e desmesuradamente surdos,tal e qual estátuas de bronze expostas na calcada,buscando a admiração alheia que nos eleve o brilho falso de nossas virtudes enquanto ao interior,uma massa compacta de gesso fragil,comprime-se com nossas subjetividades reprimidas tao fundo que nao mais as enxergamos,ate que esquecamos de quem somos.Mas quem somos?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A busca pelo divino

Da emoção que aflora,na busca pelo que lhe é vital,seja nos bordados da fantasia,no grito que fica na garganta ,no eco das músicas de carnaval e nas lembranças,bagagem de sentimentos que dão origem a tudo o que se é,ainda que não se tenha consciência disso..Mas afinal o que nos move enquanto indivíduos,na ânsia de vivenciar uma paixão?
Do grego pathos,doença,apaixonar-se era para os antigos,contemplar o divino,na figura dos deuses do olimpo,atribuindo-lhes perfeição e devotando-lhes gota a gota cada minuto da existência.
Para a ciência,a paixão é a transferência para o outro de traços da própria personalidade,idealização,devoção,resgate de dores profundas pelas mãos daquele que o salvará do desconhecido de si mesmo,do mergulho nas próprias profundezas,sem saber onde terminará o caminho...Olhar para o outro,antes de olhar para si,compensar as próprias fraquezas na imagem narcísica de um objeto de desejo ,impossível posto que irreal,mas infinitamente belo aos olhos daquele que se deixa seduzir,uma vez que encerra a magia criada pelo próprio sujeito que o adorar...
Mas à lógica não cumpre explicar a necessidade humana de reverenciar o belo,das mais diferentes formas,tendo a arte como projeção essencial e a paixão como movimento...Ela é a respiração dos corpos,na evolução da dança,é o grito da torcida no momento do gol,é o toque das mãos no calor da luta,é a conjunção de palavras na oração,é o reflexo das cores na retina,é a composição de sons,na percepção da musica...é,antes de tudo,a busca de um sentir que vá além, que alcance o inimaginável,percorrendo distâncias infinitas,na imagem que se contempla ou na expressão dos sentimentos...Apaixonar-se é antes,a busca do divino no interior de si mesmo,construindo laços de significado que vão trançar-se não somente ao tangível,mas ao impalpável ...É tocar os céus,é grito de dor e êxtase,é lançar-se a mares desconhecidos,é interromper o curso do tempo, é atrever-se ao sim,contrariando o não do mundo,é tornar-se parte do absoluto e indecifrável mistério de existir.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Voz no Ouvido

Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 2009.
Pelo nascimento de meu afilhado Gabriel, cujo nascimento proporciona tamanha alegria. A ti, com imenso carinho:
É a corrente da vida. Tantos corações pulsando ao mesmo tempo, com aquela certeza que só os olhos comportam. O fruto é singelo e mostra sua força no sorriso despretensioso pela chegada de um ente querido. Novos laços. Ao pensar nessa conjunção, faz-se a voz embargar as palavras. Basta a felicidade: o significado da união vale a apreciação do destino. Traços sinceros resgatam a responsabilidade, ora inexistente, daqueles que devem ter cuidado, agora, pelo resto de suas existências.
A necessidade faz a hora. As experiências caçoam da gente, mostrando que deste plano nada levaremos. O que fica é o cheiro da surpresa, o momento dos encontros e o bem-querer.
A canção da vez é a de ninar. E que a nossa presença permita a configuração de parte importante de teu berço. Teus olhos fortes reparam um mundo próprio, inédito ao conhecimento, que requer na paz tua maior motivação.
A saúde é o principal estímulo para a renovação de nossos conceitos. Naquela tarde de janeiro de 2009, o céu estava azul e intenso, como se abrisse espaços para a sua chegada. Aos meus passos longos se unia a vontade de vislumbrar essa luz que te protege. Não havia neste dia 30 algo que me fizesse mais feliz. É uma recompensa de Deus.
Que o sabor de sua jornada se fortaleça através de nossas preces, antes mesmo que possamos dizer a ti o quanto é amado e querido no meio de nós.
Do padrinho "dindo" Filipe para Gabriel.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Marcha à Ré

