Trinta e cinco semanas do mais visceral e incontido amor. Sinônimo das ressignificações da existência feminina na Terra, posta a inegociável missão de Deus a duas comuns almas na criação de um bendito fruto do querer. Como narrar essa fascinante jornada de pais desgovernados na descoberta das estimulantes lições da reprodução humana? Quem poderia supor a esta altura do campeonato a dádiva de gerar Helenas de Maria, múltiplas forças de mulher num único ventre, como universal experiência?
É como buscar as respostas inequívocas para a origem físico-quântica dos planetas, o ordenamento dos quarks na lógica elementar das matérias, ou ainda, desconstruir aquela máxima da mecânica microscópica chamada constante de Planck. Nada antes na linha do tempo de Sabrina e Filipe pode ser referencial da amplidão do amanhã. Corações ao alto, reféns das próprias retinas nas contrarrazões do sentir.
Guardados os efeitos de escala internacional da pandemia, pode-se expressar da benção de herdar um inédito nascituro sorte lançada nas divinas graças deste mundo de expiações e provas. Esperar a tomada da filha nos braços é algo incomensurável depois de tantos instantes de ansiedade, questionamentos e interrogações. Como libriano, romântico e além, "marinheiro" de primeira embarcação, sem rumo ao continente, o autor desta carta aberta confessa o êxtase de reconhecer na desinibida orientação da bússola o norte do impreciso navegar.
Salvos os tratados marítimos preponderantes aos caminhos da história civilizatória, cabe desarrazoar os instintos talvez animalescos, à luz das sobrenaturais amarras da maternagem, além do protecionismo paternal, de insubstituiveis paladinos do cotidiano. A sombra da íris passa a mover através das pegadas da cria os contornos quase inegociáveis da segunda chance. Errar de novo, evoluir como pessoa, crescer com o privilégio de ciceronear a quista menina dos olhos do pai.
(Ideal)
(fragmento)
O poeta parte no eterno renovamento. Mas seu destino é fugir sempre ao ho- mem que ele traz em si.
O poeta:
Eu sonho a poesia dos gestos fisionômicos de um anjo!
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E um só clamor saía de todos os peitos e vibrava em todos lábios — Ariana!
E uma só música se estendia sobre as terras e sobre os rios — Ariana!
E um só entendimento iluminava o pensamento dos poetas — Ariana!
Assim, coberto de bênçãos, cheguei a uma floresta e me sentei às suas bordas — os regatos cantavam límpidos
Tive o desejo súbito da sombra, da humildade dos galhos e do repouso das folhas secas
E me aprofundei na espessura funda cheia de ruídos e onde o mistério passava sonhando
E foi como se eu tivesse procurado e sido atendido — vi orquídeas que eram camas doces para a fadiga
Vi rosas selvagens cheias de orvalho, de perfume eterno e boas para matar a sede
E vi palmas gigantescas que eram leques para afastar o calor da carne.
Descansei — por um momento senti vertiginosamente o húmus fecundo da terra
A pureza e a ternura da vida nos lírios altivos como falos
A liberdade das lianas prisioneiras, a serenidade das quedas se despenhando.
E mais do que nunca o nome da Amada me veio e eu murmurei o apelo — Eu te amo, Ariana!
E o sono da Amada me desceu aos olhos e eles cerraram a visão de Ariana
E meu coração pôs-se a bater pausadamente doze vezes o sinal cabalístico de Ariana...
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Depois um gigantesco relógio se precisou na fixidez do sonho, tomou forma e se situou na minha frente, parado sobre a Meia-Noite
Vi que estava só e que era eu mesmo e reconheci velhos objetos amigos.
Mas passando sobre o rosto a mão gelada senti que chorava as puríssimas lágrimas de Ariana
E que o meu espírito e o meu coração eram para sempre da branca e sereníssima Ariana
No silêncio profundo daquela casa cheia da Montanha em torno.