O repouso de cada um se confunde com o sabor amargo de uma derrota. O retorno da pista são dois passos atrás no caminho de nossos pés. Nada nunca foi tão igual à ausência de mim. Meus apelos congelam cenas inéditas perto de um final feliz. É o pretérito-mais-que-perfeito. Sobras de sonhos na imensidão das expectativas, uma ronda de inspeção pela nossa euforia, a audácia encontrando a ousadia. Tons interferem na distinção da retina: as cores padecem na eternidade de um céu azul, símbolo da pureza, expoente da realização crepuscular de dias porvir. Depois da tempestade vem a bonança.
Não há espaço para o quase. Sem querer esqueço os segredos, guardando-os seguramente em ti. Semeando promessas. A intuição processa todo o som da saudade no silêncio do vento. A natureza é a maior prova de que não estamos sós. E a chuva aparece como predestinada a contornar toda a inquietude de nossas evidências. Depois dela, nos espanta a calmaria. As sombras aumentam nossa discrição, com as correspondências impiedosas das amostras de nossos sentidos. O sopro é a marcação inusitada do desconforto. A malícia atravessa a rua pedindo passagem sem olhar para trás. Mal sabe do perigo.
Os sons da praça central entoam a obediência, escalam a disciplina como expediente próprio de cada aula da vida que se conta presente em uma esquina. Os intervalos de nosso trabalho, enquanto se fazem descanso, transparecem a observação mais comprometida com o sucesso das idéias entusiasmadas. E não há controvérsias.
Pausa para uma água e banheiro. Ouve-se pelos corredores os maiores gritos da surdez humana: em tempos de fragmentação, qualquer fiasco é motivo de repúdio. A partilha se esqueceu de existir, muito embora de cada pão se faça o sustento contaminado pela fruição capitalista. O discurso corre aos nossos olhos. Sentimos as mudanças pelo frio na barriga do medo da troca. E nem vemos o troco. Em meio às vozes uma trepidação regular se anuncia: "dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó". Quem diria que nas vísceras da crise encontraríamos um esboço de paz?
O nome da rosa está escrito na pauta das contas de um cidadão nacional. Ele tira leite de pedra e dorme no trajeto de casa ao trabalho para dispensar suas rupturas. Se não estiver contando estrelas mais tarde... Os dez mandamentos são fabulosos por natureza, dependendo do ponto de vista. Já larguei os óculos faz tempo... Já desisti de contar vantagens: isto é falso arbítrio. Levo fé no pôr-do-Sol inquestionável, na conquista de hora a hora, respirando fundo como se fosse a primeira de muitas.
A âncora pesa e dá equilíbrio. Depende de como você olha para ela. Até mostra o caminho, de acordo com a posição que ocupa. Nosso eixo representa a impressão de detalhes precisos na decisão de suas práticas. "O amor é a beleza da alma". É infinito tecer a poesia do coração no espelho de mim que acabei de conhecer.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Jóia Rara

É praticamente um toque de Deus. Como se fosse a transcrição de todas as coisas boas naquele tom de pele. O fortuito acaba por inesperado, tantas poucas vezes podem se ver rindo com tanta espontaneidade. Minutos preciosos e o encanto se faz a esmo. O encontro das águas já se deu e as vísceras não passam da origem fisiológica dos sentidos. Os que provocam as sensações das mais agradáveis.
De tanto desencadear esperas, forçou a passagem da necessidade sem que se pusesse à disposição. O diamante se lapida pelo balanço constante das ondas: a própria erosão se compromete na expressão dos ditos e na confecção dos ideais. Amar-te é tão mais fácil na presença tua em núcleo, essência de minha emoção, já que o contato expresso me remete ao êxtase de tuas alegrias muito vigorosas.
Faço de tuas palavras as minhas. Não há porque ser diferente. Não tem de ser diferente. É a pressa a inimiga da perfeição; menos a vontade excessiva. Essa aberração se constitui no teor destemido da pretensão do pensamento. A alma comporta o delírio deste meu pretexto. E que a arte se mostre confortada no gosto doce de teu encanto, tão simples quanto oportuno.

Jóia Rara

É praticamente um toque de Deus. Como se fosse a transcrição de todas as coisas boas naquele tom de pele. O fortuito acaba por inesperado, tantas poucas vezes podem se ver rindo com tanta espontaneidade. Minutos preciosos e o encanto se faz a esmo. O encontro das águas já se deu e as vísceras não passam da origem fisiológica dos sentidos. Os que provocam as sensações das mais agradáveis.
De tanto desencadear esperas, forçou a passagem da necessidade sem que se pusesse à disposição. O diamante se lapida pelo balanço constante das ondas: a própria erosão se compromete na expressão dos ditos e na confecção dos ideais. Amar-te é tão mais fácil na presença tua em núcleo, essência de minha emoção, já que o contato expresso me remete ao êxtase de tuas alegrias muito vigorosas.
Faço de tuas palavras as minhas. Não há porque ser diferente. Não tem de ser diferente. É a pressa a inimiga da perfeição; menos a vontade excessiva. Essa aberração se constitui no teor destemido da pretensão do pensamento. A alma comporta o delírio deste meu pretexto. E que a arte se mostre confortada no gosto doce de teu encanto, tão simples quanto oportuno.

LICENÇA POÉTICA - Capricho do Destino


CAPRICHO DO DESTINO [IPSIS VERBIS]



Certa vez, ouvi um pedido do coração e me pus a atendê-lo. Era a riqueza de um sentimento original e poderoso. Conheci o desespero da espera consciente, do apelo esquecido por muitos e da fuga absorta em seu núcleo primordial.
Em consonância com o posicionamento do homem na sociedade, procuro sempre exercitar o compromisso com as palavras. Elas me chamam para sair e eu não exito. Sem precedentes. Na verdade, eu dou as mãos a elas e deixo de lado a solidão que sempre bateu à minha porta.
Cumprimento-te com a saudação cordial de um sorriso que confia na tua resposta. É que a distância de idéias é como a refração da luz do Sol: espalha toda a lucidez em raios sós. E o esconderijo da criatividade é o sossego do isolamento. A essência está na ausência de controle. Completamente. Você manifesta todo seu estado emocional na desventura de sua eloqüência sadia.
O tempo é o marcador exato de nossas experiências. Os matizes, que são produzidos através de nossa grande viagem da vida, representam a legitimidade evidenciada pelo percurso do reconhecimento. O valor das instituições está na fundamentação de seu legado, a partir da informação consolidada e disposta aos pressupostos legais.
O valor da sina se revela na comoção provocada pelos anseios daquela hora, a da agonia do raciocínio, compensando o estarte da paixão e a beleza que é viver ao lado teu. Condecoração. Esta alegria, querida, expõe trocas impensadas de atonicidade, bem como as produções ávidas pela gradação de suas pinceladas, tão abundantes e inócuas.
Novos apensos da celebração humana registram a leveza dos elogios, os perigos de uma relação estritamente passional, a clarividência de dividendos numerosos. A conta é justa, uma vez que o aperto parece irrestrito. A vida é um processo paulatino, em cuja cadência se situa um almejo da calma, mediante teus sublimes gestuais, tão naturais.
Bastasse um beijo teu e eu, neste intervalo, perderia a pureza de menino e acresceria a grandeza de tu' alma à minha, sem pestanejar, com o anseio de quem aguarda um novo mundo a sua volta, mesmo porque a esperança é a companheira de todas as horas, face aos conluios da modernidade e os efeitos pronunciados pela “delícia da exposição ao Sol”. O silêncio que quebra todo um explícito grito, implacável em sua existência, amparado pela candura das penumbras de teus apelos, espraiados, andarilhos, pretendentes, poderosos.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Crônica (por Alexandre Bizerril)

Em uma tarde de sábado...

Em uma determinada tarde de sábado, eu e um amigo estávamos em minha casa escutando algumas músicas de que gostávamos e, ao passarmos para os DVDs musicais, começamos a ver e ouvir um cara de que gostamos muito – Ray Charles – e surgiu uma conversa com relação a preconceito racial, mesmo sem percebermos que o conteúdo da conversa era sobre isso.
Esse amigo estava a me contar um fato engraçado que aconteceu com ele quando foi a um baile funk, mas não desses de que ouvimos tanto falar, tocando “proibidão” e com mulheres grávidas a toda hora e a divisão de espaço – o famoso "Lado A, Lado B". Era um local mais comportado, diria até mais elitizado. Enfim, o fato curioso aconteceu na fila para entrar nesse local. Ele estava com mais alguns amigos e amigas, mas era o primeiro depois de um grupo de pessoas que começaram a olhar para ele com certa estranheza e diria, até aversão. Mas o que mais chamou-lhe a atenção foi uma frase que um “senhorzinho” que estava no grupo disse para uma “madame” que estava com ele. Foi algo, “tipo assim”: “- Brincadeira, eu que sou freqüentador assíduo desses bailes e agora tenho que aturar qualquer um entrar, hunf!! Esse baile já foi mais bem freqüentado”. Com certeza ele ficou muito chocado com isso, afinal era a primeira vez que passava por uma situação de discriminação, mesmo que indiretamente, mas não retrucou. Ele estava em menor número e, nos dias de hoje, não vale muito a pena tomar satisfação por coisa tão pouca e acabar com um buraco no corpo ou dentro de um buraco.
Pensamos e conversamos horas a fio sobre isso e por fim percebemos que qualquer um pode ser preconceituoso, independente de idade e de tom da pele. Ah! Desculpe a minha falta de atenção, caro leitor. Eu esqueci de descrever o meu amigo e o local para onde ele foi. Ele é branco, olhos verdes, cabelos encaracolados – pelo menos à época do fato e tinha lá pelos seus 20 e poucos anos e estava com uma amiga negra e um loira e outro amigo pardo. Estava entrando em um baile de charme e o cara que estava na fila era um rapaz de uns 30 e poucos anos, negro, com uma camisa com os seguintes dizeres “100% negro”, usando black power e estava com um grupo de pessoas com o mesmo tom de pele. Ficamos um pouco decepcionados pelo fato de que se trata de uma pessoa que faz parte de um grupo amplo e que foi duramente discriminado e tratado como “ralé”. Lutaram por igualdade e não por dominação e isso é o que não deve ser esquecido.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Aos que se movem

After a long time,back again...

"...Aos que se movem,
resta o desafio
de compreender o caminhar
como uma conseqüência do viver..
É necessário o movimento,
mesmo que involuntário
do indivíduo, para que o ar circule
por sobre todas as coisas
e ponha em marcha o tempo
que será sempre outro.
Ainda que as mãos tentem
em desespero retê-lo
ele avança, célere,
pondo abaixo
todas as estruturas estabelecidas.
Ao seu passo,o mundo gira
e a cada momento
a estrada desaparece
simultaneamente ao contato dos pés.
Não há como retroceder....
É preciso,contudo,
manter-se suficientemente distraído
para perceber as engrenagens do
mundo,
em continuo rearranjo,
tecendo finíssimas linhas invisíveis
com as quais conecta
as vivências de cada um
na tarefa delicada
de constituir aquilo
que chamamos existência...
A cada ação corresponde
um constante rearrumar
de sensações e o universo
que se vislumbra
jamais repetirá sua composição.
Há que se prosseguir
enfrentando o silêncio dentro de si
e aceitando o fato
de que as respostas jamais virão..
são as perguntas que sempre irão mudar...
Viver é sensibilizar-se
É sentir a respiração do mundo
e fazer-se parte
do movimento que é elementar a tudo.
..existir não é fato,é processo ..."

Presságios da Alma

É uma compulsão. Um estopim dentro do meu coração. Acordes soam na proeza de cada gota que fraqueja das folhas, após a tempestade. Se engana quem pensa que uma grande obra nasce do silêncio, em meio ao nada. É a manifestação da natureza, irrepreensível, em seu ciclo espantoso, na cadência espontânea de suas transformações.
A escrita é a união dos nossos sonhos em palavras oportunas. A interpretação dela é o entendimento de nossos sentidos a partir da reunião de vozes imaginárias. O ideal é a representação de nossos desejos. E a razão é o que restou de toda a leitura. As arestas do caderno, amareladas pelo uso, significam o prazer ingrediente de cansar as mãos até o sono bater. E lá se vão tantas da madrugada.
O doce encontro entre a vontade e a satisfação se desenha no formato dos textos, irracionais, especiais, em si mesmos retrato de autor. Foge à lógica da realidade o precipício dos ensejos, uma vez que o mergulho acaba sendo inevitável. Presságios da alma. A coordenação motora se despe na contestação do pensamento às normas ditadas. O que nasce primeiro: a obra ou o (pre)texto?
Vivendo num oceano profundo, na companhia de nossos sentidos, a admirar a infinitude do horizonte, como se fosse a transposição da eternidade. Esta que não existe para a presença física, muito embora me pareça equivocado conceber outra aquiescência para o poder das letras em nossa infinitude de sensibilidade sem tamanho.
Contiguidade expressa do meu ser. A observação é a origem da arte, na medida em que proporciona o efeito da perspectiva, promovendo o feitio recortado, corrente, passional. Minha vida de nada seria sem a pretensão dos impulsos. E a felicidade, suprema em toda sua radiação, prestaria contas com o quase sem deixar recados. Metade da maçã expressa o gosto da delícia que é acordar. O sonho é um despertar do peito, encarecido tropeço do pensamento, ao deixar de acontecer. A protelação é o esquecimento da ousadia. E a coragem prescinde, sim, de afirmação. Da dor de não lembrar, do amor que se espaça, da diluição dos corpos entre os olhares, da exposição insinuante deste furor que insiste em persuadir o óbvio.
O alvoroço de frase a frase, à margem da propriedade da criação, simboliza o curso religioso da compreensão do novo no mundo, emergente contorno da visão sobre o exílio de si, contraste imediato ao burburinho entorpecente da cegueira humana. O espelho, meu, é a identificação da conseqüência provocada no próximo diante do propósito, consumado, constituído no julgamento do discurso engajado, seja no âmbito da poesia ou da dissertação.
A voz da opinião é o retrato fiel da intensa forma da liberdade. O índice do meu interior tem um quê de simplicidade, um porquê de curiosidade e um “como o quê” da fome insaciável de saber, normal, até na condição insubstituível de expressão do que não se quer dizer após os confins da beleza de dentro de ti, de que lembrei na hora de me esquecer.

sábado, 20 de dezembro de 2008

NA TAL DA FESTA TUPINIQUIM

COSTUMAM DIZER QUE EM TERRA DE CEGO QUEM TEM UM OLHO É REI. SERÁ, QUE, EM PLENA MODERNIDADE, LOGO OS PIRATAS SERIAM OS DONOS DO MUNDO? PARALELAMENTE, EM TERRA BRASILIS, É POSSÍVEL QUE DONO DE MORRO SEJA O POSTO MAIS COBIÇADO DE TODOS.
PARECE COISA DE MALUCO: A CEGUEIRA É TÃO VASTA QUE SE TORNA MAIS FÁCIL FINGIR QUE NÃO VIU OU ENXERGAR O QUE NÃO EXISTE. HOJE EM DIA, PADRE É POLÍTICO, EM NOME DE JESUS. BANDIDO VIROU POLÍCIA DA COMUNIDADE. SINÔNIMO DE MILÍCIA. E A POLÍCIA É A "FORÇA NACIONAL".

O QUE SERIA DE NÓS SEM ESTA FORÇA QUE VEM DE BERÇO ESPLÊNDIDO?

JOGADOR DE FUTEBOL É FUTURO TÉCNICO, APRENDIZ DE EMPRESÁRIO OU, NA PIOR DAS HIPÓTESES, ACABA COMO COMENTARISTA. E NESSE CAMPO, A MÃE DO ÁRBITRO É QUEM MAIS SOFRE. Ô, PROFISSÃO INGRATA!
A TEORIA MATEMÁTICA AFIRMA QUE "A ORDEM DOS FATORES NÃO ALTERA O PRODUTO". SERÁ VERDADE? NUM PAÍS EM QUE CANTOR VIRA MINISTRO E O CARTÃO CORPORATIVO ENTORNA O CALDO DA SOPA, PODEMOS ACREDITAR EM ORDEM E PROGRESSO?
AINDA ENCARAM CONSCIÊNCIA POLÍTICA COMO MOTIVO PARA BANALIZAÇÃO CÍVICA OU PRODUTO HUMORÍSTICO. QUEM SE ENGANA COM O JARGÃO "NÃO VOTE NO GABEIRA! ELE FUMA, SENTA E CHEIRA" PRECISA DE UMA DOSE DE TARJA PRETA (SEM DIREITO À LEITURA DA BULA) OU DA REFORMULAÇÃO DO SISTEMA EDUCACIONAL. NÃO VALE QUALQUER PARCIALIDADE NESTE PONTO, APENAS RECORTE DE UMA REALIDADE RECENTE.
TUDO É PASSAGEIRO, MENOS O MOTORISTA E O TROCADOR. OS COMPANHEIROS VÃO E VOLTAM DA ROTINA MASSACRANTE TORCENDO PELA ESTRÉIA DE RONALDO NO CORINTHIANS. FALTA O PÃO DE CADA DIA, MAS EXISTE A FELICIDADE PORQUE O "FENÔMENO" É DO TIMÃO. A MULHER VIROU SALADA DE FRUTAS SEM CERIMÔMIAS.

ATÉ QUE PONTO A MÍDIA CONTRIBUI PARA O ESTADO DE CONSCIÊNCIA DA POPULAÇÃO?

É CERTO QUE A MÍDIA APERTA A MÃO DO "COMPANHEIRO" ESPERANDO O DINHEIRO QUE SAI DOS IMPOSTOS EXCESSIVOS OU MESMO DOS PROGRAMAS ASSISTENCIAIS, COMO O PROUNI E O BOLSA FAMÍLIA. OS POLÍTICOS TROCAM DE PARTIDO COMO QUEM TROCA DE CARRO, TODO ANO TEM GENTE NOVA E UM DIFERENTE. PIPOQUEIRO VIRA POLÍTICO, BICHEIRO SE TORNA POLÍTICO, CANTOR SE TORNA POLÍTICO.
PARA ARISTÓTELES, PENSADOR GREGO, "O HOMEM É POR NATUREZA UM ANIMAL POLÍTICO". ENGRAÇADO: POR QUE O INVERSO NÃO FUNCIONA? UM POLÍTICO NÃO SE TORNA JOGADOR PROFISSIONAL, PIPOQUEIRO E AFINS.

O ARGUMENTO SE ENCONTRA QUEBRADO.

E, NO FINAL DAS CONTAS, POLÍTICO AINDA VIRA CELEBRIDADE E A TELEVISÃO, PALÁCIO DO PLANALTO. O QUE NASCE NA MESA, FICA NA MESA. E NINGUÉM VAI PRESO.

VALE MESMO PENSAR QUE A ESPERANÇA É A SEMPRE A ÚLTIMA QUE MORRE.

Cinema (por Alexandre Bizerril)

"Família é família. Sangue é sangue." Até que ponto?


“Bom dia, boa tarde e boa noite!!” Meus amigos, desculpem a demora em postar um novo texto, mas vida de estudante universitário é dura em todos os sentidos. Bem, não estou aqui para escrever sobre minha vida, apesar de achar que a vida de muitos dos que conheço daria um bom roteiro, mas no momento estou a falar sobre filmes. O dessa coluna me remete às tragédias gregas. Trata-se de O Sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream, 2007, EUA/Inglaterra/França), dirigido por Woody Allen e com atuações de Collin Farrell, Ewan Mcregor e Tom Wilkinson.
O filme conta a história de Ian (Ewan) e Terry (Collin), dois irmãos que passam por problemas financeiros e pedem ajuda ao tio, porém este pede em troca um grande favor “que só poderia ser pedido a alguém da família”, afinal “Família é família. Sangue é sangue”, nas palavras do próprio “Tio Howard” (Tom Wilkinson). Engraçado pensar até onde podem ser mascaradas as verdadeiras intenções das pessoas. Saber distinguir o que realmente as movem do que elas querem mostrar para as pessoas a sua volta. A história se assemelha ao que poderia ser uma profecia de Cassandra – bela personagem da mitologia grega que foi abençoada com o dom da profecia e, posteriormente, amaldiçoada pelo deus Apolo, por não aceitar seu assédio. Ou mostrar um pacto com o diabo em troca de bens materiais (Fausto). Até onde você pode ir pela “família”? Aliás, é somente pela família que as pessoas podem se sujeitar a quebrar algumas das regras primordiais de convívio em sociedade? É evidente que as diferenças (caráter, ética, limite) dos personagens principais existem, mas, apesar disso, são mantidos pontos de convergência que fazem com que os espectadores percebam que eles são irmãos.
Allen tem tentado mostrar o lado obscuro da natureza humana, a verdadeira vontade que move o ser humano e, em algumas ocasiões, ele foi feliz como em Match Point – muito em virtude dos bons atores que escalou –, porém, em Sonho de Cassandra, o elenco, apesar de alguns bons nomes, deixa um pouco a desejar, principalmente a partir do pacto feito entre o tio e os sobrinhos. Nesse momento o filme mostra mais o lado cômico do diretor, incluindo as caras e bocas de Collin Farrell na passagem de momentos alegres para tristes. Tirando isso, o que fica mesmo é a oportunidade de ver Woody Allen dirigindo um filme de gênero diferente do que o consagrou.

ESPELHO

VOZ INTERIOR


“O nosso universo imaginário só não desconstrói aquilo que ele não constrói...”.

Filipe Barbosa.


Parecia mais uma quarta-feira daquelas semanas de final de ano. Era mais do que todos viam. Um repertório pleno de fundo passional, um caminho inocente na viagem pelo novo. A pedra que divide um rio. Enxurrada de emoções.
Aqueles olhos demasiadamente curiosos provocaram em Enzo um fascínio espantoso, coisa por que nunca imaginara passar. Um bombardeio interno, a sensibilidade sobre sua própria razão, o sem-querer vacilante que pede na hora mais incerta o subterfúgio de suas forças, aquela ação inesperada.
Tudo começou naquele tropeço despropositado em que o encontro fora inevitável. Carregava consigo seus livros de Artes e um amor consumado pela arquitetura, à medida que suas opiniões se manifestavam desconexas e oportunas. Um minuto se passou, e, nesta fração, Enzo já conheceu algo que em anos passados nunca percebera tão sedutor. Seu nome: Cassandra. Teria perguntado em meio ao intervalo entre os joelhos flexionados e a coleta dos livros, espalhados, e seus muitos lápis, o que, após algumas perguntas, saberia que alimentava uma paixão incondicional pela criação.
Apenas um esboço de sorriso. Foi o suficiente para que o rapaz, de origem suburbana, levasse um troféu para casa, como quem vence um campeonato de futebol universitário. Todo o encantamento produzido é a fórmula singular de um sentimento provocado pela especulação da verdade, a inevitabilidade da vontade. Por mais que não se espere por isso, vem à tona como avalanche. Fenômeno interior, cuja voz pairaria em seu inconsciente, promovendo desejos súbitos de transformação, da liberdade de expressão do sentimento presencial, imprescindível a partir daquele instante, na tal da imprevisibilidade dos acontecimentos.
Aqueles passos se interferiam, sorrateiros, e demonstravam a pressa de quem se mostra sedenta pelo conhecimento. E o cheiro do perfume, singular pelo gosto peculiar, cativo, lisonjeando-lhe o olfato pela chegada do amor correspondente, lúcido, como a estrita forma de entender como a continuidade do ser pode vir acompanhada de um lapso virtuoso do destino, inconstante na factualidade, contudo contundente em sua inédita apresentação.
Expressava a simplicidade no jeito de menina, nos vestidos sem estampa, na ausência de maquiagem, na delícia que era, para Enzo, ouvir a sua voz fraca em baixo tom eclodir com a consistência de seus questionamentos. O momento era o reconhecimento da legitimidade de seu discurso. A afirmação da felicidade, um passaporte sem licença.
Daquele momento em diante, o compromisso entre os dois era o da cumplicidade exercida em comum acordo com a espontaneidade de gestos sublimes, únicos, transparentes, seus. A blusa de Cassandra, levemente caída nos ombros, significava o desleixo desprovido de culpa, o que não permitia a Enzo outra interpretação que não fosse a doce satisfação do vislumbre com a beleza interiorana das curvas da menina de uns vinte e poucos anos.
A transfusão de sensações era o apelo distribuído entre os olhares hipnotizantes, a disritma impiedosa daquele emaranhado especial. Noites intermináveis entre o casal se faziam na predisposição do livre-arbítrio; as escolhas são produto da sobreposição da reciprocidade em detrimento da razão desenvolvida.
A grande descoberta de Enzo foi a retribuição incondicional de atos improvisados na exposição cotidiana, haja vista os julgamentos estabelecidos serem compreendidos como tão superficiais perante aquelas poucas longas menções de uma flor de fino trato, divinal, com um brilho angelical, linda vida.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Estribrilhos cordianos

Não que isso me traga qualquer sensação outra que não seja a transcrição do que é espontâneo antes de qualquer coisa. No céu de todo dia nasce protegido o Sol que guia nossa caminhada. É o jogo da vida que incandesce todas as relações cotidianas. Por mais que sejam raras, sempre trazem uma lição, fruto de uma experiência diferenciada.
Descanso não parece mais do que o intervalo de uma aposta séria, com a garantia de resposta. Ela vai passar, tenho certeza. Ainda que tão tarde, que me permita apenas decifrar teus passos inquietantes. Na janela, encontro o lugar de tua longa estrada; sob meus olhos se desenharam cinqüenta poucos anos de amor. Sentimento este dono de mim. “Superegoísta”, uma vez que aguçava alguns outros frascos de perfume às minhas sensações, tão afrodisíacas quanto inéditas (na capacidade de me revolver).
É a morada do meu interior. Esse devaneio trouxe um resquício da falta do que nunca senti. Ocupou tanto que vivo a pensar na calma das belas frases ao pé do ouvido. Minha troca, sem opção, é a escolha do retrato. Em sua pintura vejo toda a imagem da felicidade. E não usa cores. Repousa em si os sons do arco-íris que desencontro há muito. De quando em quando, devolvo aos mares as palavras guardadas sob as minhas sete chaves, seja pela omissão ou pela abnegação; outrora se entenderia que, para a obtenção da plenitude, necessário seria desviar de inúmeras fagulhas envoltas de expectativas.
O divã de minha vida, diva, dádiva de Deus, espera pelo retorno da ida que escapou a fios. O descompasso entre alegria de alma e a febre do corpo é a medida (in)exata do evento encantado. A mar teus erros, infinita soma de acertos. Feito dom do coração. Música iletrada de uma nota só.

- Tum-tum... tum-tum... tum-tum... tum-tum!

Corre à vista tuas lágrimas de emoção firme, longe daquela lembrança que lhe atormentava o pensamento. Luz da sombra em tela na marcha, na areia, visão da delicadeza, natural, súbita, insana. Incólume razão que me contorna e apaixona o meu ser com a comoção do “vir a ser”. A tradução de teus sonhos se revelam na similitude de tuas feições, resplandecentes, extenuantes, vibrantes, como a constelação tão singular e vigorosa na distribuição celestial de minhas ambições.

domingo, 30 de novembro de 2008

ESPELHO

DOCE NOVEMBRO


Tarde de sábado, final de novembro, um olhar taciturno permite infinitas interpretações acerca de seus pensamentos. Mãos hasteadas ao queixo, ar de mergulhar profundo em seu universo imaginário: aquilo é a menção sobre a pulsão de vida.
Chove lá fora. O zunido da janela é mera constatação da existência de nossos sentidos. E a grande providência é a preocupação com os detalhes, a observação sorrateira, o olhar quase que displicentemente ilustrando todo um cenário a sua volta. Seus simples gestos, seja um sorriso, seja um gesto, residem à manifestação plena sobre a felicidade, sendo certo que a afirmação de seus sacrifícios não provoca a dor por que se esperava.
A espontaneidade é o grande estímulo para grandes resultados. A produção é relevante em seu conteúdo, desde que seja levada às suas raízes mais destemidas, do plano da origem de sua natureza, tão simples quanto agradável.
O aceno independente registra todo o processo de construção das suas experiências. Braços tão fortes e serenos. Uma busca insaciável pelo saber, a ver em suas mensagens a grande oportunidade que se obtém a cada novo amanhecer.
Flores nascem. Céus se desfazem. A vida se renova, em novos tempos, tão mais incertos. A certeza da vida é a do erro. De coração. O que seria de minh’ alma sem esta falta de mim?
A disputa entre o belo e a garantia de sucesso parece tão menos vivaz perto de aquele transcorrer imperfeito. Futuro do meu pretérito imperfeito. Vozes me guiam na cristalinidade daquela transparência. Exposta a todos os efeitos da passagem do tempo. Capaz de entender todas as modificações por que passamos, sem destituir-se dos valores de cada momento e do que antes era nada mais do que poucos lanços de escada.
Tantos poucos que me fariam embriagar de tanta lucidez, ainda que na calada da noite. Sons ao vento, tantos meios, uma só forma: implacável força das escolhas de hoje, que pode vislumbrar o encontro da pulsão de vontade num futuro tão mais próximo do que a eternidade.
É certo que aqueles cachos, aparentemente desajeitados, refletem em seu balanço suave a natureza nobre de suas opiniões. Um espasmo de alegria em tão pouco espaço de tempo: se deixa levar pela passagem inesperada do vento ou ao obscurantismo da calada da noite, ao mesmo tempo, correspondente a seus fios de seda da alegria contida nos breves descansos sobre um colo companheiro. Quase nunca pede ajuda. E mal sabe que virou uma estrela. Muito menos que as estrelas têm hora certa para chegar. E não se pode dizer se tornam a passar na mesma rota: súbita forma de amar.
Costumam dizer que a alegria vem pela manhã; questiono, então, se não vale a pena enveredar nesta tal paz através da ininterrupta e contundente tomada do amor puro, longe de julgamentos, perto do acalanto, pleno por coisa em si, estúpida voz do coração, que não pensa em algo mais sem que faça parte daquele próximo março de que me relembro com tamanha admiração. Esse sonho não vai terminar.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Da magia à razão

A cada segundo de sua existência o homem tem tentado suplantar a si mesmo enquanto persiste em sua tentativa de compreender o mundo que o cerca. Buscando exteriorizar o que sente, ele expressa-se nas mais diversas formas, desde as mais básicas pinturas rupestres, até os limites da nanotecnologia, inserindo em cada invenção um pouco daquilo que é.A cada passo, o tempo que o aguarda torna-se completamente distinto do que fora antes, apenas pela força de seu desejo de mudar.
Todavia, o movimento que pode parecer natural à observação, é o resultado de uma árdua batalha entre a vontade humana e o medo. Esse mesmo sentimento que foi arma de coerção durante séculos e que até hoje mostra- se eficaz nos estratagemas que visam o controle social. Nada mais fácil do que dominar indivíduos aterrorizados, convictos de que somente uma força maior seria capaz de mantê-los a salvo daquilo que temem. Mas o que afinal, teme o homem? A resposta sempre foi a mesma: O maior objeto de medo é o desconhecido.
Incansavelmente cada grupo social tem, desde o mais remoto dos tempos, dialogado com seus temores, na tentativa de explicar o que ignorava, num mundo que encerrava segredos os mais diversos e dado a fenômenos imprevisíveis. Como entender o estrondo que rompia o silêncio, ao que se seguia um absurdo risco luminoso cortando os céus sem aviso? De que modo explicar o que parece impossível, dado o repertório do homem primitivo, e uma vez que se sabia completamente alheio ao mistério que se desenrolava diante de seus olhos? Ainda assim, ele tentou e traçou hipóteses, criando os primeiros deuses do imaginário humano. E cada fenômeno recebia um nome, sendo neste mesmo instante, personificado de coisa desconhecida à entidade sobrenatural: Nascia o mito.
Foi na busca pela compreensão que o ciclo histórico iniciou seu curso, aliando o repertório de signos conhecidos à infinita imaginação do indivíduo. E assim como nasceram as lendas, criou-se o pensamento filosófico, buscando no desconhecido de si mesmo as respostas daquilo que se ignorava. Foi o momento em que o homem ao olhar para seu próprio interior, reconheceu-se como ser capaz de estabelecer relações entre aquilo que sabia e o que captavam seus sentidos. E ao representar o sentir, criou a manifestação artística.
A arte, enquanto produção humana traz em seu cerne o mistério da criação divina e o processo empírico de conhecimento, através do uso de ferramentas as mais diversas, na tarefa de expressar o ser. É palavra, escrita ou pintada, moldada segundo as aspirações daquele que a criar, seja onde for o local de sua geração. Mármore ou tela, som ou movimento, imagem ou pensamento, a arte estabelece um vinculo dialógico não somente com a racionalidade, formada por séculos e séculos de aspiração humana, mas com o desconhecido, o inexplicável, o sentido que vai além do sentir, que sobressai a qualquer observação, no campo do mito.
Diante da arte, o homem se posta, não somente como agente da ciência, de posse de ferramentas de conhecimento, certo de poder explicar com sua gama de argumentos baseados na razão o evento que se apresenta, mas como o primeiro homem postou-se ante o primeiro fenômeno que não soube explicar: atônito.
Buscando, sem encontrar por vezes, resposta em seu repositório de explicações para a arte que contempla, o indivíduo somente vai conseguir captar inteiramente esta expressão artística, não só pelo uso daquilo que conhece, mas pelo mergulho no terreno do desconhecido, penetrando o universo do sentir. É ali, no espaço exato entre uma e outra nota, na diferença de nuance das cores de uma tela ou nas lacunas da frase escrita no papel onde persiste o real significado: Na sensibilidade que não se explica, no silêncio que paira sem que se consiga dizer uma palavra. É a magia do mito, trazendo à tona o que nos torna além de simples animais: Antes de nossa capacidade de pensar, nossa absurda e inexplicável finalidade de sentir.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O poder da informação

Dentro da perspectiva científica, o tempo é uma grandeza relativa, tendo sua dimensão pautada na importância dos acontecimentos que abriga e nas circunstâncias em que estes ocorrem.No dia 17,sexta feira última, terminava um seqüestro em Santo André, interior de São Paulo, com a consequente morte de uma das reféns depois de centenas de horas sob a mira de uma arma e ,é necessário dizer, debaixo de inúmeros holofotes televisivos.Mais do que mensurar o tempo do ocorrido,número amplamente divulgado pelos veículos de comunicação, não convém salientar o período em que tal fato ocorreu mas as particularidades deste no que diz respeito ao noticiário exibido.
Após o desfecho do caso,cumpre questionar não somente sobre o papel do Estado, mas da estrutura midiática que cercou o evento, noticiando-o à exaustão, como se da divulgação dos incidentes dependesse o curso correto dos acontecimentos. Em contrário, a ampla cobertura da mídia, antes de facilitar a resolução, dificultou,segundo a própria, a ação da polícia, divulgando estratégias de ação e alçando o seqüestrador à figura pública, com direito à voz e a postar-se como agente midiático, paradoxalmente , noticiando sua própria façanha em programas de auditório e congêneres.
Neste viés, cabe-nos perguntar: Que tipo de serviço prestou a mídia à sociedade? De que forma poderiam os veículos de comunicação, se é que deveriam, postar-se em situações como esta? Como coadjuvantes no processo de preservação da vida e em auxílio do Estado, ou como foi o caso,como figuras centrais,interagindo com o seqüestrador e contribuindo com a piora do estado de ânimo deste, pela ampla, segundo a própria grande imprensa, divulgação das implicações legais de seu ato e do que o esperaria assim que libertasse as reféns?
Neste caso a vida imitou a arte,como no filme “O quarto poder”, em que o jornalista Max Bracket interpretado por Dustin Hoffman, acompanha um seqüestro de crianças dentro de um museu por um segurança, Sam Baily (John Travolta),que apenas queria o seu emprego de volta.De desempregado, Sam torna-se possível estrela de programa e tem sua vida devassada pela avidez da mídia em tornar sua ação um espetáculo, acabando por manipular informações de modo a direcionar a opinião pública primeiro a favor,depois contra ele.
Na vida real, o poder midiático no caso de Santo André, sob o pretexto de noticiar o fato, criando uma estrutura de apoio ao seqüestrador e ao mesmo tempo repassando informações acabou por contribuir com o insucesso da ação o que demonstra a ausência de propósito social na divulgação do evento,mas a mera intenção de criar e manter o show garantindo a audiência, sem nenhum pudor ou objetivo além deste.Segundo o escritor Guy Debord,em sua obra A sociedade do espetáculo, “O espetáculo não quer chegar à outra coisa senão a si próprio.”

domingo, 19 de outubro de 2008

Coluna: Economia (por Diogo Martins)

Tudo o que você sempre quis saber sobre CDBs, mas tinha medo de perguntar


Noutro dia, estava num bar (de onde saem as melhores conversas, a propósito) com dois amigos. De repente, surgiu o assunto economia. Ambos começaram a falar do tema que toma conta do noticiário econômico brasileiro: a crise financeira americana e suas conseqüências na Bovespa. Perguntaram-me se era um bom momento para investir na bolsa. Disse-lhes que depende da duração da crise lá fora e que os papéis de grandes empresas nacionais, como a Vale e a Petrobras, estão baratos (e devem ficar ainda mais). Mesmo assim, ambos continuaram receosos.
Como a dupla demonstrou interesse em ter uma rentabilidade maior do que a da poupança, mas sem os riscos da Bolsa (talvez este também seja um desejo seu, querido leitor), acenei para a possibilidade de aplicação em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), cujos papéis são emitidos pelos bancos, a fim de aumentar seu crédito (liquidez). Ou seja, o cliente empresta dinheiro aos bancos, e ganha um percentual sobre o valor negociado.
Estes papéis podem ser prefixados, com rentabilidade e prazo definidos na aplicação; pós-fixados, com ganhos atrelados aos Certificados de Depósitos Interbancários (CDIs), que seguem a variação da taxa básica de juros (Selic), hoje em 13,75%; ou ter Swap, cuja remuneração é prefixada ou pós-fixada, de acordo com as Taxas Selic, cambial ou CDIs. Para esta última modalidade, os recursos empregados, normalmente são superiores a R$ 100 mil (cem mil reais). Enquanto que nas outras, na maioria das vezes, a aplicação é a partir de R$ 1000 (mil reais). Algumas instituições bancárias aceitam aplicações com valores inferiores.
Especialistas recomendam que investidores apliquem em bancos de primeira linha, já que os riscos de falência destas instituições são menores. Os bancos de segunda e terceira linhas dão maior rentabilidade, mas suas chances de quebra também são maiores. Os recursos aplicados em CDBs são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito, criado pelo governo e formado com contribuições dos próprios bancos. No caso de falência da instituição bancária, estão garantidos R$ 60 mil (sessenta mil reais) por CPF.

Mas antes de começar as suas aplicações, fique de olho no Imposto de Renda. Caso os recursos sejam resgatados antes de seis meses, a tributação é de 22,5% sobre o rendimento; de seis meses a um ano, de 20%; de um a dois anos, de 17,5%; e, acima de dois anos, de 15%.
Lembre-se sempre de pesquisar as taxas e as condições de cada banco. Procure negociar com o seu gerente. Não se esqueça de que, em se tratando de CDB, quanto menor o investimento, menor a rentabilidade.

Até a próxima!!!